Megadeth: Youthanasia, um dos discos que mudou minha vida
Resenha - Youthanasia - Megadeth
Por Mateus Ribeiro
Postado em 06 de dezembro de 2017
Alguns registros musicais marcaram minha vida. "Road To Ruin" dos RAMONES, "Clayman" do IN FLAMES e "Figure Number Five" do SOILWORK são alguns desses registros. Porém, o que tem lugar garantido no meu coração é "Youthanasia", do MEGADETH.
Na minha modesta opinião, "Youthanasia" é a obra maior de Dave Mustaine e sua turma, além de ser um dos maiores discos dos anos 90. Sem dúvida, é o disco que mais ouvi na minha vida toda. É sobre essa maravilha que irei falar um pouco.
Durante anos, o MEGADETH sempre foi minha banda preferida dentro do metal. Sempre ouvia falar muito mal do som executado pela banda, o que me convenceu a procurar conhecer um pouco melhor o trabalho dos caras. E acredite se quiser, da primeira vez que ouvi "Rust In Peace" consegui odiar todas as músicas. Pois bem, esse sentimento de ódio virou amor quando ouvi "Youthanasia" pela primeira vez.
A paixão começou a se desenvolver pela capa. Além da ilustração magnífica, o significado não poderia ser mais real. Youthanasia é a junção das palavras youth (juventude) e euthanasia (eutanásia). Ou seja, o título insinua que a juventude está assistindo seu próprio suicídio. A crítica se referia ao grande número de jovens (inclusive os fãs da banda) envolvidos com drogas, a violência e a criminalidade como um todo.Logo que bati o olho, fiquei encantado. Até hoje é a capa que mais me chocou.
"Reckoning Day" é a primeira música. Cheia de energia, velocidade, e um riff marcante. Perfeita para abrir shows, a faixa de abertura é um arrasa quarteirão. A letra fala sobre vingança. Não sem motivo, Dave a canta com um ódio que nunca havia cantado antes. Música perfeita para se ouvir durante exercícios físicos, brigas e afins. Sem falar que o seu solo é coisa de outro planeta.
Dando sequência, temos a inconsequente "Train of Consequences". Uma levada mais calma, porém, não menos contagiante, um riff afiado, e a cozinha em perfeita harmonia garantem um dos maiores clássicos do MEGADETH. O clipe retrata bem a música, que fala sobre o problema do vício em jogos. Perfeita para encher a lata e jogar qualquer tipo de jogo. Sem apostar, de preferência.
Addicted to Chaos, A Tout Le Monde e Elysian Fields: A Santíssima Trindade do Megadeth
Acho que consegui resumir bem o que as faixas 3,4 e 5 representam para mim.
Começando do final, "Elysian Fields" demora a embalar, mas vai tomando seu rumo. Uma composição mais rock and roll, que conta com uma ponte sensacional antes do refrão, que por sua vez é um dos mais legais da banda. Vale a pena ouvir e viajar em toda o clima que a música traz. Soa como um descanso em meio a tantas fortes emoções.
"A Tout Le Monde" seria algo como a "Fear of The Dark" do Megadeth. Qualquer fã que se preze tem a obrigação moral de conhecer a melhor balada da banda até hoje, e uma das maiores da historia do Heavy Metal. A canção, que conta com seu refrão cantado em francês, é alvo de polêmica. Claramente fala sobre suicídio, mas Dave Mustaine sempre dá um jeito de driblar a situação, falando que compôs a música pensando em seus entes queridos que deixaram esse mundo.
"Addicted To Chaos" é a música que mais gosto da banda. Um clima melancólico, uma letra reflexiva e instrumentos todos em sintonia perfeita. Impossível ouvir e ficar indiferente. São poucas as vezes que ouço uma música e tenho a impressão de que quem a escreveu estava possuído. Essa é uma delas. E a introdução de bateria executada por Nick Menza é nada menos que excepcional.
A segunda parte do disco não fica atrás da primeira. O estilo mais cadenciado e melodioso continuam ditando o ritmo. "Killing Road" é um pouco mais agitada, e "Blood of Heroes" é uma música que se aproxima um pouco de ser uma balada, só que com pitadas maiores de peso do que "A Tout Le Monde", por exemplo.
A oitava música, "Family Tree", apesar de ótima, é um pouco triste, pois trata de abuso sexual em família, um assunto que infelizmente somos obrigados a conviver diariamente. Tem uma das melhores introduções de toda a carreira da banda, e tem o base de Ellefson presente como nunca esteve antes. Para variar, conta com um solo absurdo.Uma pena que não é executada ao vivo.
Final apoteótico
O final do disco é simplesmente arrebatador. Começando pela faixa título, que deixa o ouvinte atordoado com sua levada mais arrastada, que vai de encontro com um solo rápido."I Thought I Knew It All" volta com o lado mais melódico, mas não deixa de ser grandiosa, e contar com um refrão muito bom. "Black Curtains" é uma das melhores músicas alternativas da carreira da banda. Já a última faixa, "Victory", conta a trajetória da banda. Quase toda sua letra é composta por títulos que a banda havia lançado em discos anteriores. Ao lado do solo de Youthanasia, é um dos únicos momentos de mais correria do play.
Um final extremamente satisfatório, que faz quem ouviu o disco querer voltar para a primeira faixa.
No final das contas, Youthanasia representa o ápice da maturidade sonora do Megadeth. Além de um ótimo trabalho de execução e de produção, os quatro integrantes se comportaram como um banda,pelo menos por um tempo, algo raro para quem trabalha com Dave Mustaine.
Falando pessoalmente, Youthanasia é o disco que mais ouvi, e que mais tenho carinho na vida. Todas as composições me tocam de alguma forma. Tudo que eu sinto está contido ali: amor, ódio, raiva, pensamentos inconstantes, uma montanha russa de sensações.
OBRIGATÓRIO.
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