Resenha - Youthanasia - Megadeth
Por Maurício Gomes Angelo
Postado em 29 de março de 2004
Nota: 7 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Lançado em 1994, "Youthanasia" data da época em que o Megadeth estava na "crista da onda", ancorado pelo imenso sucesso das obras primas "Rust In Peace" e "Countdown To Extinction", ao mesmo tempo em que recebia as primeiras acusações de estarem se vendendo e fazendo um som mais comercial.
Megadeth - Mais Novidades
Radicalismos à parte, fica claro que o thrash metal do grupo já não apresenta toda aquela riqueza criativa encontrada em solos, riffs e composições transbordando criatividade e agressividade natural. Ainda assim, "Youthanasia" passa longe de ser um álbum ruim.
As mudanças estão presentes, com os arranjos menos velozes, criativos, complexos, inspirados e investindo mais na cadência, nos refrões, na melodia, com riffs mais simples, menos solos e bases mais repetidas – mesmo com a queda de qualidade conseguem agradar, fazem uma música se tornar memorável para quem escuta (coisa difícil em bandas de thrash) e a competência e técnica dos músicos salvam o resto.
As letras continuam de cunho provocante, bélico, reflexivo, sarcástico e esbanjando aquela "maldade" peculiar a Mustaine.
"Reckoning Day" começa muito bem o cd, o melhor riff do álbum logo de cara, Dave Mustaine encaixando sua adequada e limitada voz para o estilo, e bateria em tom militar. Outros destaques são a ótima "A Tout Le Monde" (balada?) – uma das músicas mais diferentes e interessantes que o grupo já fez, refrão ultra pegajoso em francês, clipe polêmico e uma atuação sentimentalista (não exagerada) primorosa de Dave.
"Family Tree" é a composição mais completa em termos de participação dos integrantes, contando com um David Ellefson numa linha de baixo marcante e extremamente legal (e refrão idem), trabalho de guitarras entrosado e fazendo jus ao baixo de David, e Mustaine achando o equilíbrio entre parecer simpático às criancinhas e agressivo ao mesmo tempo.
"The Killing Road" não é uma maravilha, mas compensa com o melhor solo do álbum – Marty Friedman parecia enfrentar uma entre-safra ou esgotamento de idéias, e esta não é uma de suas melhores atuações, o que não significa muita coisa, porque para quem o conhece a certeza de um bom trabalho é garantida.
Os destaques negativos ficam para Elysian Fields (algo estranho – chega a lembrar até o hard rock - e longe do thrash metal), uma faixa título boba e descompromissada e a brincadeira sem muita graça de "Victory", uma colagem de títulos de músicas e cds da banda.
Ainda não posso deixar de citar um Dave Mustaine contido e transmitindo ausência na maioria das interpretações e para a cozinha não tão potente assim. É duro ter que dizer isso de David Ellefson e Nick Menza, mas...
Um cd de altos e baixos, de uma fórmula mais simples, com mais erros que acertos sem dúvida. O álbum não passa nem perto de ser aquele thrash metal massacrante, veloz, de pegadas fenomenais e milhares de riffs que são marcas do estilo na década de 80. Se você já tem em casa os melhores trabalhos do Destruction, Kreator, Testament, Forbidden, Slayer, Metallica, Exodus entre outros, "Youthanasia" não vai passar de bom ou "simpático", no entanto, vale a pena por se tratar de um belo registro da fase pré-decadente do Megadeth, se é que podemos considerar como tal. Não vai mudar sua vida e tampouco causar o impacto de um "Kill Em’ All", contudo diverte e tem empatia.
Formação:
Dave Mustaine (Vocais, Guitarra)
Marty Friedman (Guitarra)
David Ellefson (Baixo)
Nick Menza (Bateria)
Outras resenhas de Youthanasia - Megadeth
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



O hit da Legião Urbana que foi mal interpretado como apologia ao fascismo
A criança que irritou Joey Ramone a ponto de inspirar um clássico dos Ramones
U2 volta ao Brasil no início de 2027, diz portal de notícias
As quatro bandas que Dave Mustaine incluiria em um novo Big Four
A formação do Black Sabbath que não funcionou, na opinião de Geezer Butler
Regis Tadeu elege melhores e piores shows do primeiro fim de semana do Rock in Rio 2026
O disco do Iron Maiden com Blaze Bayley que a Metal Hammer considera "metade de um clássico"
A regra de vida que Mick Jagger achava que poderia ter mantido os Beatles juntos
Em 1986, leitores da Kerrang! escolhiam os melhores discos do ano
Quando The Edge pensou em abandonar o U2 por causa dos egos inflamados
O disco do Slayer que é uma "resposta" ao pop punk feito por Green Day e Offspring
O álbum que mostrou por que Janis Joplin era impossível de copiar
Cheetah Chrome, guitarrista do Dead Boys, morre aos 71 anos
Canal crava a tier list definitiva do Iron Maiden e joga um disco no fundo do poço
A música do Judas Priest que tem um dos solos "mais gloriosos" do metal, segundo Rob Halford

65 grandes músicas gravadas por Dave Mustaine, que completa 65 anos neste domingo
Dave Mustaine relembra álbum do Megadeth que produziu "à beira da morte" em luta contra o câncer
As dez melhores músicas de thrash lançadas entre 2000 e 2020, segundo a Metal Hammer
Dave Mustaine fala sobre sequelas do tratamento contra o câncer
As dez melhores músicas de thrash lançadas entre 1983 e 1985, segundo a Metal Hammer
Em trecho de nova biografia, Dave Mustaine fala sobre demissão de David Ellefson do Megadeth
David Ellefson diz que o Megadeth não existiria sem ele
Como era o mundo do metal quando ocorreram os atentados de 11 de setembro, há 25 anos
O disco do Megadeth que tem algumas das melhores músicas do metal, segundo Scott Ian
Black Sabbath: Born Again é um álbum injustiçado?


