Wobbler: clássico instantâneo do prog sinfônico
Resenha - From Silence to Somewhere - Wobbler
Por Roberto Rillo Bíscaro
Postado em 28 de novembro de 2017
Nota: 10 ![]()
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Fãs de rock progressivo sinfônico com farto uso de teclados vintage, tipo Hammond, Moog e MiniMoog, além de instrumentos raros, como cravo, dulcimer e glockenspiel, certamente estão familiarizados com a sonoridade ultra-anos 70 do Wobbler.
Formado em 1999, na pequenina Hønefoss, hoje o Wobbler está sediado em Oslo, capital de seu país natal. A formação conta com Lars Fredrik Frøislie (teclados), Kristian Karl Hultgren (baixo), Martin Nordrum Kneppen (bateria e percussão), Andreas Wettergreen Strømman Prestmo (vocais, guitarra, glockenspiel, percussão) e Geir Marius Bergom Halleland (guitarra e vocais).
Apesar de influenciados por prog mais moderno escandinavo, à Anglagard ou Anekdoten, os noruegueses sempre tiraram sua força muito mais da safra prog clássica inglesa e italiana, como atesta magistralmente seu quarto álbum, From Silence to Somewhere, lançado dia 20 de outubro.
Versando sobre alquimia e metamorfose, o quinteto voltou mais intenso e sombrio, mas sem soar heavy prog. É o mais puro sinfônico contemporâneo – aquela síntese dialético-alquímica de tantas bandas-influência – para amantes de perícia técnica e de estrutura beirando o rococó. As quatro canções abundam em lirismo, grandiloquência, superposição de instrumentos, câmbios repentinos de andamento e textura.
Os quase 21 minutos da faixa-título abrem o álbum com intensidade e força dignas de um Relayer, no sentido do turbilhão corrediço e bombástico do instrumental, que, se claramente evoca o Yes, não para por aí. Como o melhor sinfônico pós-moderno, o Wobbler sabe que não pode desperdiçar a tradição na qual escolheu estar. Assim, a excelência da canção vem também pelo fato de às vezes num mesmo momento presenciarmos a coexistência de dois modos de executar o prog sinfônico. Algo como pensar em mashups de Genesis e Gryphon, de Jethro Tull com ELP e diversos outros. A flauta empresta ar folk durante vários minutos e bem no meio há interlúdio de calma meio experimental à King Crimson.
Depois de longa cavalgada emocional é necessário desadrenalizar e o madrigal mimoso de Rendered In Shades Of Green cumpre essa função em seus modestos dois minutos, antes de nos precipitar para novas, elétricas e eletrizantes torrentes sônicas.
Fermented Hours abre psych, com harmonia vocal chupada de Yes e guitarra pesada, apetecível até para fãs de Led Zeppelin ou Black Sabbath. Alucinante descreve mais ou menos corretamente uma canção que intercala esses momentos mais heavy prog com outros mais longos de sinfônico-virtuose que flerta com flamenco, teclado à Supper’s Ready, ELP, PFM.
O fecho de mais de treze minutos é Foxlight, que começa com outro momento de relaxamento para que o ouvinte se refaça da extravagância anterior. Mas isso dura apenas uns quatro minutos de clima pastoral meio Celeste, Genesis, daí há ponte flamenca que nos devolve ao drama de alto nível do prog sinfônico que medievalizará, será folk, será torturantemente intrincado. E um clássico instantâneo acaba.
From Silence to Somewhere tem tudo que detratores do prog sinfônico adoram jogar na cara de orgulhosos fãs do subgênero. Seu rigor formal é tamanho, que merece ser entronado no rarefeito panteão reservado para obras do calibre de Close to The Edge ou Days Of Future Passed.
Outra banda que você não pode alegar ser inacessível; olha só material disponível no Bandcamp!
Tracklist:
1. From Silence to Somewhere
2. Rendered in Shades of Green
3. Fermented Hours
4. Foxlight
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