Demon: Um álbum absolutamente cativante e forte
Resenha - Cemetery Junction - Demon
Por Carlos Garcia
Postado em 08 de fevereiro de 2017
Nota: 9 ![]()
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Demon: Uma verdadeira lenda do Heavy Metal, ou instituição do Rock Pesado segue produzindo álbuns absolutamente relevantes e empolgantes, e além de podermos identificar vários elementos clássicos, lá dos seus primeiros álbuns, quando a NWOBHM chamava a atenção do mundo Metal, e nos aclamados "Night of the Demon" e "The Unexpected Guest" (pela major Warner Music), onde fazia um Hard e Heavy que trazia peso, melodia e aquela aura misteriosa do visual e apresentações ao vivo, passando também por sua fase mais progressiva, como em "The Plague" , "Hold on to the Dream" e "Breakout", fato é que o DEMON sempre pareceu estar a frente de seu tempo, e a sua sonoridade não se encaixava no tradicional das bandas de Heavy Metal da NWBOHM. Quem sabe essa ousadia e a dificuldade de encaixarem o grupo em algum rótulo, possa ter sido um dos fatores para o grupo britânico não ter chegado a um patamar mais elevado.
Dave Hill, vocalista e fundador (junto com o guitarrista Mal Spooner, falecido em 1984) manteve a banda na ativa ( tendo um hiato entre 1992 e 2001), contando sempre com o fiel amigo e empresário (na verdade, multi-função) Mike Stone, e desde o retorno em 2001, desde então lançando quatro álbuns muito bons (o anterior, "Unbroken", foi lançado em 2912) através de seu próprio selo, Spaced Out Music (além de vários relançamentos), e o mais recente, "Cemetery Junction", lançado no final de 2016, é o melhor desde o retorno, e entra facilmente na lista dos melhores trabalhos dos ingleses.
Impressionante como Hill e os atuais companheiros de composição, Ray Walmsley e Neil Ogden, mantiveram a sonoridade do grupo contemporânea, mas deixando perfeitamente identificáveis várias marcas clássicas, como o Hard e Heavy pesado e melodioso, com refrãos e melodias cativantes, como também as nuances progressivas que o DEMON lançou mão em vários trabalhos.
O som é encorpado, pesado e com grandes melodias, enriquecidas pelo trabalho dos teclados (a cargo de Karl Waye), que se encarregam de dar os toques progressivos e também dando uma aula de como contribuir nos climas, trabalhando muitas vezes ao lado das guitarras da dupla Cotterill/Hume, que por sua vez transitam por peso e melodia, dividindo solos e bases, passando pela escola mais clássica e nuances bluesy. Ou seja, o trabalho em conjunto aqui é uma aula, mostrando como se deve trabalhar em prol da composição como um todo. Ah, e claro, a voz inconfundível de Hill segue como se os anos não tivessem passado, com sua forma marcante de interpretar cada canção.
São onze faixas, e é cada vez mais difícil apontarmos álbuns em que ouvimos do início a fim sem pular alguma faixa, outro ponto a favor de "Cemetery Junction", em que, embora haja canções que vão se destacar aos seus ouvidos certamente, não há faixas descartáveis. "Are you Just Like Me (The Spirit of Man)", inicia o álbum de forma vibrante, Hard/Heavy banhado com Hammonds, grandes melodias nas guitarras e um excelente refrão; "Life in Berlin", dedicada a mãe de Mike Stone, tem uma levada mais cadenciada, traz muita emoção e um grande refrão; "Turn on the Magic", assim como a faixa de abertura, é um Hard/Heavy que traz aquelas melodias cativantes, refrão pegajoso, algo que Dave Hill sempre soube fazer muito bem.
"The Best is Yet to Come" tem nuances progressivas, uma levada cadenciada e pesada , "Queen of Hollywood" me agradou muito pelas variações e seu clima, transitando por trechos mais densos e pesados, progressivos e climáticos, destacando também os melodiosos vocais no e coros no refrão, que, aliás, tem uma melodia muito marcante; "Thin Disguise", balada carregada de emoção, com os teclados contribuindo de forma massiva nos climas, trazendo um clima nostálgico; "Cemetery Junction", a faixa título, tem outra das características marcantes das canções Hard/Heavy do Demon, que é aquele clima místico, remetendo imediatamente a músicas como "Don’t Break the Circle" ou "Night of the Demon"; "Drive" traz peso e um trabalho interessante de Slides nas guitarras.
"Miracle" é outra faixa mais lenta, carregada de emoção e com um belo trabalho nas melodias das guitarras; "Out of Control" tem uma levada frenética, trazendo um clima de "loucura". As linhas vocais e guitarras trabalham muito bem, traduzindo o tema da música; "Someones Watching You" encerra o álbum em um tema cadenciado e climático.
Um álbum absolutamente cativante e forte. Soa contemporâneo, mas com muitas das marcas que o fã que conhece o trabalho do grupo vai identificar, como canções carregadas de emoção e climáticas, grandes refrãos e melodias, nuances progressivas e muitos momentos memoráveis. Para ouvir do início ao fim. Que mais fãs de Metal se interessem pelo trabalho do DEMON, e quem sabe pelo menos uma das grandes injustiças dentro do mundo Heavy Metal seja corrigida. Para os que vão descobrir a banda agora, nunca é tarde para conhecer uma grande banda como esta, com álbuns incríveis como "Night of the Demon", "Unexpected Guest", "Breakout" e "Taking the World By Storm".
Track List:
Are you Just Like Me
Life in Berlin
Turn on the Magic
The Best is Yet to Come
Queen of Hollywood
Thin Disguise
Cemetery Junction
Drive
Miracle
Out of Control
Someone's Watching You
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