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Dream Theater 2022

Opeth: Revigorando o som com o "Sorceress"

Resenha - Sorceress - Opeth

Por Erick Silva
Fonte: Blog Punhado de Coisas
Em 01/10/16

Nota: 8

Impressionante. Aqui, nós temos uma banda que começou lá no longínquo ano de 1990, com um som que remetia ao mais puro death metal. Só que o tempo foi passando, o grupo foi incorporando um folk aqui, um jazz ali, um blues acolá, até que, nos últimos lançamentos, eles abraçaram, de vez, o metal progressivo, e como um Rush moderno, vem fazendo discos verdadeiramente interessantes, e que fogem da monocromia em que o metal, geralmente, está inserido. Diversificado até o osso, o som atual do Opeth é como voltar à década de 70, mas, sem soar datado.

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A bela instrumental "Persephone", que abre este disco, não dá pistas do que vamos encontrar pela frente. Ainda bem, pois, logo somos surpreendidos com um baita blues rock pra levar os mais velhos às lágrimas. Trata-se da poderosa "Sorceress", que possui uma variação incrível no decorrer de sua duração, mostrando que esse tipo de diversidade só vez bem ao Opeth, e proporcionou possibilidades interessantíssimas dentro de uma carreira já muito bem estruturada. Mudar faz parte, e quando é pra melhor, fica mais satisfatório ainda.

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Falar das outras 9 músicas que compõem "Sorceress" é meio complicado, pois, todas são riquíssimas em detalhes, e denotam um bom gosto absurdo de todos os integrantes. Mas, vamos tentar. Depois da canção que dá título ao álbum, temos "The Wilde Flowers", que segue, basicamente, os (ótimos) passos da antecessora, com um blues rock bastante calcado no Free. Entre momentos calmos e energéticos, cada segundo da música se destaca. Sem falhas, sem excesso de firulas; na medida. "Will O The Wisp" é uma bonita balada pueril. Não é, necessariamente, uma grande canção, mas, é bem construída e não faz feio.

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A pesada e psicodélica "Chrysalis" incorpora a lama setentista de maneira fantástica, oscilando, na nossa lembrança, entre o Uriah Heep (pelas linhas melódicas do vocalista Mikael Åkerfeldt) e o Rush em suas músicas mais diretas e certeiras. Não tem como negar: um sonzaço! O disco segue com "Sorceress 2", que mesmo boa, não chega aos pés da sua primeira parte, servindo como uma espécie de "interlúdio" para que o álbum avance até a climática "The Seventh Sojourn", que se trata, nem mais, nem menos, de que uma "Kashimir dos tempos modernos". Não é cópia; longe disso. Mas, a estrutura é quase a mesma, e o que diferencia a canção do Opeth é por ela ser praticamente toda instrumental. Mesmo com a descarada referência, não deixa de ser um bom deleite para os ouvidos.

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Eis que, a essa altura dos disco, o Opeth consegue nos presentear com a melhor composição deste trabalho ("Strange Brew"), não por acaso, a mais longa do álbum, com quase 9 minutos de duração, com muita psicodelia, prog, entre outras viagens sonoras, que só quem conhece a fase de ouro do rock (anos 60 e 70) vai entender. A canção passa por vários estilos, sem nunca perder a mão, e como toda música desse porte, demonstra toda a técnica dos integrantes da banda; coesos, firmes, harmônicos. Depois de tanta emoção em formato musical, temos uma calmaria, a tranquila "A Fleeting Glance", que ainda consegue instigar o ouvinte, mesmo estando já quase no final do disco. Por sinal, as duas últimas composições ("Era" e a rapidíssima "Persephone (Slight Return)") encerram bem o trabalho, uma de forma pesada, e outra um pouco mais calma, quase imperceptível, mas, sem muito destaque.

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Mesmo com algumas (poucas) músicas fracas, "Sorceress" é um ótimo disco do Opeth, e a prova de que a banda está num rumo muito coerente com a sua proposta atual. Pode não agradar aos fãs mais puristas do metal, principalmente, aqueles que conhecem o grupo das antigas, mas, não há como negar que o Opeth é competente no que faz, e, vez ou outra, surpreende. "Sorceress" não é o melhor disco de sua carreira, mas, sem dúvida, está entre os mais cativantes.


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