Roadie Metal: Nacionais em pé de igualdade com estrangeiros
Resenha - Coletânea Volume 6 - Roadie Metal
Por Fabio Reis
Postado em 23 de março de 2016
Alguns pontos de suma importância devem ser levados em consideração antes de qualquer abordagem sobre o lançamento da coletânea Roadie Metal Volume 6. Primeiramente, não me lembro de nenhum projeto ter sido executado com tamanha competência, abrangência e gerar frutos tão bons quanto este. Outros aspectos relevantes são o crescimento e a consequente maior visibilidade que cada edição vem atingindo, alcançando um público cada vez maior e despertando interesse de mais e mais bandas.
Venho acompanhando estes lançamentos desde o Volume 1 e a cada nova coletânea, me surpreendo com a qualidade crescente do material. Os CD's são elaborados com muito capricho e a divulgação prometida é executada de forma irrepreensível. Me deparo com resenhas e análises sobre os registros em sites, blogs, revistas e rádios de praticamente todo o país, fazendo com que a participação das bandas surtam um efeito bastante positivo em termos de alcance de público.
Além da eficácia do material, destaco também a presença de bandas de praticamente todos os estados do país e a enorme variação de ritmos, uma das principais características do trabalho desde seu início. Temos grupos que tocam desde o bom e velho Rock and Roll, até bandas extremas executando o mais brutal Death Metal. Nesse meio, ainda há espaço para os tradicionais Heavy e Thrash Metal, além de tantos outros subgêneros existentes.
Musicalmente, como em toda compilação onde estilos variados são explorados, existem aqueles nomes que se destacam instantaneamente, porém fiquei impressionado como neste Volume 6 em específico, as faixas estão muito niveladas. Chega a ser difícil e de certa forma injusto, dar destaques a algumas bandas e deixar de mencionar outras. Por esse motivo, deixo claro que minhas citações serão exclusivamente direcionadas por meu gosto pessoal, caso contrário teria que partir para um faixa a faixa, artifício que não gosto de usar em análises.
No CD 1, dou ênfase aos trabalhos de Dramma (banda do experiente e renomado guitarrista Ricardo Aronne) e Magnética, como representantes do Hard Rock. Ambas apostando em letras em português e nos presenteando com faixas grudentas. A Vorgok, nova empreitada de Edu Lopes (Necromancer), é um nome de peso do Thrash Metal e aqui, o guitarrista mostra mais uma faceta, sendo também responsável pelas linhas vocais. O resultado é excelente e esta é uma banda que deve alçar voos mais altos muito em breve. Ainda no Thrash, temos os cariocas do Ceiffador, com uma composição fortíssima e diretamente de Guarulhos, a Firegun, com uma musicalidade que faz referências a nomes como Pantera, porém com muita identidade.
Supersonic Brewer é uma grata surpresa, executando um Metal cheio de groove e nos remetendo a sonoridade do Black Label Society. Ainda cito a goiana Shallrise, com uma pegada bem diferenciada, transitando entre o Groove, Thrash e Death Metal e tendo como destaque os vocais intensos de Joey Rodrigues. Outra que merece menção é a M-19, com um Thrash soberbo, moderno e repleto de viradas e mudanças rítmicas.
O CD 2, logo na faixa de abertura, traz um dos nomes mais emblemáticos do Metal Nacional, o grandioso Torture Squad. Na sequência, cinco grandes revelações: Maverick (responsável por um dos melhores trabalhos feitos no Brasil em 2015, o ótimo "The Motor Becomes My Voice"), The Goths (com uma levada ao estilo Metallica), Project Black Pantera (mais um grupo que lançou um excelente disco em 2015 e prima pela variedade musical de suas composições), Apple Sin (Heavy Tradicional cheio de classe e executado com muita competência e feeling) e a Black Triad (mais um projeto que conta com o guitarrista Ricardo Aronne e desponta com bastante força no cenário).
Seguindo com a análise desta segunda parte, é digno de ressaltar as participações das bandas Lascia, apresentando um Metal moderno e muito bem tocado, Bloodfire, com um Heavy Tradicional empolgante e o trabalho primoroso da Jailbait, com claras referências ao Motorhead e uma sonoridade que contagia nas primeiras audições.
Posso afirmar sem a menor sombra de dúvida que esta é a melhor coletânea lançada pela Roadie Metal. Se o intuito é revelar novos talentos, o objetivo é atingido com sobras. Estes dois CD's são a prova inconteste de que o Rock/Metal nacional está em pé de igualdade com qualquer país do mundo e todas as bandas participantes estão de parabéns. Ressalto e cumprimento o idealizador e radialista Gleison Junior, por tratar com tanto respeito e esmero, este grandioso projeto em prol do Metal. Que venham mais muitos volumes da Roadie Metal e que esta sexta edição, seja tratada com todas as pompas que merece.
Para finalizar, lembro que os álbuns não são comercializados e possuem prensagem limitada, são distribuídos para assessorias, rádios, revistas, blogs e sites especializados de todo o país, a fim de divulgar as bandas do nosso underground. Para adquirir a sua cópia de forma totalmente gratuita, basta ouvir o programa Roadie Metal, A Voz do Rock, que vai ao ar todas as Quintas (das 20:30 às 23:00) e Sábados (das 14:30 às 16:15) através do link: www.canalfelicidade.com e ficar atento aos sorteios realizados.
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