Rush: Um marco pra música daquela década que começava
Resenha - Moving Pictures - Rush
Por Tiago Meneses
Postado em 23 de março de 2016
Nota: 10 ![]()
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Sempre vai existir questionamentos por parte de algumas pessoas se o RUSH é ou não uma banda de rock progressivo. Bom, de fato que nem sempre eles soam como uma, sendo muitas vezes um hard rock mais técnico, mas ainda assim, tem em sua discografia discos que sem sombra de dúvidas são extremamente progressivos e que hoje são vistos inclusive como clássicos da vertente.
Desde o seu primeiro álbum, "Rush", em 1974, quando contava ainda com o seu primeiro baterista, JOHN RUTSEY, e que a partir do segundo daria lugar ao lendário NEIL PEART, a banda foi sofrendo uma tremenda evolução em o seu som, saindo da "simplicidade" e buscando um caminho mais complexo, que vão desde os seus arranjos, musicalidade a até suas letras. Tendo provavelmente conseguido o seu apogeu através de "Moving Pictures". Confesso que não é bem o meu álbum favorito (apesar de ser um dos) do grupo, mas é aquele que considero ser o mais importante do trio canadense.
O disco abre com "Tom Sawyer", se você se considera alguém familiarizado com o rock clássico, mas não conhece essa música, de duas uma, ou você tem que rever o conceito de familiarizado ou o rock clássico que falamos são diferentes. Esta é uma música extremamente bem trabalhada e é a canção mais conhecida do Rush por uma razão, ela consegue equilibrar uma base de rock mais acessível com compassos ímpares e estrutura artística que soam perfeitamente. Os sintetizadores aqui são maravilhosos, assim como toda a instrumental da banda que também é muito boa. Uma excelente faixa que nos faz cantar junto. Como curiosidade, no Brasil também ficou conhecida por conta de ser a música de abertura de "MacGyver - Profissão Perigo", transmitido pela Rede Globo na segunda metade dos anos 80. Só que fica o detalhe, a emissora que fez a sua própria versão de abertura, sendo a música e abertura originais bem diferentes da transmitida por aqui.
"Red Barchetta", bom, esta canção eu tenho algo pessoal com ela, por algum motivo (que eu até saberia dizer, mas como eu disse, é pessoal) ela me traz boas lembranças. A atmosfera criada com minhas lembranças é a ideal, a instrumentação de novo é maravilhosa e o solo de guitarra de ALEX LIFESON quase no meio da música é simples e mágico. O trio realmente consegue criar uma canção perfeita. Sem exageros, excessos, mas principalmente, sem furos.
A faixa seguinte é a famosa instrumental, "YYZ". Absurdamente incrível com todos os três músicos extremamente inspirados mantendo tudo em equilíbrio. Possui feeling, virtuosismos, excelentes arranjos, entrosamento. Apesar de como dito, todos os três instrumentos serem destaque, algo que sempre me encanta aqui é a maneira cavalar que o GEDDY LEE executa o seu baixo. Surreal.
Agora é chegada a vez de "Limelight". Já que no começo mencionei as letras da banda, aqui trata-se da opinião do baterista NEIL PEART sobre estar no centro das atenções. O Rush é uma banda incrivelmente inteligente com suas letras em todo o álbum (principalmente por causa de NEIL PEART, seu principal letrista), falei dessa em especial apenas por ser a minha (letra e não música) preferida do álbum e quis deixar uma nota particular. Como de costume outra instrumentação grandiosa. A guitarra de ALEX LIFESON realmente faz uma trilha maravilhosa. Faixa comovente.
"The Camera Eye", é a mais longa do álbum, com mais de 10 minutos de duração. Inclusive, depois dessa composição, a banda não fez nenhuma música que ultrapassassem os 10 minutos em nenhum dos seus álbuns posteriores. Não há muito o que falar aqui, a não ser que eles criaram uma música que é extremamente expressiva desde a sua introdução até toda a passagem instrumental (sejam em conjunto, sejam em solos de ALEX LIFESON), tudo soa sempre interessante e com abundância de elementos de prog rock.
"Witch Hunt", está aí algo que eu não entendo, o motivo dessa faixa costumar ser tão esquecida. Tem seu começo com Lifeson "assombrando" com um riff de guitarra extremamente propício pro momento, assim como o vocal que define em um tom perfeito a canção. Bateria de NEIL PEART, sintetizadores e vocal por conta de GEDDY LEE, além claro, do baixo que também complementa essa música perfeitamente, culminando em uma explosão emocional junto com as não menos brilhantes letras de PEART. Fantástico é o mínimo.
O álbum encerra através de, "Vital Signs". Em se tratando de "Moving Pictures", costuma ser aquela faca de dois gumes, a quem a considere fraca para o álbum e a quem a considere a melhor música do disco. Mas sinceramente, não a vejo com o melhor momento, mas longe de querer dizer que não cai bem no trabalho. Possui uma excelente introdução com sintetizadores, um grande trabalho de guitarra jazzy por parte de LIFESON, a bateria de PEART que dispensa maiores comentários e o baixo de LEE fazem uma linha musical completamente coesa e impressionante, e falando em LEE, seus vocais aqui também merecem destaque, emotivos e únicos para a música.
Nos anos anteriores, já tinham atingido sua popularidade e mostrado a capacidade de criação em obras grandiosas que haviam lançado. Mas não há dúvida alguma que nenhum álbum deu a visibilidade ao Rush no mundo da música como aconteceu em "Moving Pictures", também pudera, uniram tudo em um álbum só, acessibilidade, complexidade, excelentes letras entre outros vários elementos. Um marco pra música daquela década que começava e que tornou-se um disco de importância atemporal.
FORMAÇÃO:
Geddy Lee - Vocal, baixo e sintetizadores
Alex Lifeson - Guitarra
Neil Peart - Bateria
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