Helloween: Uma coleção de 13 faixas de muito bom gosto
Resenha - My God-Given Right - Helloween
Por Fabio Reis
Postado em 12 de julho de 2015
Sempre que um novo trabalho de uma banda consagrada e veterana é lançado, é inevitável que as atenções se voltem todas a ela, no caso do Helloween não é diferente e "My God Given Right" estava sendo aguardado por mim envolto em um mix de expectativa, ceticismo e esperança, afinal, acompanho a trajetória do grupo praticamente desde minha iniciação no mundo da música.
Desde que Andi Deris substituiu Michael Kiske nos vocais da banda, no longínquo ano de 1994, o Helloween teve momentos inspiradíssimos e acima de qualquer ressalva, porém passou por outros não tão brilhantes e dividiu opiniões, mas a grande verdade e que não deve-se deixar de lado, é que manteve-se firme e na ativa, lançando discos com regularidade e mesmo nos momentos considerados menos inspirados por alguns, ainda assim conseguiu angariar novos fãs e seguidores.
Após recuperar todo o prestígio que havia sido perdido com o lançamento do incompreendido "Chamaleon" (1993), foram literalmente do Inferno ao Paraíso com registros acima de qualquer suspeita. Com uma formação estabilizada e extremamente competente, protagonizaram uma sequência de 4 discos acima da média, que se iniciou com o magistral "Master Of The Rings" (1994) e teve como sucessores, os não menos formidáveis "The Time Of The Oath" (1996), "Better Than Raw" (1998) e "The Dark Ride" (2000).
Em 2001, o guitarrista Roland Grapow e o baterista Uli Kusch deixam o grupo após uma briga interna e novamente a banda se vê obrigada a se reformular. Como desta vez, o embrião criativo (Deris e Weikath) estava intacto, foi recrutado Sascha Gerstner (guitarra) e o posto de baterista foi ocupado por Mark Cross, que gravou apenas "Rabbit Don't Come Easy" (2003) e logo cedeu lugar a Dani Löble, estabelecendo assim a formação mais duradoura da banda.
Com este time vieram "Keeper of the Seven Keys - The Legacy" (2005), "Gambling with the Devil" (2007), "Unarmed" (2009), "Seven Sinners" (2010), "Straight Out of Hell" (2013) e o novíssimo "My God Given Right" (2015).
Quando digo que houve momentos não tão brilhantes, não quero em hipótese alguma dizer que o Helloween lançou trabalhos ruins, e sim que principalmente após a saída de Roland e Uli, aconteceram algumas inconstâncias e uma preocupação exacerbada em repetir fórmulas de sucesso do passado. Em certo momento, a impressão que tenho é a de uma estagnação criativa e a consequente falta de se arriscar em algo novo, é mais ou menos como se a banda venha se repetindo constantemente por que não enxerga a necessidade em evoluir musicalmente, o que na minha visão é um grande erro.
Analisando os 6 últimos trabalhos do grupo, o que constatamos é que a sonoridade é praticamente a mesma em todos eles, quando Andi Deris e Michael Weikath estão mais inspirados, as composições soam mais fortes e são consequentemente melhores, quando não, temos um registro aquém do que músicos gabaritados e talentosos podem apresentar. Em "My God Given Right", felizmente vivenciamos o caso da inspiração e o trabalho agrada bastante até mesmo aqueles que vinham torcendo o nariz para a atual fase em que a banda se encontra.
Apesar de todos os clichês possíveis e imagináveis estarem presentes, é inegável que quando acertam a mão, o resultado quase sempre acaba sendo positivo. O que se escuta nesta nova empreitada, é uma coleção de 13 faixas de muito bom gosto, com momentos realmente marcantes e muito pouco o que refutar. Talvez se tivesse ocorrido uma seleção de 9 ou 10 canções, realmente teríamos aqui um álbum capaz de fazer frente ou até mesmo se equiparar com alguns clássicos da banda.
É até difícil escolher destaques, pois tudo soa muito homogêneo, mas vou citar algumas composições que mais me chamaram a atenção: "Heroes", que abre o álbum e possui um refrão incrível, "Battle's Won" é bem "old school" e acerta no alvo, "Russian Roulé", composição despojada e que resgata com pompas o "happy" metal dos primórdios do grupo, "Creatures In Heaven" com uma ótima introdução e uma levada empolgante do início ao fim e a tipicamente Helloween "Claws" são os destaques latentes de um registro que pode-se chamar de surpreendente, mesmo não trazendo nada de novo.
Indicado a todos os fãs de Power Metal. Com toda a certeza, não será o melhor disco do ano mas renderá minutos de muita diversão e satisfação. Helloween sendo Helloween com doses elevadas de inspiração. Recomendo.
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