Megadeth: O 30° aniversário do clássico álbum de estreia da banda
Resenha - Killing Is My Business... And Business Is Good! - Megadeth
Por David Torres
Postado em 13 de junho de 2015
O tempo realmente voa e hoje, 12 de junho, "Killing is My Business... And Business is Good!", o clássico disco de estreia dos norte americanos do Megadeth, completa três décadas de existência. Gravado e mixado no estúdio Indigo Ranch, em Malibu, Califórnia (EUA) e lançado pelo selo da Combat Records, esse "debut" é cercado de curiosidades muito interessantes que enriquecem ainda mais o valor monumental dessa obra. Durante o início do longínquo ano de 1985, a banda recebeu US$ 8.000 dólares dos responsáveis pela Combat Records para gravar e produzir o seu disco de estreia. Os integrantes não acharam que o valor era suficiente e terminaram por receber mais US$ 4.000 dólares. No entanto, o fato é que grande parte do orçamento investido foi gasto em nada mais, nada menos do que drogas, álcool e alimentos, fato que levou a banda liderada pelo vocalista/guitarrista Dave Mustaine a demitir seu produtor original e produzir o seu álbum de estreia sozinha. Mesmo com esses problemas, Mustaine e Cia. conseguiram conceber um trabalho digno de aplausos e que mesmo sendo apenas o primeiro tijolo de uma longa jornada musical que continua até os dias de hoje, já demonstrava o tremendo potencial dos músicos através de composições primitivas, rápidas e cruas.
Uma bela e melancólica introdução de piano, intercalada por passagens de guitarra, logo dá espaço para "riffs" afiados e um grito proferido por Mustaine, marcando o início da faixa de abertura, "Last Rites / Loved to Death". A música, cuja letra fala sobre um homem que assassina a mulher que ama por não ter o seu amor correspondido, nos brinda com "riffs" cortantes e afiadíssimos, a voz rasgada de Mustaine e rápidos solos de guitarra. É muito interessante reparar como a banda evoluiu drasticamente desde o lançamento desse primeiro trabalho. É visível que o "frontmen" Dave Mustaine ainda tentava encontrar a sua própria maneira de cantar, ainda que já tivesse apresentado o seu timbre vocal que ficou tão reconhecido. Linhas de bateria muito criativas e palhetadas certeiras introduzem a faixa título, "Killing is My Business... And Business is Good!". Impossível escutar esse som e não ficar com a voz de Mustaine repetindo o nome da música e do álbum. Como o próprio nome da composição já sugere, a letra fala sobre um assassino, tema muito recorrente no Thrash Metal, diga-se de passagem.
Contando com uma introdução marcante, "The Skull Beneath the Skin" é a genial terceira faixa do álbum. A letra fala sobre a criação da mascote icônica e carismática da banda, Vic Rattlehead e conta com belos e rápidos solos de guitarra, o vocal sempre característico de Mustaine, além de uma pulsante marcação de baixo e levadas criativas e insanas de bateria, tudo executado com maestria e "feeling", fazendo dessa canção um dos grandes destaques da obra. A faixa que dá continuidade ao álbum é o "cover" de Nancy Sinatra, "These Boots". A versão imaginada e praticada pela banda é simplesmente sensacional. Repleta de entusiasmo e energia, é mais um destaque do disco. Também é importante mencionar que algumas prensagens do álbum lançadas naquela ocasião não possuem essa faixa.
"Riffs" devastadores, uma "cozinha" de baixo e bateria fora de sério e solos de guitarra enlouquecidos, podem ser conferidos a exaustão na veloz e avassaladora quinta faixa do álbum, "Rattlehead". Sua letra retrata, em poucas palavras, como é uma apresentação da banda. Sem perder tempo e a euforia, emendam com "Chosen Ones", uma composição mais cadenciada, mas nem por isso menos interessante. Muito pelo contrário! Aqui nós temos um Speed/Thrash de cair o queixo, onde todos os músicos se destacam individualmente e o resultado final é um primor indescritível.
Uma ótima e progressiva introdução se inicia, apresentando harmonias de baixo e guitarra hipnotizantes. É a vez da magnífica "Looking Down the Cross". A canção descreve o momento em que Jesus Cristo foi crucificado no Monte Calvário e novamente brinda os ouvintes com um desempenho instrumental soberbo, além de alterações geniais de andamento. Mais um excelente destaque desse petardo. Impossível ficar indiferente a esse som. Para encerrar esse trabalho de estreia, a façanha se dá por meio de "Mechanix", a versão original da música "The Four Horsemen", presente no álbum de estreia do Metallica, o histórico "Kill ‘Em All" (1983). A composição disserta a respeito de um homem que imagina fazer sexo com uma mulher em uma oficina em troca de um serviço. Esse último ataque sonoro é um legítimo clássico e possui novamente um ritmo frenético e alucinante que não desaponta e encerra o "debut" de maneira mais que satisfatória.
Outro detalhe importante de ser mencionado sobre o álbum é a sua capa. O disco possui duas versões, uma desenvolvida pela Combat Records, para a época de lançamento do registro e a outra foi para a edição de relançamento, com uma arte inspirada em rascunhos elaborados por Dave Mustaine. Mesmo possuindo uma produção consideravelmente pobre, "Killing Is My Business... And Business is Good!" é um registro fenomenal e já mostrava o poder de fogo que a banda tinha e certamente influenciou e ainda influencia uma geração de bandas de Thrash e Speed Metal, tornando-se um verdadeiro marco para a história do Metal como um todo, tendo vendido, inclusive, mais de 200.000 cópias. Nada mal para um álbum lançado por uma gravadora independente, não é mesmo?
Escrito por David Torres
01. Last Rites / Loved to Death
02. Killing is My Business... And Business is Good!
03. The Skull Beneath the Skin
04. These Boots (Nancy Sinatra Cover)
05. Rattlehead
06. Chosen Ones
07. Looking Down the Cross
08. Mechanix
Dave Mustaine (Vocal / Guitarra / Piano)
Chris Poland (Guitarra)
David Ellefson (Baixo)
Gar Samuelson (Bateria) (R.I.P. 1999)
Outras resenhas de Killing Is My Business... And Business Is Good! - Megadeth
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Moyses Kolesne manda recado a quem reproduz discursos de Lemmy sobre política
A humilhação que Ozzy Osbourne sofreu num show e Tony Iommi jamais esqueceu
Como Jason Newsted criou o riff de "Blackened" do Metallica e a reação de James e Lars
Dirk Verbeuren, do Megadeth, agradece Pete Sandoval por ter inspirado "legiões de bateristas"
"From the Dark", novo álbum de Tony Iommi, é lançado
Novo disco de Tony Iommi mantém acesa a chama do Sabbath, segundo resenha da Classic Rock
Mateus Asato elege o último guitar hero que existe e compara com Slash e Van Halen
A música do Iron Maiden que influenciou o Big Four do thrash metal, segundo o Ultimate Guitar
O roqueiro brasileiro que se queimou com Jô Soares após falar mal de Ayrton Senna
"Accident of Birth", de Bruce Dickinson, é lançado em versão remixada
Há 50 anos, uma banda passou à frente dos Sex Pistols e irritou seus integrantes
Dave Mustaine nega que Megadeth tenha pedido dinheiro para tocar em despedida de Ozzy
5 bandas de hair metal na ativa com apenas um membro original, segundo a Loudwire
O álbum do Metallica que tem Kirk Hammett como ponto mais fraco, segundo Gastão
O melhor álbum dos Beatles de todos os tempos, segundo o casal John Lennon e Yoko Ono
Queen - Brian May confessa até hoje sofrer com a síndrome do impostor "o tempo todo"
Alice In Chains: 5 músicas da banda que são muito belas e muito tristes
O icônico riff de guitarra do Pink Floyd que Roger Waters considera como "estúpido"

A melhor música que o Megadeth lançou no século XXI, segundo Mateus Ribeiro
O astro do country de quem Dave Mustaine tem mágoa até hoje: "É uma implicância minha?"
O que "Tornado of Souls" tem em comum com "Stairway to Heaven", segundo Friedman
A pior música do Megadeth, de acordo com Mateus Ribeiro
Os cinco melhores discos do Megadeth, segundo Mateus Ribeiro
Dave Mustaine afirma que o Megadeth está "maior do que nunca"
150 clássicos do heavy metal que foram lançados há mais de 40 anos



