Melyra: Lugar de mulher é na cozinha, de uma banda Metal!
Resenha - Catch Me if You Can - Melyra
Por Willba Dissidente
Postado em 07 de maio de 2015
Nota: 9 ![]()
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Ainda que bandas formadas somente por mulheres não sejam uma novidade, elas ainda chamam à atenção, dada a pouca inserção social que que o gênero feminino no mundo do Rock'n'Roll (e da sociedade em geral; infelizmente). É algo como surgir uma nova banda de Heavy Metal Tradicional; que novidade há nisso? Juntando as duas formulas, equivocadamente tidas como desgastadas, poderia surgir de algo de relevante à música pesada? A resposta, dada a audição de "Catch Me If You Can", EP de estréia da jovem banda carioca MELYRA, é um sim rápido e alto. Tudo soa tão coeso, enérgico e bem acabado nos inusitados 23 minutos e 23 segundos que o estasiado ouvinte terá a certeza de estar diante de uma das revelações do metal tupiniquim. A auto-intitulação Fast & Loud (Rápido & Alto) do som do MELYRA é mais que acertada.
Formada em meados de 2012 como um grupo 100% feminina de covers variados de clássicos do Metal Hard, afortunadamente o MELYRA resolveu ser uma banda autoral. Em 2014, e de maneira independente, o quinteto soltou seu EP de estréia, focado mais nas composições da guitarrista Fernanda Schenker (sim, o mesmo sobrenome que fez fama nas bandas UFO, SCORPIONS, VIVA e demais), e as letras da baixista Helena Accioly. Certamente, as bandas clássicas como IRON MAIDEN, ACCEPT, WARLOCK, SANTA (dois primeiros discos), LEE AARON (fase "Metal Queen") e outras (tanto formada só por homens, como por mulheres) foram influência definitiva na consolidação da sonoridade do MELYRA: metal tradicional direto como feitos anos oitenta, sem grooves ou instrumentos com afinação baixa.
A abertura é instrumental "Beyond Good and Evil", marcha que se desenvolve de maneira lenta e já demonstra o baixo pulsante e pesado de Accioly trabalhando muito com a bateria de Ana de Ferreira; que tem pegada Hardão sententista, o que torna seus andamentos mais criativos e dinâmicos, preenchendo muito bem o som, principalmente no que tange aos pratos. As guitarras no disco foram gravadas no esquema clássico de registrar uma base e depois só passar os solos em outra aba; assim, Fernando Schenker e Maria Fernanda dividem dobras e trocas de modo inspirado. "Nightmare #1" é um Hard'n'Heavy que se diferencia pelo solo no pedal Wha-Wha e os backing vocals guturais gravados pela batera no refrão. A voz de Mariana Figueiredo, assim que ela começa a cantar, é um destaque no disco. Seu timbre não é lírico ou gutural ou imitação da DORO Pesch (como a maioria das vocalistas na atualidade), nem é rouco ou rasgado como as cantoras do ZNÖWHITE ou ACID, porém funciona perfeitamente com as composições do MELYRA, lembrando até um pouco a voz de Betsy do grupo estadunidense BITCH. As letras rimadas são das perspectiva feminina e foram escritas em inglês de quem nasceu na terra de Shakespeare, o que é um diferencial muito bacana da MELYRA, sendo valorizadas pela pronuncia da vocalista. O disco segue com "Silence", Heavy tradicional que começa como acaba tal qual a clássica "Forever" do Y&T, e tem o riff de guitarra mais legal do CD, além de um pré-refrão tão legal que parece canto.
Faixa título, "Catch me if you can", é um Heavy direto com paradinhas no pré-refrão enfatizando a excelente cozinha e solo dobrado à lá THIN LIZZY após o principal. "Fly" é a baldada do disco, soando exatamente como aquele filão de 1989, 1990, algo como os grandes sucessos radiofônicos de NELSON e SKID ROW que levariam à moda dos acústicos MTV, até com os backing vocals mais agudos. É legal, contudo, a evolução do acorde no começo dedilhado e depois com distorção. A composição é muito competente, dando impressão que estaria na trilha sonora da novela se as moças tivessem amigos importantes. Encerrando, "Trip do Hell" traz a MELYRA de volta à sua vocação: começo cadenciado e depois pancadaria! Além da linha de baixo mais legal do álbum, essa parte tem solos muito bem trabalhados tanto nas partes individuais ou dobradas.
"Catch Me If You Can" é embalado em capa de plático e acompanha encarte de quatro páginas com letras, fotos e flyers de shows num bem sacado tom de vermelho. Positivíssimo, foi o fato das moças NÃO repetirem imagens na capa, contra-capa, bandeja e mídia (CD-R impresso). Quem se interessar em comprar o Cd deve entrar em contato pelo e-mail: [email protected]
Assim como o disco é todo muito bem produzido, com instrumentos nítidos e pesados, a MELYRA inicia sua carreira com padrão alto. Poderão elas o manter? Pelo apresentado aqui seria fácil "bancar o bidu" ao dizer (fast and loud) que sim!
MELYRA - "Cath Me if You Can" - 2014 - 23:23 - Independente.
01 . Beyond Good and Evil (02:09)
02 . Nightmare #1 (03:33)
03 . Silence (04:26)
04 . Catch If You Can (04:58)
05 . Fly (03:36)
06 . Trip To Hell (04:41)
MELYRA:
Mariana Figueiredo - Voz
Fernanda Schenker - Guitarra
Maria Fernanda Cals - Guitarra
Helena Accioly - Baixo
Ana de Ferreira - bateria
Após a gravação do disco Maria Fernanda cedeu o lugar nas seis cordas para Alyne Carloto.
Links relacionados (em inglês):
http://www.melyra.com/
https://www.facebook.com/bandamelyra/
http://www.youtube.com/user/melyraband
https://twitter.com/_melyra_
https://instagram.com/melyraband/
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