"Singin' Alone": Arnaldo cantando (e tocando) sozinho
Resenha - Singin' Alone - Arnaldo Baptista
Por Claudinei José de Oliveira
Postado em 16 de abril de 2015
Nota: 10 ![]()
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Em 1982, era lançado de maneira independente, pelo selo "Baratos Afins", o álbum "Singin' Alone", documento sonoro definitivo de uma viagem até as últimas consequências, realizada por Arnaldo Baptista.
Dizem os astrofísicos que um "horizonte de eventos" é a última fronteira da realidade, tal qual nossos sentidos a percebem. O álbum "Singin' Alone" é uma espécie de "horizonte de eventos" para a música de Arnaldo Baptista.
Como o título dá a entender, Arnaldo não somente "canta sozinho" - com exceção da participação de Suzana Braga, sua companheira na época, nos backing vocals em duas músicas -, como também toca todos os instrumentos e é o arranjador de todo o álbum, que foi produzido por Luiz Calanca e lançado, de maneira independente, em 1982, pelo selo de sua loja, a "Baratos Afins".
Enquanto, apesar da ousadia, o trabalho anterior de Arnaldo, seja junto aos Mutantes ou à Patrulha Do Espaço, bem como em "Loki?", seu primeiro solo, se atém à convencionalidade musical, "Singin' Alone" vai às últimas consequências sendo, desta forma, um álbum mais "difícil" para ouvidos condicionados às convenções musicais.
Algumas das músicas que compõem o álbum, já haviam sido gravadas com a Patrulha Do Espaço no final dos anos 1970, porém com letras, arranjos e instrumentação diferentes, mais puxadas para um certo tipo de "Classic" ou "Hard Rock".
Não somente a audição de "Singin' Alone" é "difícil" como, também, é difícil definir a música ali ouvida. Muitos críticos arriscam "rock experimental". Porém, a impressão que se tem é a de que Arnaldo não estava realizando experimentos musicais e, sim, tocando na única forma que poderia, a música que o tocava. Assim sendo, Singin" Alone é uma espécie de documento sonoro da genialidade em seus limites.
Como já se insinuava desde o tempo d'Os Mutantes, as letras de Arnaldo oscilam entre o português e o inglês, mas, de uma maneira tão natural e intensa que os limites linguísticos perdem o sentido, permanecendo, por detrás das palavras, o sentimento como derradeira língua universal.
Desde o rompimento afetivo com Rita Lee e, consequentemente, o rompimento artístico com Os Mutantes, Arnaldo vinha se fechando em seu próprio mundo. No final de 1981, o "acidente" na ala psiquiátrica do Hospital do Servidor, em São Paulo, é a metáfora perfeita para o mergulho definitivo em si mesmo.
"Singin' Alone", no entanto, já havia sido gravado. Arnaldo tinha ido às suas últimas consequências e vislumbrado o seu "horizonte de eventos".
A Astrofísica afirma, também, que além do "horizonte de eventos" está o "buraco negro", uma singularidade da qual nada escapa.
Arnaldo mergulhou fundo no seu "buraco negro" e, só ele sabe como, escapou.
Portanto, não se assuste se ouvindo ouvindo "Bomba H Sobre São Paulo", "O Sol", "Coming Through The Waves Of Science", "Jesus Come Back To Earth" ou "Train", você se pegar perguntando: Por que será que esta música que parece não dizer coisa com coisa me diz tanto? É assim mesmo.
Tracklist do CD:
1."I Fell In Love One Day"
2."O Sol"
3."Bomba H Sobre São Paulo"
4."Hoje De Manhã Eu Acordei"
5."Jesus Come Back To Earth"
6."The Cowboy"
7."Sitting On The Road Side"
8."Ciborg"
9."Corta Jaca"
10."Coming Through The Waves Of Science"
11."Young Blood"
12."Train"
13."Balada Do Louco" (Faixa bônus de reedição em CD)
Gravadora: Virgin (reedição em CD)
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