Grand Funk: Pesado, barulhento, melodioso e harmônico

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Por Renato Araujo, Fonte: Blog Impaciente e Indeciso
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O ano de 1969 foi muito importante na história da humanidade e na música pop também não foi diferente. O movimento flower-power, já devidamente encampado pelo sistema, atingia seu auge com o festival de Woodstock, mas a tragédia de Altamont já anunciava o fim do sonho que Lennon viria a decretar pouco tempo depois. Bandas inglesas como o BLACK SABBATH e o CREAM, e americanas, como o MC5, os STOOGES e o GRAND FUNK RAILROAD já traziam uma nova linguagem, mais "violenta" e menos passiva, que viria, anos depois, a dar no que se convencionou chamar de punk rock. A base norte-americana deste novo som era a cidade de Detroit. Bandas como AMBOY DUKES, os já citados MC5 e STOOGES e o CACTUS começavam a aparecer, alicerçados pelo sucesso de seu filho mais famoso, um certo guitarrista chamado JIMI HENDRIX.

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Da pequena cidade de Flint, no estado de Michigan, surge uma banda que viria a ser um dos primeiros power-trios ianques, curiosamente batizada como "GRAND FUNK RAILROAD". O nome, que logo foi abreviado para apenas "GRAND FUNK", é uma referência a uma famosa estrada de ferro do estado, chamada "Grand Trunk Railway". Paralela à estrada de ferro, moderníssima, havia uma estrada de terra em péssimas condições, que era chamada jocosamente de "Grand Funk Railroad". No Brasil, onde a banda alcançou um considerável sucesso de público, o nome esquisito acabou prejudicando o grupo, pois muita gente boa (e um tanto preconceituosa, diga-se de passagem) achava que se tratava de uma banda de funk-music. Muito pelo contrário, o trio detonava um som inacreditavelmente potente e barulhento.

Mesmo que seus integrantes não fossem virtuoses, o GRAND FUNK conhecia o caminho das pedras e explorava ao máximo suas limitações. Acabava dando a impressão de que tocavam muito mais do que realmente tocavam. A história do trio é recheada de fatos curiosos. Antes da formação que se tornaria clássica, o GRAND FUNK já havia sido um quinteto e um quarteto. Depois de algumas tentativas chegou-se ao formato que tornou o grupo famoso. Muito descolado, o guitarrista Mark Farner tanto insistiu que conseguiu inserir o GFR em um festival ao lado de JANIS JOPLIN (e banda), JOHNNY WINTERS e LED ZEPPELIN, tocando em sua estréia como trio para uma platéia de 180.000 pessoas.

O sucesso foi enorme. Pete Grant, o truculento empresário do LED ZEPPELIN, teve a infeliz ideia de convidá-los para os shows de abertura da turnée americana do Zep. Em Cleveland, aconteceu algo que entraria definitivamente para os anais do folclore rock and roll. Durante a execução de "Inside Lookin' Out" (presente neste disco), a reação da platéia foi tão intensa que o enciumado Grant simplesmente desligou a energia e ainda tentou tirar a banda do palco à força. Farner então se dirigiu ao microfone depois que a energia foi religada e soltou: "-O LED ZEPPELIN está com medo do GRAND FUNK RAILROAD". E foram sumariamente despedidos. Lançaram um álbum, chamado 'On Time" em setembro de 1969 e em dezembro lançaram outro, epônimo, e é deste disco que estamos falando.

Conhecido como o "disco vermelho", "Grand Funk", o álbum, é um dos melhores lps de rock de todos os tempos. Extremamente pesado e barulhento, mas ao mesmo tempo, muito melodioso e harmônico, alcançou rapidamente os primeiros lugares das paradas de seu país. Enquanto o GRAND FUNK arrebanhava multidões de fãs nos EUA e no mundo inteiro, era destruído pela crítica dita especializada, que preferia outras bandas, bem mais "cabeça". O grupo passou para a história idolatrado pelos fãs e com o nada invejável título de "banda mais malhada pelos críticos de todos os tempos". O trio é uma daquelas bandas "desimportantes" que a crítica (e alguns fãs que teimam em seguir o que os críticos ditam) elegeu. Ainda bem que crítico não compra disco, só os ganha de graça.




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Sobre Renato Araujo

Renato Araujo, jornalista, músico, nascido em 1966.

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