Zona Tribal: Álbum é um golpe certeiro
Resenha - Extremo Norte - Zona Tribal
Por Mário Orestes Silva
Postado em 11 de fevereiro de 2015
Segundo CD da banda manauara Zona Tribal, "Extremo Norte" foi lançado no ano de 2007. Não tem a quantidade de hits do primeiro disco, homônimo à banda lançado quatro anos antes, mas em contra partida, mostra maturidade na estrutura das composições apresentadas nesta feita e profissionalismo dos músicos em questão.
Uma curta vinheta abre o trabalho com uma pequena canção, homônima ao álbum, executada pelo grupo Raízes Caboclas e com um soneto recitado em uma língua indígena. A segunda faixa "Guerrilha" apresenta o que todos querem escutar. Um rockão com influências punk, com ótima letra e refrão pegajoso. A terceira "Agora É Tarde" é um pouco mais harmoniosa, até por conta de um violoncelo, mas mantêm a qualidade de uma boa composição. O jogo de guitarras de Jean Carlos é excelente e pode ser dito como um dos destaques do grupo.
A quarta "Não É Bem Assim" remete ao primeiro disco por ter um refrão digno de hit. Também tem um trompete que marca um diferencial. Na quinta "Crônicas do Dia a Dia" há uma caída. Uma balada um tanto forçada, do tipo "mamãe, eu quero ser famoso". A guitarra acústica recebe acompanhamento do violoncelo, mas no meio da música entra a distorção dando um novo pique à balada e o bonito solo salva a canção que volta a ficar acústica em sua segunda metade.
A próxima "A Rua da Frente" já abre reafirmando as qualidades de Jean como guitarrista. A melodia do refrão desta música, também enaltece a superioridade vocal de Mencius Melo, em comparação ao primeiro CD. Em seguida vem "O Espetáculo dos Garotos de Plástico". Um excelente nome, uma grande melodia, uma letra reflexiva e um bom riff. Talvez a melhor do disco. Na sequência está "Entre Meninos e Moedas" que também leva ao primeiro disco e tem uma harmonia grudenta. Incrível como esses garotos tem uma facilidade de criar músicas memoráveis.
A nona "Eu!" tem um refrão quase raivoso e uma letra com referências literárias, musicais e até políticas. Mencius se expõe poeta nela. Depois emenda "Novela das Oito" que não apresenta nada de muito diferencial e tem aquela ingenuidade carregada nos anos 80, apesar do pique punk rock. Não é de todo mal. "A Sociedade da Faixa de Pedestres" é outra com boa letra e guitarrinha marcante. Dá aquela sensação de que já escutamos isso antes.
A penúltima "Disparo!", dita como "bônus trash" quebra o ritmo. Feita pra ser tocada em volta de uma fogueira num acampamento. Totalmente acústica e com pandeiro batido como percussão. Pra fechar algo totalmente dispensável. Uma edição da balada "Crônicas do Dia a Dia (versão rádio)", mais curta evidentemente pra honrar os parênteses. Melhor fosse se deixassem esta versão no lugar da primeira.
Pontos baixos à parte, neste disco a banda, que mantêm a mesma formação, está indiscutivelmente mais afinada e mais preparada para encarar um mercado de gigantes com décadas de experiência. A produção do disco como um todo também é superior ao primeiro registro e a arte gráfica da capa tem uma ilustração que mistura regionalismo com mangá. "Extremo Norte" é um golpe certeiro da Zona Tribal que tem um futuro promissor pela frente.
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