Exodus: "Zetro" é o cara certo a estar na banda
Resenha - Blood In, Blood Out - Exodus
Por Fabio Reis
Postado em 13 de novembro de 2014
Antes mesmo de ser anunciado o retorno de Steve "Zetro" Souza ao posto de "frontman" da banda, o novo álbum já era esperado com ansiedade por muitos fãs. Após a confirmação da volta de "Zetro", a expectativa aumentou estratosfericamente e muito foi questionado sobre qual o Exodus que ouviríamos. O ícone Thrash que ajudou a firmar o estilo como um dos mais tradicionais dentro do Metal, lançando registros lendários, ou a banda com sonoridade mais moderna, timbragens mais baixas e "riffs" cheios de "groove" dos tempos de Rob Dukes?
Confesso que aguardava algo ao menos que se parecesse com "Tempo Of The Damned", último trabalho de Steve no grupo e que deixou clássicos do porte de "Scar Spangled Banner", "War Is My Shepard" e o hino "Blacklist". Fiquei extremamente animado quando foi disponibilizada como uma prévia, a faixa "Salt The Wound", que é daquelas composições empolgantes e que agradam logo na primeira audição. A música conta com a participação especial de seu guitarrista original, Kirk Hammett, que se mostra discreto, porém preciso e finalmente dá as caras em uma canção da banda que o credenciou a ser guitarrista do popular Metallica.
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O que se constata ao ouvir "Blood In Blood Out" é que "Zetro" é sem a menor sombra de dúvidas o cara certo a estar na banda. Com ele, a sonoridade do Exodus muda, o Thrash Metal ganha novos contornos e as músicas soam como precisam soar. O modernismo dos trabalhos anteriores perde forças e o que se percebe é uma volta ao Thrash em seu estado mais puro e bruto, longe de mim criticar os trabalhos com Rob Dukes, que acho competentíssimos, mas o fato é que o novo registro não deixa margens para ressalvas e agrada os admiradores novos, como também os mais antigos do grupo.
É importante ressaltar que a formação atual é muito competente e tudo indica que será a definitiva, Lee Altus forma uma dupla de guitarristas praticamente perfeita com o "Boss" Gary Holt e Jack Gibson (baixo), ao lado de Tom Hunting (bateria), formam uma das cozinhas mais iradas e técnicas da atualidade. Músicos de primeira linha e que sabem exatamente o que estão fazendo, tem o domínio total de seus instrumentos e conhecem o estilo que praticam como poucos.
Partindo para as músicas, temos um verdadeiro desfile de "riffs", solos muito bem encaixados, canções que se alternam entre as mais velozes e as mais cadenciadas, "backing vocals" perfeitos, os vocais rasgados e característicos de "Zetro" e MUITA inspiração nas composições.
Difícil eleger destaques em um trabalho que é ótimo por completo, mas dentre as faixas mais velozes, vou citar "Blood In Blood Out", que começa e termina a mil por hora e possui um ótimo refrão. "Collateral Damage", tem "riffs" magníficos e os melhores "backing vocals" do trabalho enquanto "Numb" prima por ser direta e dona de solos certeiros. Ainda neste quesito, temos "Food For The Worms", que tem as melhores linhas de guitarra do álbum e é sem dúvidas, a mais visceral de todas.
Partindo para as composições que eu gosto de chamar de "tipicamente Exodus", aquelas que contam com andamentos mais cadenciados, que Gary Holt e cia. fazem como ninguém, temos a simplesmente fantástica "BTK", que conta com um refrão pra lá de grudento e a ilustre participação de Chuck Billy (Testament), na minha humilde opinião, a melhor do trabalho. "My Last Nerve" é daquelas músicas de fácil assimilação, que você escuta poucas vezes e já sai cantarolando. Ainda destaco "Salt The Would", que é simplesmente viciante e candidata a clássico.
Quando escutei "Blood In Blood Out" pela primeira vez, tive a imediata sensação que entraria diretamente na minha lista de melhores do ano, após diversas audições, com as faixas já bem familiarizadas e memorizadas, posso agora dizer, que não apenas será um dos melhores lançamentos de 2014, como também um dos mais completos e inquestionáveis álbuns de Thrash dos anos 2000.
Se no começo desta resenha, relatei que esperava um trabalho que ao menos se parecesse com "Tempo Of The Damned", posso afirmar que esta expectativa se concretizou em uma realidade muito além disso. O novo registro é, na minha visão, tão bom quanto o de 2004, senão melhor. Há muito tempo, que uma banda renomada de Thrash Metal não lança um álbum que me surpreendia dessa maneira. Simplesmente Obrigatório!
Formação:
Steve "Zetro" Souza (Vocal)
Gary Holt (Guitarra)
Lee Altus (Guitarra)
Jack Gibson (Baixo)
Tom Hunting (Bateria)
Faixas:
1 - "Black 13" (com Dan the Automato)
2 - "Blood In, Blood Out"
3 - "Collateral Damage"
4 - "Salt the Wound" (com Kirk Hammett)
5 - "Body Harvest"
6 - "BTK" (com Chuck Billy)
7 - "Wrapped in the Arms of Rage"
8 - "My Last Nerve"
9 - "Numb"
10 - "Honor Killings"
11 - "Food for the Worms"
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