Carcass: Os 25 anos do segundo álbum de estúdio da banda
Resenha - Symphonies of Sickness - Carcass
Por David Torres
Postado em 09 de novembro de 2014
Pioneiros do Grindcore e do Death Metal, o Carcass surgiu em Liverpool, na Inglaterra, em meados de 1985. Três anos depois da criação da banda, os músicos lançam, através da gravadora Earache Records, o seu primeiro registro de estúdio, "Reek of Putrefaction", um "debut" completamente cru, sujo e ensurdecedor e com uma das capas mais grotescas e vis já concebidas dentro do Metal, uma verdadeira coletânea de imagens bizarras de pessoas mortas, cadáveres dilacerados, mutilados e em estado de decomposição. Ainda que tenha uma produção tosquíssima, o disco se tornou um dos grandes clássicos do Grindcore mundial. Eis que um ano depois, em 04 de novembro de 1989, a banda faz a sua segunda entrega, "Symphonies of Sickness". Novamente lançado pela Earache Records e contando agora com a colaboração do produtor Colin Richardson (Cannibal Corpse, Kreator, Napalm Death e muitas outras), esse álbum é uma evolução e tanto para o Carcass, tanto na qualidade da produção do disco, como da evolução técnica e musical dos integrantes. As letras continuam abordando morte e patologias diversas, contudo, a evolução dos músicos é visível logo na primeira faixa. No dia 4 desse mês, essa joia do Metal Extremo completou o seu aniversário de 25 anos.
Contando com Jeff Walker (vocal e guitarra), Bill Steer (guitarra e vocal) e Ken Owen (bateria e vocal), o mesmo "line up" do álbum de estreia, "Symphonies of Sickness", assim como o "debut" da banda, é dividido em duas partes, o Lado A se chama "Requiems of Revulsion" e o Lado B, "Concertos of Carnage". O Lado A do álbum se inicia com "Reek of Putrefaction", cujo nome faz alusão óbvia ao nome do primeiro trabalho de estúdio dos britânicos. Após alguns segundos de silêncio, os "riffs" pesadíssimos de Bill Steer ecoam pelos autofalantes, acompanhados por uma atmosfera fúnebre e cadavérica, simplesmente perfeita para a sonoridade e a temática grotesca abordada pela banda. Após uma introdução pesadíssima e cadenciada, os ouvidos do ouvinte são martelados por um andamento desvairado e frenético, cortesia de uma alucinante e intensa "cozinha" de baixo e bateria, cortesia do "frontmen" Jeff Walker e do baterista Ken Owen. Os vocais também são inseridos de forma sagaz, intercalando os vocais guturais e urrados proferidos pelo guitarrista Bill Steer com os rasgados e esganiçados vocais de Jeff Walker. Uma grande e brutal faixa de abertura que já prepara o ouvinte para o massacre sonora que apenas está começando.

A cadenciada e clássica "Exhume to Consume" vem logo em seguida e já abre com os guturais de Steer. Aqui nós temos mudanças bruscas de andamento, aliadas com o desempenho extremamente criativo da banda, que combina "riffs" viscerais com passagens climáticas sinistras. "Excoriating Abdominal Emanation" se inicia com um ritmo moderado e alterna de trechos velozes e muito violentos para outros mais arrastados e "grooveados". Os vocais intercalados por Steer e Walker continuam presentes e inseridos de forma competente e jamais forçada. A bateria de Ken Owen introduz a fabulosa "Ruptured in Purulence". Iniciando com "riffs" pausados e cadenciados, a música cresce aos poucos para explodir logo em seguida em um andamento furioso e completamente descontrolado, apresentando palhetadas imundas e um solo curto e insano de guitarra. "Riffs" intensos abrem "Empathological Necroticism", a última faixa do Lado A do álbum e uma das mais cadenciadas do álbum, uma composição que é dividida em passagens arrastadas e contidas e momentos ensandecidos e rápidos, mas não tanto como nas músicas anteriores. Ainda assim, não é menos pesada por isso, sempre contando com um trabalho portentoso dos integrantes.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel | A música Embryonic Necropsy and Devourment é a primeira do Lado B, "Concertos of Carnage". O seu início é bastante arrastado. Conforme a composição caminha, temos alguns trechos pesadíssimos e acelerados e outros cadenciados e contidos, mantendo as mudanças de andamento sempre constantes. Temos também alguns solos de guitarra de Bill Steer, que ainda que não sejam os mesmos que ouvimos em trabalhos posteriores da banda, também são climáticos e interessantes, combinando com a sonoridade praticada aqui. A banda decide investir em mais agressividade e emenda com "Swarming Vulgar Mass of Infected Virulency", uma canção um pouco mais suja e veloz. "Cadaveric Incubator of Endoparasites" nos leva a uma sonoridade ainda mais vil e próxima ao som executado nas primeiras faixas desse trabalho, abrindo de forma desgovernada, contando com uma nova sucessão de "riffs" grotescamente pesados, belas harmonias e solos de guitarra de Steer e um criativo e bem conduzido trabalho de bateria, tanto nas partes cadenciadas como nos momentos mais vertiginosos e rápidos.

"Slash Dementia" é literalmente uma demência em forma de música e mantém a mesma linha insana, grotesca e psicótica das faixas anteriores. Encerrando esse grande álbum, "Crepitating Bowel Erosion" se inicia mais uma vez de forma vagarosa e não demora muito para rumar para a mesma truculência sonora das faixas anteriores. Os integrantes novamente entregam um trabalho sujo, doentio e genial, encerrando esse segundo registro de estúdio com uma ensanguentada e putrefata chave de ouro.
"Symphonies of Sickness" certamente é um dos melhores álbuns de Deathgrind já realizados e marca mais uma etapa na constante evolução do Carcass. Um petardo maravilhosamente insano, pesado e intenso que merece ser conferido por todos os fãs e apreciadores de Metal Extremo. Outro detalhe curioso é que o álbum possui duas capas diferentes, sendo uma lançada na época de seu lançamento, em 1989 e outra, em seu relançamento, no ano de 1996. Em meados de 2002 para 2003, a capa original retornou. Agora, independente de quantas capas esse trabalho possua ou quais elas sejam, não há como negar: esse álbum é uma legítima "Sinfônia de Doença"... no bom sentido, é claro!

Lado A - Requiems of Revulsion:
01. Reek of Putrefaction
02. Exhume to Consume
03. Excoriating Abdominal Emanation
04. Ruptured in Purulence
05. Empathological Necroticism
Lado B - Concertos of Carnage:
06. Embryonic Necropsy and Devourment
07. Swarming Vulgar Mass of Infected Virulency
08. Cadaveric Incubator of Endo Parasites
09. Slash Dementia
10. Crepitating Bowel Erosion
Jeff Walker (Vocal / Baixo)
Bill Steer (Guitarra / Vocal)
Ken Owen (Bateria / Vocal)

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