Several Skin: Cartão de apresentação da nata rockeira de Manaus

Resenha - Beyond the Scenes - Several Skin

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Por Mário Orestes Silva
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Lançado no ano de 1999, Beyond The Scenes é o debut de uma grande banda de Manaus. Hoje em dia com o nome simplificado para apenas Several, na época deste disco chamavam-se Several Skin. Evidente que a produção do disco realizada pela própria banda, poderia ser bem melhor, principalmente no tocante à arte gráfica. A ausência de um encarte com letras e fotos da banda transparece um amadorismo que some no apertar do play no aparelho.

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A bolachinha abre com "Prosaic Circus" que é uma ótima porrada com tempos e contra tempos que tiram o gás do ouvinte. Apesar de todos os integrantes serem grandes músicos, o destaque é o baterista Beto Montrezol. O garoto sem dúvida é bastante influenciado pelo gigante Neil Peart. A boa pronúncia do inglês do guitarrista vocalista Bruno Prestes dá a impressão tratar-se de uma banda gringa. Isso também nos faz lembrar que eles já fizeram alguns shows na terra do tio Sam.

"8 Seasons Of Coma" engata logo em seguida com um bom riff e mantendo o pique de abertura. Incrível a sintonia do grupo. A terceira "Flexible" dá uma quebrada no ritmo e mostra um lado mais "tradicional", acelerando um pouco no final. A que vem em seguida "Come Above", particularmente, tenho como a melhor do álbum. Riff matador que fica grudado na cabeça do ouvinte. Vocal enfurecido no refrão que também é grudento. Excelente jogo de guitarras e perfeita sincronia de backing vocals. Grande canção que, infelizmente, nunca os vi tocarem ao vivo.

Por incrível que pareça, em seguida vem uma balada. "February" é a clara influência de Red Hot Chili Peppers. Os arranjos são refinados exaltando bom gosto na composição. A sexta faixa é dividida em duas partes. "(I) The Judas Hug (II) Unemployed Porno Star" tem uma introdução com bateria percussiva e levada tranquila. Em seguida entra um rockão, que lembra Alice In Chains e sofre variações distintas em seu decorrer até o final. A próxima "Deeper" está mais para uma vinheta, por tratar-se de uma viajem (no sentido lisérgico mesmo da palavra) de 51 segundo que lembra bem o Nine Inch Nails. "Sweet" deixa mais evidente a influência das bandas de Seattle, mas ainda soa melhor do que a maioria do grunge.

"Muppet" confirma a inspiração de Nine Inch Nails com um clima um tanto sombrio. "Kamikaze Love" explora um lado bem técnico da banda e demonstra quão preciso eles são. "Distance" é outra balada, sendo que esta é lindíssima com violões acústicos, percussão e vocal calmo. Boa pedida para um acampamento ou para uma cama de casal. "Analgesic" é uma curtinha que fecha o disco com mais pitadas do projeto de Trent Reznor com direito a piano e efeito no vocal.

Um álbum como Beyond The Scenes é um bom cartão de apresentação da nata rockeira de Manaus e merece estar na prateleira de qualquer pessoa que escuta música de qualidade. O segundo disco da Several "Carma" lançado no ano de 2010, chega a superar este debut na parte técnica da produção, e o que é melhor, vem cantado em português. Mas isso ficará pra uma próxima resenha.




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Sobre Mário Orestes Silva

Deuses voavam pela Terra numa nave. Tiveram a idéia de aproveitar um coito humano e gerar uma vida experimental. Enquanto olhavam, invisíveis ao coito, divagavam: - Vamos dar-lhe senso crítico apurado pra detratar toda sua espécie. Também daremos dons artísticos. Terá sex appeal e humor sarcástico. Ficará interessante. Não pode ser perfeito. O último assim, tivemos de levar à inquisição. Será maníaco depressivo e solitário. Daremos alguns vícios que perderá com a idade pra não ter de morrer por eles. Perderá seu tempo com trabalho voluntário e consumindo arte. Voltaremos numas décadas pra ver como estará. Assim foi gerado Mário Orestes. Décadas depois, olharam como estava aquela espécie experimental: - O que há de errado? Porque ele ficou assim? Criamos um monstro! É anti social. Acumula material obsoleto que chamam de música analógica. Renega o título de artista pelo egocentrismo em seus semelhantes. Matamos? - Não. Ele já tentou isso sem sucesso. O Deixaremos assim mesmo. Na loucura que criamos pra vermos no que dará, se não matarem ele. Já tentaram isso, também sem sucesso. Então ficará nesse carma mesmo. Em algumas décadas, voltaremos a olhar o resultado. Que se dane.

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