Manic Street Preachers: Uma eterna ode à mutação musical
Resenha - Futurology - Manic Street Preachers
Por Fábio Cavalcanti
Postado em 03 de setembro de 2014
Nota: 8 ![]()
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Os galeses do Manic Street Preachers sempre estiveram às margens do sucesso no cenário do rock britânico dos anos 90 e 2000's, sempre lançando álbuns diferenciados entre si, mas nunca atingindo algo mais do que um status 'cult' - o que ocorreu após o lançamento do exemplar de pós-punk "The Holy Bible" (1994) e da pérola de britpop "Everything Must Go" (1996). De forma incansável, a banda ousa mais uma vez, tanto em termos de som quanto em termos de letras, em "Futurology" (2014), seu novo álbum.
Funcionando como uma pseudo-continuação do mediano "Rewind the Film" (2013), o qual chocou o mundo com uma sonoridade semi-acústica que causou uma reação emocional indiferente às suas músicas, temos aqui um trabalho mais emaranhado, elétrico - e por vezes eletrônico -, com algumas das melhores canções compostas por James Dean Bradfield (voz e guitarra), Nicky Wire (baixo e extravagâncias visuais) e Sean Moore (bateria).
Faixas como o singelo rock "Futurology" e o ecoante e bem sacado single "Walk Me to the Bridge" indicam um caminho que remete ao dream pop dos anos 90, com guitarras sutis, melodias harmoniosas e bateria "dançante" na medida certa. E baladas como a etérea "Divine Youth" e as eletro-indies "Black Square" e "Between the Clock and the Bed" funcionam como bons momentos de descanso em um álbum que, felizmente, é dominado por faixas mais dinâmicas e/ou agitadas.
E os pontos altos do álbum ficam por conta da sensacional "The Next Jet to Leave Moscow", um rock ao mesmo tempo energético e comovente, e dos divertidos rocks eletrônicos "Europa Geht Durch Mich" e "Sex, Power, Love and Money", além de duas surpresas instrumentais inspiradas: "Dreaming a City (Hughesovka)" e "Mayakovsky". Já os pontos fracos ficam por conta da repetitiva e forçada "Let's Go to War", e da chata "The View from Stow Hill".
Ok, muito se falou aqui sobre os bons arranjos e a esperta produção do álbum, mas o que podemos dizer sobre as letras, que sempre foram um dos fortes da banda em seus álbuns anteriores? Em suma, suas críticas a questões políticas e sociais diversas continuam firmes e fortes, com uma veia irônica e elegante que a banda nunca deixou de exibir - e esperamos que continuem a exibi-la até o fim de suas atividades. E se este humilde resenhista corre o risco de parecer evasivo em relação às belas letras da banda, pode ter certeza de que o faço para que o leitor venha a conferir cada uma delas por conta própria...
Em sua eterna ode à mutação musical, os "Manics" (como são carinhosamente chamados) também nos lembram de sentimentos e "pendências" críticas que não devem passar em branco, ainda mais nessa era de artistas superficiais ou pretensiosos. Sem o perdão do trocadilho, o fato é que "Futurology" representa mais um passo do trio rumo a um bom futuro, tanto para eles mesmos quanto para os poucos ouvintes que ainda prestam atenção à sua música.
Músicas:
1. Futurology
2. Walk Me to the Bridge
3. Let's Go to War
4. The Next Jet to Leave Moscow
5. Europa Geht Durch Mich
6. Divine Youth
7. Sex, Power, Love and Money
8. Dreaming a City (Hughesovka)
9. Black Square
10. Between the Clock and the Bed
11. Misguided Missile
12. The View from Stow Hill
13. Mayakovsky
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