Overkill: 34 anos de carreira e muita lenha para queimar
Resenha - White Devil Armory - Overkill
Por David Torres
Postado em 23 de julho de 2014
O Thrash Metal é um dos estilos mais marcantes e adorados do Metal. Surgido nos anos 80, teve o seu ápice e o seu crescimento nessa década sempre amada e idolatrada por todos os headbangers de plantão, teve uma queda na década de 90, com o surgimento de movimentos como o Grunge o Nu Metal e finalmente teve um retorno devastador em meados dos anos 2000. Ainda que tenha passado por altos e baixos, existem bandas desse gênero que nunca sofreram prejuízos ou decepcionaram os seus fãs a cada novo lançamento. Bandas como Exodus, Slayer e Overkill, dentre as mais conhecidas, certamente lançaram discos e trabalhos realmente bons mesmo nos momentos mais conturbados para o Thrash. Das bandas mencionadas acima, vamos falar agora sobre os thrashers nova-iorquinos do Overkill. Possuindo invejosos 34 anos de carreira, a banda retorna mais uma vez com um voraz apetite de devastação sonora com o seu décimo sétimo álbum de estúdio, "White Devil Armory", lançado no dia 18 desse mês, através do selo da Nuclear Blast. Mantendo a mesma pegada e sonoridade dos extraordinários "Immortalis", de 2007, "Ironbound", de 2010 e "The Electric Age", de 2012, a banda volta com tudo e não desaponta em momento algum!
O disco se inicia com a curta "XDᵐ", que nada mais é do que uma breve introdução de apenas cinquenta segundos que rapidamente abre caminho para "Armorist", a primeira música do álbum e uma das primeiras faixas liberadas pela banda antes do lançamento oficial do álbum acontecer. Uma sucessão de riffs afiados invade os nossos ouvidos, acompanhados pelos maravilhosamente inconfundíveis vocais de Bobby "Blitz" Ellsworth. Aqui nós temos riffs e mais riffs de primeiríssima um após o outro, grandes vocais, linhas esmagadoras e pulsantes de baixo e um grandioso trabalho de bateria, demonstrando que a banda não está nem um pouco a fim de encerrar as suas atividades. Palhetadas pausadas e uma marcação fenomenal de baixo marcam o início de "Down to the Bone", uma faixa mais cadenciada, porém que mantém o mesmo clima energético e empolgante que é uma das características principais da sonoridade praticada pela banda.
Uma torrente de riffs vertiginosos convidam o ouvinte a "banguear" logo nos primeiros acordes de "Pig", a quarta faixa do trabalho e um dos pontos altos do disco. Novamente trazendo um competente e selvagem trabalho de guitarras, desempenho exemplar de "cozinha" de baixo e bateria e grandes vocais de Bobby "Blitz", que desfila o seu estilo vocal de maneira sempre irrepreensível e altamente impressionante, indo de momentos mais rasgados para versos cantados de forma com a voz aguda, novamente o que se ouve é um excepcional trabalho de uma banda que demonstra que está mais viva do que nunca e que tem lenha de sobra para queimar! Mais cadenciada, porém com bastante peso nas seis cordas, "Bitter Pill" é outra grande faixa e temos novamente em mãos um grande som que representa exatamente o que a banda é, apresentando mudanças de andamento brilhantemente empolgantes e bem construídas, riffs implacáveis, um esplêndido trabalho de baixo e bateria e vocais extraordinários do início ao fim. Outro grande destaque do disco! "Where There’s Smoke" vem logo após e é a típica faixa de Speed/Thrash à lá Overkill, com riffs e solos absurdamente explosivos, "cozinha" incrivelmente veloz e matadora, acompanhados por um trabalho vocal realmente monumental. Uma das melhores e mais empolgantes faixas do álbum, com certeza!
O baixo de D.D. Verni ecoa pelos autofalantes e logo dá espaço também para as guitarras de Dave Linsk e Derek "The Skull" Tailer, marcando assim o início da sétima faixa do álbum, "Freedom Rings", que tem um início lento e progressivo e logo brinda os ouvintes com mais uma aula do mais genuíno Thrash Metal nova-iorquino. "Another Day to Die" é a música que dá continuidade ao disco e mais uma vez temos um som com um ritmo mais contido e pausado, porém jamais menos empolgante ou interessante por isso. Temos aqui mais uma boa dose de grandes riffs e solos, baixo e bateria muito bem encaixados e trabalhados e vocais potentes. A grandiosa "King of the Rat Bastards" vem em seguida e outro ponto realmente grande do álbum, entregando arranjos e alternâncias rítmicas geniais, um vistoso e sublime trabalho de guitarras, uma "cozinha" de baixo e bateria sempre vistosa e grandes e jamais maçantes vocais de Bobby "Blitz", que surpreende o ouvinte a cada verso cantado. Simplesmente animal!
Riffs portentosos abrem a cadenciada "It’s All Yours", a penúltima faixa do álbum. Marcação fantástica e pulsante de baixo, bons riffs, levadas bem construídas de bateria e mais um grande desempenho vocal é o que se ouve nessa faixa. O "grand finale" fica reservado para "In the Name", que pessoalmente considero a melhor faixa do álbum. Aqui nós nos deparamos com o grande destaque do disco, uma típica composição com arranjos épicos e grudentos, contando com uma fantástica marcação de baixo (destaco as linhas de baixo no fim da música, influência total de Iron Maiden!), riffs truculentos e pegajosos, bateria muito bem conduzida e um refrão poderosíssimo e duro como uma rocha. Uma tremenda forma de encerrar mais um grande trabalho de estúdio dessa banda que jamais decepciona e apenas enche cada vez mais os seus fãs de orgulho. Vale comentar que a versão limitada do álbum inclui também um cover do Nazareth, "Miss Misery, onde o vocalista Bobby "Blitz" Ellsworth divide os vocais com o também excepcional Mike Tornillo, do Accept. Sucintamente, o Overkill acertou em cheio mais uma vez e o que temos em mãos é simplesmente um dos grandes lançamentos de Metal desse ano!
Faixas:
01. XDᵐ
02. Armorist
03. Down to the Bone
04. Pig
05. Bitter Pill
06. Where There's Smoke...
07. Freedom Rings
08. Another Day to Die
09. King of the Rat Bastards
10. It's All Yours
11. In the Name
Formação:
Bobby "Blitz" Ellsworth (Vocal)
D.D. Verni (Baixo/"Backing Vocals")
Dave Linsk (Guitarra/"Backing Vocals")
Derek "The Skull" Tailer (Guitarra/"Backing Vocals")
Ron Lipnicki (Bateria)
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