Epica: "The Quantum Enigma", modernizando o erudito
Resenha - Quantum Enigma - Epica
Por Lucas Rodrigues
Postado em 21 de maio de 2014
No início de maio, a banda holandesa EPICA lançou seu 7º álbum de inéditas, intitulado The Quantum Enigma, sucessor do ótimo Requiem For The Indifferent, de 2012.
Com 12 anos de existência e nome mais do que consolidado no estilo que se propõe a fazer – o Gothic Symphonic Metal - a banda está longe de sentir aquela pressão de ter que fazer um álbum sempre melhor do que o anterior para garantir um lugar na "fila do pão" da cena metálica.
No entanto, este álbum é a prova de que Simone Simons(vocal), Mark Jansen (guitarra e vocal gutural), Rob Van der Loo (baixo), Coen Janssen (teclado e piano), Isaac Delahaye (guitarra) e Ariën van Weesenbeek (bateria) abrem mão do "status" que possuem e procuram sempre inovar em cada novo trabalho, sem deixar de lado a essência musical do conjunto.
"The Quantum Enigma" é um dos álbuns mais pesados e densos do Epica (e um dos melhores, na minha opinião).
A capa do álbum faz alusão a aquilo que está abaixo da superfície e que influencia no resultado do que está acima, já revelando de antemão um pouco da temática que irá permear as músicas: reflexão sobre a vida, as coisas, o ser humano, quem somos.
O disco já cativa na primeira audição, mas na medida em que o ouvinte volta a escutá-lo percebe o quanto o Epica está apostando em tornar as canções mais encorpadas e vigorosas, com ares mais modernos, principalmente no que tange à sonoridade das guitarras.
Após a abertura clássica, entra "The Second Stone". A faixa já evidencia o trabalho de destaque do baterista Arien Weesenbeek, que impõe ritmo, pegada e toca ensandecido como se não houvesse amanhã. O refrão é poderoso, com um coro dizendo "Me dê alívio, deixe-me acreditar entre a ficção e a realidade".
Primeiro single do álbum, "The Essence Of Silence" já tem tudo para ser um novo clássico do Epica. Que porrada!! Na letra, Simone Simons nos convida a limparmos nossos pensamentos para sentir o silêncio, pois assim encontraremos nossa essência.
Na sequência vem a rápida e certeira "Victims Of Contingency", que expõe os conflitos internos do ser humano ao culpar os outros pelo fracasso próprio. Os vocais guturais de Mark Jansen soam como uma metáfora para o instinto natural do homem com sede de vingança, lutando contra o coral erudito que alerta para as consequências de tal ato.
A trabalhada "Sense Without Sanity" é daquelas de parar e sentir a voz de Simons em sua interpretação lírica como um canto de sereia que enfeitiça a nossa mente. A abertura é tocante e toda a narrativa passa por transições e momentos instrumentais primorosos, encerrando com o refrão cantado em coro.
"Unchain Utopia" encerra a primeira parte do disco e abre alas para "The Fifth Guardian Interlude", mais um belíssima canção instrumental. A sonoridade triste recheada de influências da cultura celta parece ter vindo diretamente da trilha sonora do seriado "Xena, a Princesa Guerreira". O interlúdio vai crescendo e agregando instrumentos aos poucos, para anunciar algo que está por vir e que abrirá o novo ciclo.
E é aí que entra a pesada, soturna e misteriosa "Chemical Insomnia", onde Simone Simons acerta ao cantar o refrão como mezzo-soprano e emitir frases de comando que grudam na cabeça.
"Reverence Living In The Heart" segue a mesma linha filosófica de procura pelo autoconhecimento e alerta que muitas vezes devemos ignorar nossa mente para nos encontrarmos de novo
Apesar de bem produzida e com um ar mais leve, "Omen – The Gloulish Malady" não se destaca em comparação com as anteriores e é a mais fraca do disco. Já a balada "Canvas Of Life" possui uma belíssima melodia e caiu como uma luva na voz de Simone que, aliás, está dando um banho de técnica no disco e superando a si própria em termos vocais.
"Natural Corruption" nos remete aos trabalhos mais antigos da banda, com o instrumental cru e orquestrações mais simplistas e diretas. E, por mais que o nome da faixa possa passar essa impressão, Natural Corruption não é uma música sobre o Brasil.
Como ocorre em todos os álbuns, não poderia ficar de fora a música longa e épica, representada aqui por "The Quantum Enigma – Kingdom Of Heaven Part II". Após um minuto e meio de introdução, é desencadeada uma poderosa harmonia que lembra o conjunto Vangelis, só que com uma base musical bem mais pesada.
Em seus quase 12 minutos, temos na canção uma infinidade de coros épicos, passagens orquestradas, frases de ordem em latim, vocais guturais e virtuosismos de todos os integrantes na narrativa que busca desvendar o enigma quântico.
"In All Conscience" e sua melodia pegajosa (no bom sentido) fecha o disco. A impressão geral que fica é que o Epica reuniu todos os recursos musicais utilizados na carreira e potencializou o melhor deles neste álbum, no intuito de tornar cada canção original.
Apesar das melodias estarem mais complexas em alguns momentos, nenhuma das canções soa chata, virtuosa ao extremo ou clichê, pelo contrário, a maioria já é absorvida e transmite empatia na primeira audição, sem ter que "forçar a barra" para gostar.
Há destaques, como "The Essence Of Silence" e "Chemical Insomnia", mas por questões de gosto pessoal, não porque as demais músicas possuam qualidade inferior.
Outras resenhas de Quantum Enigma - Epica
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