Epica: "The Quantum Enigma", modernizando o erudito

Resenha - Quantum Enigma - Epica

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+Compartilhar no WhatsApp

Por Lucas Rodrigues
Enviar correções  |  Comentários  | 

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


No início de maio, a banda holandesa EPICA lançou seu 7º álbum de inéditas, intitulado The Quantum Enigma, sucessor do ótimo Requiem For The Indifferent, de 2012.
605 acessosEpica: banda anuncia "The Ultimate Principle Tour"5000 acessosMotörhead: Amy Lee no colo de Lemmy Kilmister

Com 12 anos de existência e nome mais do que consolidado no estilo que se propõe a fazer – o Gothic Symphonic Metal - a banda está longe de sentir aquela pressão de ter que fazer um álbum sempre melhor do que o anterior para garantir um lugar na “fila do pão” da cena metálica.
No entanto, este álbum é a prova de que Simone Simons(vocal), Mark Jansen (guitarra e vocal gutural), Rob Van der Loo (baixo), Coen Janssen (teclado e piano), Isaac Delahaye (guitarra) e Ariën van Weesenbeek (bateria) abrem mão do “status” que possuem e procuram sempre inovar em cada novo trabalho, sem deixar de lado a essência musical do conjunto.

"The Quantum Enigma" é um dos álbuns mais pesados e densos do Epica (e um dos melhores, na minha opinião).

A capa do álbum faz alusão a aquilo que está abaixo da superfície e que influencia no resultado do que está acima, já revelando de antemão um pouco da temática que irá permear as músicas: reflexão sobre a vida, as coisas, o ser humano, quem somos.

O disco já cativa na primeira audição, mas na medida em que o ouvinte volta a escutá-lo percebe o quanto o Epica está apostando em tornar as canções mais encorpadas e vigorosas, com ares mais modernos, principalmente no que tange à sonoridade das guitarras.

Após a abertura clássica, entra “The Second Stone”. A faixa já evidencia o trabalho de destaque do baterista Arien Weesenbeek, que impõe ritmo, pegada e toca ensandecido como se não houvesse amanhã. O refrão é poderoso, com um coro dizendo “Me dê alívio, deixe-me acreditar entre a ficção e a realidade”.

Primeiro single do álbum, “The Essence Of Silence” já tem tudo para ser um novo clássico do Epica. Que porrada!! Na letra, Simone Simons nos convida a limparmos nossos pensamentos para sentir o silêncio, pois assim encontraremos nossa essência.

Na sequência vem a rápida e certeira “Victims Of Contingency”, que expõe os conflitos internos do ser humano ao culpar os outros pelo fracasso próprio. Os vocais guturais de Mark Jansen soam como uma metáfora para o instinto natural do homem com sede de vingança, lutando contra o coral erudito que alerta para as consequências de tal ato.

A trabalhada “Sense Without Sanity” é daquelas de parar e sentir a voz de Simons em sua interpretação lírica como um canto de sereia que enfeitiça a nossa mente. A abertura é tocante e toda a narrativa passa por transições e momentos instrumentais primorosos, encerrando com o refrão cantado em coro.

“Unchain Utopia” encerra a primeira parte do disco e abre alas para “The Fifth Guardian Interlude”, mais um belíssima canção instrumental. A sonoridade triste recheada de influências da cultura celta parece ter vindo diretamente da trilha sonora do seriado “Xena, a Princesa Guerreira”. O interlúdio vai crescendo e agregando instrumentos aos poucos, para anunciar algo que está por vir e que abrirá o novo ciclo.

E é aí que entra a pesada, soturna e misteriosa “Chemical Insomnia”, onde Simone Simons acerta ao cantar o refrão como mezzo-soprano e emitir frases de comando que grudam na cabeça.

“Reverence Living In The Heart” segue a mesma linha filosófica de procura pelo autoconhecimento e alerta que muitas vezes devemos ignorar nossa mente para nos encontrarmos de novo

Apesar de bem produzida e com um ar mais leve, “Omen – The Gloulish Malady” não se destaca em comparação com as anteriores e é a mais fraca do disco. Já a balada “Canvas Of Life” possui uma belíssima melodia e caiu como uma luva na voz de Simone que, aliás, está dando um banho de técnica no disco e superando a si própria em termos vocais.

“Natural Corruption” nos remete aos trabalhos mais antigos da banda, com o instrumental cru e orquestrações mais simplistas e diretas. E, por mais que o nome da faixa possa passar essa impressão, Natural Corruption não é uma música sobre o Brasil.

Como ocorre em todos os álbuns, não poderia ficar de fora a música longa e épica, representada aqui por “The Quantum Enigma – Kingdom Of Heaven Part II”. Após um minuto e meio de introdução, é desencadeada uma poderosa harmonia que lembra o conjunto Vangelis, só que com uma base musical bem mais pesada.

Em seus quase 12 minutos, temos na canção uma infinidade de coros épicos, passagens orquestradas, frases de ordem em latim, vocais guturais e virtuosismos de todos os integrantes na narrativa que busca desvendar o enigma quântico.

“In All Conscience” e sua melodia pegajosa (no bom sentido) fecha o disco. A impressão geral que fica é que o Epica reuniu todos os recursos musicais utilizados na carreira e potencializou o melhor deles neste álbum, no intuito de tornar cada canção original.

Apesar das melodias estarem mais complexas em alguns momentos, nenhuma das canções soa chata, virtuosa ao extremo ou clichê, pelo contrário, a maioria já é absorvida e transmite empatia na primeira audição, sem ter que "forçar a barra" para gostar.

Há destaques, como “The Essence Of Silence” e “Chemical Insomnia”, mas por questões de gosto pessoal, não porque as demais músicas possuam qualidade inferior.

5000 acessosQuer ficar atualizado? Siga no Facebook, Twitter, G+, Newsletter, etc

GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+Compartilhar no WhatsApp

Outras resenhas de Quantum Enigma - Epica

2106 acessosEpica: Chegando ao ápice da carreira com novo álbum1559 acessosEpica: Uma linhagem de forte orquestra e heavy metal1401 acessosEpica: Uma banda energética e em boa fase5000 acessosEpica: The Quantum Enigma surpreende com peso e modernidade

605 acessosEpica: banda anuncia "The Ultimate Principle Tour"0 acessosTodas as matérias e notícias sobre "Epica"

Colírio pros headbangersColírio pros headbangers
Uma galeria de fotos de Simone Simmons

Simone SimonsSimone Simons
"Rammstein me faz querer mexer a bunda"

Rock e MetalRock e Metal
Quais são os vocalistas da nova geração?

Os comentários são postados usando scripts e logins do FACEBOOK, não estão hospedados no Whiplash.Net, não refletem a opinião dos editores do site, não são previamente moderados, e são de autoria e responsabilidade dos usuários que os assinam. Caso considere justo que qualquer comentário seja apagado, entre em contato.

Respeite usuários e colaboradores, não seja chato, não seja agressivo, não provoque e não responda provocações; Prefira enviar correções pelo link de envio de correções. Trolls e chatos que quebram estas regras podem ser banidos. Denuncie e ajude a manter este espaço limpo.

0 acessosTodas as matérias da seção Resenhas de CDs e DVDs0 acessosTodas as matérias sobre "Epica"

MotörheadMotörhead
Foto de Amy Lee no colo de Lemmy Kilmister

Marilyn MansonMarilyn Manson
Isso é o que acontecia na tour de 1996

AC/DCAC/DC
Membros agradecem a Steven Tyler, mas ele não lembra

5000 acessosChinese Democracy: Talaricagem, galinheiros e megalomania5000 acessosBlack Sabbath: Tony Iommi conta como quase matou Bill Ward5000 acessosMetallica: as 10 melhores músicas segundo a Loudwire2345 acessosJudas Priest: fatos sobre "Unleashed In The East" após 33 anos3597 acessosBruce Dickinson: uma otimista homenagem do animador Val Andrade5000 acessosVitor Rodrigues: "Walk on home, Phil!"

Sobre Lucas Rodrigues

Lucas Rodrigues mora em Cuiabá, estuda Jornalismo na Universidade Federal de Mato Grosso, trabalha no site MidiaJur, produz curta-metragens, atua e tenta cantar. Curte do Hard Rock ao Black Metal e acompanha o trabalho de bandas como Guns N' Roses, Andre Matos, Avantasia, Metallica, Angra, Shaman, Epica, Scorpions, Black Label Society e Ozzy Osbourne.

Mais matérias de Lucas Rodrigues no Whiplash.Net.

Whiplash.Net é um site colaborativo. Todo o conteúdo é de responsabilidade de colaboradores voluntários citados em cada matéria, e não representam a opinião dos editores ou responsáveis pela manutenção do site, mas apenas dos autores e colaboradores citados. Em caso de quebra de copyright ou por qualquer motivo que julgue conveniente denuncie material impróprio e este será removido. Conheça a nossa Política de Privacidade.

Em fevereiro: 1.218.643 visitantes, 2.740.135 visitas, 6.216.850 pageviews.

Usuários online