Epica: The Quantum Enigma surpreende com peso e modernidade
Resenha - Quantum Enigma - Epica
Por Gustavo Dezan
Postado em 06 de maio de 2014
Nota: 10 ![]()
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O EPICA tem passado por constantes trocas de integrantes, o último a pular do barco foi o baixista Yves Huts, após o lançamento do álbum anterior, o ótimo "Requiem for the Indifferent", de 2012, dando lugar a Rob van der Loo. Aquele disco surpreendeu por mostrar uma banda que procurava sair da mesmice, se reciclando sonora e criativamente, em especial nos trabalhos de guitarras, influenciados pela maior contribuição de Isaac Delahaye. As seis cordas (ou sete) ganharam mais importância, com riffs mais ousados e vários solos, até então quase inexistentes. No dia 2 de maio de 2014, a banda lança o passo seguinte natural, "The Quantum Enigma".
"The Second Stone" começa com um riff rápido de guitarra e a bateria de Arien Van Weesenbeek entra superveloz, lembrando uma banda de power metal finlandesa ou italiana. Depois, alterna com riffs mais cadenciados e modernos, com um belo solo. Os coros clássicos, que retornam de forma marcante em todas as músicas, soam como no debut "The Phantom Agony".
A já conhecida "The Essence of Silence", que foi divulgada anteriormente, é tão boa, que não é só a melhor do disco, mas a melhor música da banda. Tem todos os elementos clássicos do EPICA. É pesada, com um ótimo dueto entre o guitarrista e líder Mark Jansen e a bela ruiva (e agora mãe) Simone Simons, que canta versos líricos bem altos e uma ponte com pegada pop, desta vez com a vocalista trocando versos com o coral, O refrão grandioso é a cereja do bolo nessa música perfeita, um nível acima de tudo o que a banda já fez.
Pesadíssima "Victims of Contingency" tem bumbos duplos extremamente velozes e a agressividade das guitarras e vocais de Jansen completados novamente pelo coro bastante marcante. Mais um ótimo refrão, que dessa vez contrasta a voz suave da Simone com a bateria violentíssima de Arien Van Weesenbeek. Todas as músicas tem passagens diferenciadas no meio, dando um toque progressivo.
"Sense Without Sanity" é a segunda maior música do disco, com quase oito minutos. Começa com coro, que parece um breve interlúdio, mas que não demora para dar lugar a mais uma paulada. Difícil não balançar cabeça! Essa é uma das poucas músicas que não têm refrão contagiante, mas que compensa com criatividade nas passagens, mas mudanças de tempo e nas linhas de guitarras. "Unchained Utopia" define bem a cara do disco. Mescla de forma genial o peso com uma pegada mais pop, mas nada comercial, mostrando um EPICA com uma sonoridade moderna, sem deixar de lado qualquer uma de suas características.
Desta vez temos um interlúdio de verdade com "The Fifth Guardian", faixa de trilha sonora com instrumentos celtas. Fim de intervalo, voltamos ao barulho com "Chemical Insomnia", que também tem uma melodia marcante e nuances criativas, como Simone sussurrando em nossos ouvidos. O maior destaque é o surpreendente agudo da soprano em seu final.
"Reverence (Living In the Heart)" tem como chamariz as guitarras pesadas e modernas e um baixo marcante, rapidamente guiados por um Van Weesenbeek endiabrado. Tem solos de guitarra e teclado de Coen Jansen (um dos poucos membros originais), e um refrão que caberia perfeitamente em "The Phantom Agony". "Omen ( Ghoulish Malady)" é outra obra prima do disco, que lembra o EPICA "Consign to Oblivion" com uma pitada mais contemporânea. Contra com mais uma melodia sensacional e perfeita interpretação da talentosa ruiva. Agora mais madura, Simone se vale muito mais do canto popular do que do lírico em todo o álbum, o que, pra mim, é ponto positivo.
Nova pausa para respirar, com a bonita "Canvas of Life", única balada do play. "Natural Corruption" é uma das melhores faixas, com uma pegada mais power metal, que chega a lembrar o NIGHTWISH de "Oceanborn". Mas é só um aperitivo para o clímax. A saideira, como de costume, é a faixa título e música mais longa, dessa vez com quase 12 minutos, a segunda parte de "The Kingdom of Heaven", do álbum "Design Your Universe", só que ainda melhor.
Chega a intrigar o fato do quanto "The Quantum Enigma" consegue trazer a atmosfera dos discos anteriores sem parecer mais do mesmo. Pelo contrário, o EPICA soa uma como uma banda moderna e criativa, que mescla muito bem melodias acessíveis com uma sonoridade ainda mais pesada, nesse que é, definitivamente, seu melhor trabalho.
Tracklist:
01. Originem
02. The Second Stone
03. The Essence of Silence
04. Victims of Contingency
05. Sense Without Sanity - The Impervious Code
06. Unchain Utopia
07. The Fifth Guardian - Interlude
08. Chemical Insomnia
09. Reverence - Living in the Heart
10. Omen - The Ghoulish Malady
11. Canvas of Life
12. Natural Corruption
13. The Quantum Enigma - Kingdom of Heaven Part II
Outras resenhas de Quantum Enigma - Epica
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