Queensryche: Superando o disco gravado por Tate
Resenha - Queensryche - Queensryche
Por Luis Fernando Ribeiro
Postado em 23 de novembro de 2013
Frustrado pela recente audição de "Frequency Unknown", do QUEENSRYCHE liderado por Geoff Tate, ainda consegui iniciar sem nenhuma expectativa a audição do álbum que leva o nome da banda, do lado liderado por Todd La Torre e com outros 3 ex-integrantes da formação original. Desta forma, o que ouvi aqui foi uma grata surpresa, superando sem nenhuma dificuldade a qualidade contestável do disco gravado por Tate.
O grande fato é que nos últimos lançamentos do QUEENSRYCHE, quem dominava a maioria das composições era o vocalista Geoff Tate e os resultados, se não desastrosos, eram ao menos decepcionantes. Sem o vocalista na banda, o que temos aqui é uma banda retornando à sonoridade praticada na década de 80 e início dos anos 90, um Hard Rock flertando com o Progressivo, com passagens intrincadas, solos inspirados e um vocalista que dá conta do que se propõe à fazer, lembrando inclusive o próprio Tate em sua época áurea.
Nem tudo são rosas, é claro, logicamente os caras não estão lançando mais um "Operation Mindcrime", mas o disco convence e dá um novo fôlego à uma banda que já estava bastante desgastada e clamando pelo encerramento de suas atividades.
Também é importante citar que o disco é carregado de uma energia diferente, que pode ser notada através da vibração dos músicos, demonstrando muito feeeling e um ótimo entrosamento.
Após a curta e interessante introdução "X2", somos brindados com o peso de "Where Dreams Go To Die", com uma 'cozinha' extremamente precisa, ótimos riffs e melodias das guitarras e excelentes arranjos que dão um plano de fundo perfeito para a música se desenvolver. A canção oscila entre momentos agressivos e outros mais densos e melancólicos, especialmente na ponte com o refrão. A gravação e o timbre dos instrumentos me lembrou um pouco o DREAM THEATER na época do "Metropolis Pt. 2: Scenes from a Memory".
A sequência é ainda mais densa e pesada com "Spore", flertando mais diretamente com o Prog Metal e com um refrão extremamente marcante, carregado de sentimentos e com uma interpretação matadora de Tood La Torre. Outro grande destaque fica para a pegada e o feeling do baterista Scott Rockenfield, com uma precisão e criatividade absurdos.
À essa altura já estou extremamente empolgado com o disco e ainda assim não vejo seu nível baixar. "In This Light" poderia facilmente estar em "Operation Mindcrime" por sua sonoridade. Trata-se de uma semi-balada com melodias e arranjos de extremo bom gosto e um refrão forte, que de alguma forma me lembrou o SHADOW GALLERY. É impossível não citar a forma como Tood La Torre imprime emoção à música, mostrando-se uma escolha mais que acertada para substituir Geoff Tate, mas os demais músicos também mostram-se incríveis, com ótimas variações e muito entrosamento. As guitarras dobradas se encaixam perfeitamente e o baixo e a bateria formam uma verdadeira parede sonora, sem deixar de estar em evidência.
"Redemption" apesar da boa pegada e ótimo refrão é a primeira que não desperta muito minha atenção devido à inclusão de elementos estranhos em sua sonoridade e ao excesso de notas altas de La Torre, que tornam a audição um pouco cansativa.
"Vindication" é extremamente pesada, com boas dobras de guitarras e uma bateria incrivelmente variada, mas precisa. A partir desta faixa é possível notar que a estrutura dos refrões é bastante semelhante em quase todas as músicas.
Após a macabra introdução "Midnight Lullaby", temos a sombria, bela e arrastada "A World Without", com participação de Pamela Moore, a mesma que interpretou Sister Mary outrora com a banda. A música é bastante reta e varia pouco. No refrão, de alguma forma o vocal de Todd lembra um pouco Matthew Barlow.
"Don't Look Back" também lembra bastante os antigos clássicos da banda, mas com uma pegada mais moderna. A música é conduzida pelos pesadíssimos riffs de Michael Wilton e Parker Lundgren, culminando em um ótimo refrão, com bons agudos de La Torre. "Fall Out" segue a mesma linha pesada, com destaque para o baixo pulsante de Eddie Jackson e as boas melodias e riffs da dupla de guitarristas.
À emocionante "Open Road" é incumbido a tarefa de encerrar o track list original do disco, o que ela faz com maestria. Trata-se de um épico, oscilando entre momentos suaves e outros mais fortes e pesados. A interpretação de Todd La Torre é no mínimo excepcional, mas todos os músicos se destacam individual e coletivamente.
Algumas versões do disco ainda trazem como bônus versões ao vivo para "Queen of the Reich" e "Prophecy" (Do EP "Queensryche" de 1983), além de "En Force" (Do "The Warning").
Não vou ser prepotente a ponto de dizer que a banda não fez nada de relevante desde "Promised Land", mas certamente este novo disco é algo que os fãs esperavam há muito tempo e nos deixa com boas expectativas pelos lançamentos futuros. Quanto ao "Frequency Unknown", nem vale a pena comparar, são duas bandas distintas apesar do nome, então caberá ao fã decidir qual QUEENSRYCHE vale a pena acompanhar.
Track List:
01. X 2
02. Where Dreams Go To Die
03. Spore
04. In This Light
05. Redemption
06. Vindication
07. Midnight Lullaby
08. A World Without
09. Don't Look Back
10. Fallout
11. Open Road
Line-up
Todd La Torre - Voz
Michael Wilton - Guitarra
Parker Lundgren - Guitarra
Eddie Jackson - Baixo
Scott Rockenfield - Bateria
Leia minhas impressões sobre "Frequency Unknown" no link abaixo:
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