Sigh: Experiência musical perturbadora porém fluida
Resenha - Sigh - Scenario IV: Dread Dreams
Por MATHEUS BERNARDES FERREIRA
Postado em 04 de novembro de 2013
Escrever sobre Scenario IV: Dread Dreams é escrever sobre o bizarro. Não é de se surpreender que essa pérola tenha vindo do Japão. Com grande influência da banda Venom, a quem eles até dedicaram um álbum cover, Mirai, Shinichi e Satoshi formaram o Sigh no início da década de 90, tornando-se uma das primeiras bandas de black metal japonesa. Mas em Scenario IV, o quarto trabalho de estúdio da banda, os caras ultrapassam as rígidas barreiras do gênero, extrapolando de forma atroz os limites do inusitado e do concebível.
É notória a coragem da banda em misturar riffs de heavy / thrash metal, horrorosos vocais guturais, coros femininos e masculinos, música clássica, jazz, música havaiana, solos de hard rock, efeitos sintéticos da música eletrônica e a sua inusitada marca registrada: palmas! Mais notório ainda é eles terem conseguido fazer isso sem que o resultado soasse todo desconexo. Por mais que a maioria das músicas apresente passagens com efeitos pra lá de exóticos, elas nunca soam irrelevantes ou sem sentido. A experiência musical é sim perturbadora, mas, sobretudo fluida.
O contestável vocal de Mirai soa demasiado ríspido e bestial, mesmo para os parâmetros do metal extremo. Sua voz é o único elemento comum em todas as faixas do álbum, funcionando como um catalisador e elemento para contrapor às esquisitices sonoras presentes em todas as músicas. O bizarro desmistifica a morbidez bestial, varre a sua seriedade e dá à experiência musical um caráter divertido e cômico.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel |
A sensação de que não estamos ouvindo algo sério é uma constante durante o álbum todo. Parece que os ótimos riffs de guitarra e eficientes efeitos de ambientação sombria só estão lá para serem completamente aniquilados por passagens bizarras e canhestros efeitos de teclado. A faixa Black Curse é o melhor exemplo disso, abrindo com sinistras guitarras distorcidas à la Black Sabbath, vividamente interpretada ou invocada pela arrepiante voz de Mirai, com direito a maldições cantadas em japonês, para então, subitamente, surgir um virtuoso solo havaiano de guitarra acústica, então tornar-se jazz contemporâneo dos tipo tocado em churrascaria chique, e, por fim, voltar a ser o Sabbath de antes. E ainda não passamos do primeiro terço da música.
Músicas como Diabolical Suicide, Iconoclasm in the 4th Desert e Divine Graveyard seguem a mesma tendência exótica de Black Curse. Já as outras músicas são mais diretas e possuem menos firulas, o que incrivelmente faz delas menos atraentes. O melhor exemplo disso é Severed Ways, que possui um pesado clima sombrio e melancólico que soa de um dramatismo que chega a ser comovente, mas um tanto entediante. Infernal Cries e Imprisioned são black metal mais diretos e remetem aos trabalhos mais antigos da banda. Um dos melhores riff é da In the Mind of a Lunatic que deve agradar principalmente aos fãs de Maiden, isso se eles não se importarem com solos van-halistas surgindo nos momentos mais inesperados, refrões absolutamente lunáticos e um riff final praticamente clonado de 22 Acacia Avenue.
Em suma, Scenario IV: Dread Dreams é um álbum de prog metal ultra experimental travestido de black metal, um marco divisor de águas para o Sigh. Ninguém que compõe tamanha aberração metálica pode se isentar de críticas furiosas dos fãs mais tradicionalistas do heavy metal. Portanto, advirto que levar esse álbum a sério não é em absoluto o caminho mais indicado. Certamente os metaleiros de mente aberta terão vasto material criativo e audacioso para apreciar e, sobretudo, se divertir.
Sigh
Scenario IV: Dread Dreams, 1999
Black Prog Metal (Japão)
Lista de músicas:
Diabolic Suicide (07:31)
Infernal Cries (04:35)
Black Curse (08:22)
Iconoclasm in the 4th Desert (07:30)
In the Mind of a Lunatic (04:34)
Severed Ways (08:05)
Imprisoned (05:17)
Waltz: Dread Dreams (01:22)
Divine Graveyard (05:47)
Tempo total: 53:03
Músicos:
Mirai Kawashima - Contrabaixo, vocal, sintetizador, sampler, vocoder
Shinichi Ishikawa - Guitarra
Satoshi Fujinami - Bateria, percussão
Músicos adicionais:
Chie Kouno: vocal feminido nas faixas 1, 2, 5
Damian: coro nas faixas 4, 7, 8
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