Queens of the Stone Age: Um trabalho conciso e maduro
Resenha - ... Like Clockwork - Queens of the Stone Age
Por David Oaski
Fonte: Rock Ideologia
Postado em 07 de julho de 2013
Nota: 8 ![]()
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O ano de 2013 segue sendo como um dos mais frutíferos na música nos últimos anos, com lançamentos de gente do naipe de David Bowie, Eric Clapton, Depeche Mode, Alice In Chains, Daft Punk e o excelente Queens Of The Stone Age, que recém lançou seu sexto álbum, intitulado "...Like Clockwork" e tem dividido opiniões da crítica, porém o público da banda já o considera um de seus melhores lançamentos, o que não é pouca coisa, diante do padrão de excelência obtido pela turma de Josh Homme que não tem um lançamento sequer razoável no decorrer da carreira.
Desde 2007 sem lançar um álbum de inéditas, o Queens anunciou meados do ano passado que estava iniciando o processo de gravação de um novo disco. No decorrer dos meses seguintes foram inúmeros teasers de gravações e anúncios de participações especiais, característica comum da banda, que desde o início possui uma formação flutuante em torno do front man e mente criativa da banda, o talentoso Josh Homme.
Lançado em Junho deste ano, "...Like Clockwork" conta com participações especiais de parceiros comuns de Homme, como Dave Grohl (Foo Fighters), Trent Reznor (Nine Inch Nails), Mark Lanegan (ex Screaming Trees) e Nick Oliveri (ex baixista do próprio Queens e do Kyuss, ambos com Homme). Além desses que já contribuem continuamente com os álbuns da banda, somaram-se ao time Alex Turner (Arctic Monkeys), Jake Shears (Scissor Sisters) e o mito pop Elton John, que se autoconvidou a fazer parte do projeto, dizendo ser uma legítima rainha (tá com pouca moral o Josh?!).
O line up principal da banda para o álbum foi composto por Josh Homme (guitarras, vocais); Troy Van Leuwen (guitarra); Dean Fertita (teclados); e Michael Shuman (baixo). O cargo de batera foi revezado entre três feras: Dave Grohl, Joey Castillo e Jon Theodore.
Durante o processo de composição do disco, Josh foi muito influenciado por uma cirurgia que realizou no joelho em 2011, quando devido à complicações inesperadas na mesa de cirurgia chegou a ‘morrer’ por alguns instantes. A influência do incidente é notável nas letras do álbum, que transpiram melancolia e ressentimentos, rodeando o tema morte em diversos momentos. Nas melodias também se vê maior quantidade de canções cadenciadas, com forte apoio de teclados, adicionando com doçura e suavidade um olhar contemplativo para a vida.
O disco abre com as excelentes "Keep Your Eyes Peeled" e "I Sat By The Ocean", a primeira mantendo a tradicional pegada stoner da banda, com guitarras cortantes, chapada e viajandona, com direito a inesperada e grata participação de Jake Shears, fugindo das características conhecidas de sua banda, o Scissor Sisters. Já a segunda tem uma vibração pop, ensolarada, típica das bandas da Califórnia, porém com as linhas de guitarra de Homme – um dos melhores guitarristas dos últimos tempos - valorizando demais a melodia da canção.
"If I Had A Tail" é uma das melhores músicas gravadas em 2013, com um clima sexy, jocoso e sujo, também característico da banda. É uma das faixas campeãs de participação, com colaboração na letra de Alex Turner, vocais de Mark Lanegan e Nick Oliveri e bateria espancada por Dave Grohl.
A pegada chapada do stoner rock fundado pelo Kyuss nos anos 90 é resgatada e mantida viva no primeiro single "My God Is The Sun"e "Smooth Sailing" que possui um solo foda e foi feita para ouvir na estrada com no mínimo uma lata de cerveja a seu alcance.
A segunda corrente de canções do disco possuem melodias mais densas e melancólicas, porém com beleza ímpar, "The Vampire Of Time And Memory" que inicia com a frase "Eu quero que Deus venha e leve-me pra casa"; "Kalopsia" que possui vocais de Trent Reznor e tem algumas alternâncias no andamento; "I Appear MIssing" e a faixa título "...Like Clockwork" fecham o disco de forma emocionante, a última uma linda balada repleta de belas melodias vocais.
Há também "Fairweather Friends" que fica num meio termo entre as duas correntes, pois não chega a ser pop, apesar do piano e vocais de Elton John, mas também não soa melancólica, apesar da letra ressentida que possui colaboração de Mark Lanegan. O piano de Elton entrelaçado com a guitarra de Homme formam outro dos pontos de destaque do disco.
A volta das rainhas da idade da pedra foi potente, talvez não aquela potência cheia de testosterona dos discos anteriores, mas sim com uma dose de crise da meia idade de Josh Homme, canalizando todos seus demônios através de canções que nos levam para diversos lugares de nós mesmos, característica comum de grandes bandas, como o Queens of the Stone Age, que dessa vez mostram que continuam chapados, mas começam a encarar de frente os dilemas da vida adulta.
Trata-se de um trabalho conciso e maduro de uma banda de estilo único, cujo horizonte criativo parece não possuir limites.
David Oaski
Disponível também em:
http://rockideologia.blogspot.com.br/2013/07/resenha-like-clockwork-queens-of-stone.html
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