A banda onde Dave Grohl foi apenas um CLT e com isto ele recuperou o tesão pela música
Por Bruce William
Postado em 12 de maio de 2026
Dave Grohl já tinha sobrevivido a uma daquelas viradas que poderiam encerrar a vida musical de qualquer pessoa. Depois do fim do Nirvana, ele não apenas voltou a gravar, como transformou o Foo Fighters em uma das bandas de rock mais populares de sua geração. Só que seguir em frente não significa estar sempre no mesmo estado de espírito, e houve um momento em que até ele pareceu perder parte do prazer de fazer música.
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A fase aconteceu durante as sessões de "One by One", quarto álbum do Foo Fighters, lançado em 2002. A banda já tinha passado pelo impacto inicial do primeiro disco, pelo crescimento de "The Colour and the Shape" e pelo clima mais arejado de "There Is Nothing Left to Lose". Mas, quando entrou no estúdio para o trabalho seguinte, o grupo ficou preso em um processo pesado, cheio de tensão interna e pouca empolgação. Conforme descreveu a Louder, para Grohl, aquilo começou a soar menos como uma banda viva e mais como uma obrigação.
Foi nesse período que entrou em cena o Queens of the Stone Age. Grohl já conhecia Josh Homme desde os tempos do Kyuss e era fã daquele tipo de rock mais seco, torto e pesado, que não parecia preocupado em caber em uma fórmula radiofônica. Quando recebeu o convite para tocar bateria em "Songs for the Deaf", ele encontrou exatamente o que estava faltando nas sessões do Foo Fighters: volume, urgência e a sensação física de estar dentro de uma banda funcionando no limite.
A diferença entre os dois ambientes ficou clara em uma fala lembrada pela Far Out. Grohl disse: "O Foo Fighters estava naquela fase da coceira dos sete anos. Estávamos tentando fazer One by One, mas não parecia haver paixão envolvida. Eu ia ensaiar com o Queens e estava na maior banda do mundo. Depois voltava para o nosso estúdio, onde todo mundo estava pedindo sushi e dizendo: 'Tenho uma sessão de acupuntura, então termino a faixa quando voltar'."
A frase tem aquele exagero típico de músico falando no calor da lembrança, mas ajuda a entender o tamanho do impacto. No Queens of the Stone Age, Grohl não precisava ser o líder, o cantor, o cara das entrevistas ou o rosto da banda. Ele podia simplesmente sentar na bateria e tocar. E isso, para alguém que ficou conhecido mundialmente como baterista antes de virar frontman, tinha um peso especial. Em "Songs for the Deaf", sua pegada aparece com uma força absurda, especialmente em faixas como "Song for the Dead" e "No One Knows", onde a bateria não apenas acompanha a música, mas empurra tudo para a frente.
O efeito também respingou no Foo Fighters. A passagem pelo Queens não foi apenas uma escapada de estúdio ou um caso paralelo roqueiro, embora Taylor Hawkins tenha ficado incomodado com a situação na época. Chris Shiflett, guitarrista do Foo Fighters, depois reconheceu que aquela experiência ajudou Grohl a recuperar entusiasmo e motivação, justamente quando a banda parecia travada. A energia que ele encontrou tocando com Josh Homme serviu como uma espécie de lembrete: uma música não precisava nascer de um processo arrastado para funcionar.
"One by One" acabou saindo, mesmo com Grohl tendo opiniões duras sobre o resultado ao longo dos anos. Já "Songs for the Deaf" ficou como um dos discos mais lembrados do Queens of the Stone Age e também como um dos grandes registros de Grohl atrás da bateria depois do Nirvana. Para quem costuma associá-lo apenas ao Foo Fighters, aquele álbum mostra outra faceta: a do músico que, em vez de comandar a sala, entrou em outra banda para reaprender o prazer de fazer barulho.
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