A banda que Slash diz nunca ter feito um álbum ruim; "Todos os discos são ótimos"
Por Bruce William
Postado em 11 de abril de 2026
Slash já elogiou muita gente ao longo da carreira, mas de vez em quando aparece uma fala dele que vai além da cortesia habitual entre músicos. Foi o que aconteceu quando falou do Queens of the Stone Age. Para o guitarrista, trata-se de uma de suas bandas favoritas, daquelas que atravessam a discografia inteira sem grande tropeço. "Todos os discos são ótimos."
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O comentário foi feito pelo guitarrista durante participação no Igor's Rock Universe: "Queens é uma das minhas bandas favoritas de todos os tempos e eu não sei por que eles não são maiores do que são. Eles são fantásticos. Quero dizer, fazem música incrível e são uma banda incrível ao vivo. Todos os discos deles são ótimos, mas é algo muito avant-garde."
A observação é boa porque junta duas coisas ao mesmo tempo: admiração total e uma tentativa de explicar por que o grupo talvez nunca tenha virado um monstro comercial do tamanho que poderia. No caso do Queens, isso faz sentido. A banda de Josh Homme sempre flertou com o acessível sem se acomodar nele. Quando parecia que podia seguir uma rota mais previsível, vinha uma curva estranha, uma escolha torta de produção, um clima menos óbvio ou uma mudança de direção. Para Slash, isso não diminui a força do grupo; pelo contrário. O fato de os discos soarem diferentes entre si ajuda justamente a sustentar a ideia de consistência sem mesmice.
Essa admiração também aparece de forma indireta em outro ponto da trajetória dele: ao escolher Eric Valentine para produzir seu primeiro álbum solo, Slash citou "Songs for the Deaf' como um disco "fantástico" e "ótimo de ouvir", dizendo que aquilo o fez pensar que Valentine era um nome interessante para o projeto. E isto mostra que não foi só um elogio jogado em entrevista, o som do Queens realmente entrou no radar criativo dele.
E, ao mesmo tempo, isso é curioso, porque Slash e Josh Homme vêm de escolas bem diferentes. Um carrega a tradição mais direta do hard rock clássico; o outro sempre gostou de contorcer o riff, mexer na temperatura da música e evitar o caminho mais fácil. Ainda assim, há um ponto de encontro evidente entre os dois: o apreço por banda com identidade própria, dessas que você ouve alguns segundos e sabe quem é. Essa ligação ajuda a explicar por que Slash parece tratar o Queens como algo raro no rock das últimas décadas. A consistência, para ele, não está em repetir fórmula, mas em manter personalidade.
Também chama atenção a frase em que ele diz não entender por que o Queens não é maior. A banda, claro, não é pequena: tem catálogo forte, público fiel e um lugar consolidado no rock das últimas décadas. Mas a observação dele aponta para outra coisa. Slash parece olhar para a qualidade do material e pensar que, em lógica puramente musical, eles poderiam ocupar um espaço ainda maior no imaginário popular. Talvez o próprio caráter mais torto e menos domesticado da banda explique isso. O Queens nunca foi exatamente feito para caber sem esforço em qualquer molde. E talvez seja justamente por isso que tanta gente séria goste tanto deles.
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