Oficina G3: ouça sem preconceitos, curta o som...
Resenha - Histórias e Bicicletas - Oficina G3
Por Guilherme Vendramini
Postado em 14 de maio de 2013
Nota: 9 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Rock gospel. Taí uma polêmica da boa. O denominado rock gospel sofre tanto preconceito dentro do próprio cenário do rock' n roll, quanto o black metal é bulinado pelos religiosos. Todo preconceito é burro e muita gente deixa de ouvir música boa por causa do costume de se julgar antes de procurar saber. Hoje em dia, cada vez mais, ter mente aberta é um dom que vem se reservando a poucas pessoas, infelizmente.
Dada a breve introdução, venho falar de uma banda que domina (a um bom tempo) o cenário do rock gospel e até mesmo da música gospel num todo aqui no Brasil. O Oficina G3 tem anos e anos de estrada e de evangelização pelo país afora e também no exterior. Tornou-se uma banda conhecida e admirada tanto entre cristãos, quanto entre "descrentes" e muitos seres que apenas curtem música boa. Quem conhece sabe da competência da banda toda, mas principalmente do seu líder e muito carismático guitarrista Juninho Afram. Juninho é uma unanimidade entre guitarristas de todos os gêneros. Talentosíssimo e com um feeling extraordinário, muitas pessoas são iniciadas no som do Oficina graças ao dono das seis cordas da banda.
O Oficina G3 está em alta. Depois de um período de altos e baixos, a banda voltou a estourar com a chegada de Mauro Henrique nos vocais e com o lançamento do pesadíssimo e técnico DEPOIS DA GUERRA, surpreendendo muita gente e ganhando vários prêmios, inclusive um Grammy latino. Depois disso e de uma extensa turnê, que contou inclusive com a gravação de um DVD, os caras entraram em estúdio novamente para produzirem mais um álbum.
Falando do HISTÓRIAS E BICICLETAS em si, é importante saber do triste fato da morte da esposa do Mauro, que lutou contra um câncer por um tempo. A influência da perda e da esperança é facilmente notada nas letras e na mensagem passada por elas. Eu confesso que, exatamente por isso, eu estava esperando um CD com músicas mais emotivas e intimistas, mas desde o primeiro acorde de DIZ, a primeira música do disco (com um sininho de bicicleta servindo de intro), fica claro que o Oficina G3 ainda quer despejar mais peso nos nossos ouvidos. Sorte a nossa! Depois da guitarra de Juninho soar sozinha no começo, a banda entra inteira pra fazer a base pra que Mauro Henrique solte a voz (e que voz!). A primeira diferença já é sentida logo no começo: Duca Tambasco e seu baixo estão audíveis novamente, já que no disco anterior o peso das guitarras chegou a esconder o baixo em vários momentos. Outra diferença está nas letras. Elas estão muito mais poéticas e indiretas. Eu disse que achava que esse seria um disco de músicas intimistas, e ele realmente é, mas nas letras. Talvez as melhores composições da carreira do grupo. Elas te fazem pensar, refletir. Mérito à banda que assina todas as músicas. DIZ explode num refrão potente, com Mauro esbanjando qualidade vocal. É aquela música perfeita pra se abrir um disco de rock, chega quebrando tudo. Uma característica de todos os CDs do G3. Começa ÁGUA VIVA e percebe-se que o peso será mantido. Essa música traz uma das melhores letras do álbum, um refrão cadenciado, moderno. Jean marca presença nos efeitos eletrônicos sem exageros, tudo nessa banda é na medida certa. Quem acompanha Oficina G3 sabe: esses caras nunca decepcionam. E pra quem sentiu falta de um solo de guitarra na primeira música vai se esbaldar com o belíssimo solo de Juninho. E no fim, uma linda passagem de piano fecha com maestria. Bela música; pesada, sentimental, reflexiva. Mais Oficina G3 impossível.
ENCONTRO, a terceira faixa, começa com uma bateria bem COLDPLAY, entrando um coro de vocal que vai funcionar muito bem ao vivo. É uma música mais cadenciada, melódica; refrão grudento, daqueles que após duas audições você já sai cantando por aí. A letra mais poética do disco, tanto que após um solo de guitarra entra uma bela poesia declamada no meio da música. Faixa quatro é hora da música mais calma. CONFIAR é a melhor "baladinha" do Oficina nos últimos lançamentos. Violão e voz abrem a música, que vai crescendo com Mauro soltando a voz e no fim termina numa pegada mais pesada.
NÃO SER poderia facilmente estar no DEPOIS DA GUERRA. Uma das mais pesadas do disco, e uma das que Mauro mais solta o vozerão. Como esse cara canta, que potência vocal! Fez muito bem pra banda desde que entrou. Mais para o fim da música, quem conhece MASTODON vai se familiarizar, quando entra uma pegada bem pesada, com ritmo quebrado pra que Mauro Henrique finalize a canção com um longo berro. Peso! Em seguida COMPARTILHAR começa mantando o peso, aliado à técnica. Juninho faz, talvez, o melhor solo de guitarra do CD. Poucos guitarristas conseguem, ao mesmo tempo, fritar com feeling. Afram está numa evolução ascendente que parece não ter fim. Começa DESCANSO e talvez essa seja a canção que mais demonstra o sentimento de Mauro após a morte da sua esposa. A letra fala sobre aceitação e superação, passando uma mensagem positiva para momentos difíceis.
AOS PÉS DA CRUZ é uma versão feita pela banda de uma música de Kleber Lucas, consagrado artista gospel. O G3 fez uma releitura inteligente, transformando a música num soft rock interessante de se ouvir, mantendo o ritmo cadenciado junto de DESCANSO.
SOU EU começa na pegada habitual que o Oficina G3 vem fazendo desde ALÉM DO QUE OS OLHOS PODEM VER, um rock moderno, com pitadas de sintetizadores e guitarras pesadas. A décima faixa é LÁGRIMAS, música que mais se aproxima da fase pop da banda, talvez a faixa mais comercial do disco, com uma bela letra, já começa a dar traços finais ao CD, que fecha com a tradicional música cantada em inglês que sempre marca presença nos CDs da banda. SAVE FROM MYSELF não tem a potência e peso de BETTER do D.D.G., mas fecha com chave de ouro e com um clima mais pra cima esse excelente disco. Juninho Afram faz um dos solos mais espetaculares de toda a sua carreira, com influência clássica e, claro, feeling. A música, e consequentemente o CD terminam com Mauro repetindo o refrão "You save me from myself" e ao fundo pode-se ouvir um acordeão, finalizando a obra.
Um grande disco de rock, talvez o melhor lançamento gospel já produzido, sem exageros. Ouça sem preconceitos, curta o som, o trabalho dos caras é incrível e torcer o nariz pra isso apenas pelo fato deles serem cristãos e levarem essa mensagem nas suas músicas chega a ser teimosia infantil. Tenha a cabeça aberta e saiba aproveitar e admirar artistas brasileiros que fazem música boa, pois hoje em dia amigo, isso é coisa rara.
TRACKLIST
OFICINA G3 – HISTÓRIAS E BICICLETAS (2013)
01 – DIZ
02 – ÁGUA VIVA
03 – ENCONTRO
04 – CONFIAR
05 – NÃO SER
06 – COMPARTILHAR
07 – DESCANSO
08 – AOS PÉS DA CRUZ
09 – SOU EU
10 – LÁGRIMAS
11 – SAVE ME FROM MYSELF
Outras resenhas de Histórias e Bicicletas - Oficina G3
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Com 110 atrações já confirmadas, Graspop Metal Meeting atualiza cast para 2027
A música do Guns N' Roses que é híbrido entre Steven Adler e Matt Sorum, segundo Frank Ferrer
Resurrection Fest anuncia primeiras 72 atrações para edição 2027
O único ex-colega do Deep Purple que David Coverdale considera um irmão
De Black Sabbath a Gojira, 10 músicas que começam com riffs de guitarra inesquecíveis
Bono (U2) explica recusa a encontro para conversa com Donald Trump
A música que Anika Nilles gostaria de acrescentar ao setlist dos shows do Rush
A banda que deixou Lars Ulrich no paraíso quando o Metallica abriu seus shows
Joe Satriani não acreditava ser o guitarrista ideal para tributo a Eddie Van Halen
O hábito que custou o lugar de Clive Burr no Iron Maiden, segundo Regis Tadeu
Cinco shows imperdíveis que rolarão no Bangers Open Air 2027, por Mateus Ribeiro
Marty Friedman toca "Scenes" na íntegra e revisita clássicos do Megadeth em show no Manifesto
Sharon Osbourne confirma que Ozzy deixou duas músicas inéditas gravadas
Por que o rock nacional demorou tanto a reconhecer o verdadeiro tamanho de Pitty


Lost Society conclui sua transformação em "Hell Is a State of Mind"
A Riqueza da maturidade - Yes entrega elegância e musicalidade em "Aurora"
Gladenfold aposta no Power Metal em "Soulbound"
Raimundos - há 26 anos, o "MTV Ao Vivo" registrava uma das fases mais intensas da banda
Lorna Shore cria obra que desafia os limites do ouvinte
Wings of Steel novamente acerta com "Winds of Time"
Queens of The Stone Age volta com álbum longe de ser "Perfecth"
Corrosion of Conformity encara perdas e mudanças em "Good God / Baad Man"
O melhor disco lançado em 2026, segundo Mateus Ribeiro
Voivod - Música mutante para um futuro mutante
O disco que "furou a bolha" do heavy metal e vendeu dezenas de milhões de cópias


