Kamelot: fórmula simples e conhecida, mostra habilidade e peso
Resenha - Silverthorn - Kamelot
Por Renan Ambrozzi
Postado em 14 de dezembro de 2012
Nota: 9 ![]()
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Após quase 2 anos de "Poetry For The Poisoned" e da saída da incrível voz de Roy Khan, o KAMELOT finalmente lança seu 10º álbum, "Silverthorn". Álbum este que leva a banda à um novo nível, consolidando cada vez mais sua nova fase sonora. "Silverthorn" é ambientada no século 19 e conta a história de uma menina, Jolee, que foi morta acidentalmente por seus irmãos gêmeos, com isso implodem diversos conflitos familiares, segredos e traições.
Sem mais delongas, "Silverthorn" começa numa introdução típica de KAMELOT, "Manus Dei", trabalhada principalmente com teclado e coral, dando um quê épico num sentimento de revelação e clímax; e com sussurros se dá a ligação para o single "Sacrimony (Angel Of Afterlife)", de fato uma das mais pesadas, com um riff firme, bateria bem rápida e a participação de Alissa White-Gluz com fortes guturais; claro que além de pesada é também melódica, com direito a dueto com a belíssima voz de Elize Ryd, o anjo da pós-vida.
Como primeira música cantada logo se vê a tamanha semelhança do novo vocal com o antigo. Tommy soa como Roy, mas em uma análise mais sutil começa-se a ouvir particularidades que surgem pelo álbum.
Voltando às faixas, o álbum mantém o peso com "Ashes To Ashes" que, com uma fórmula bem simples e conhecida da banda, mostra tremenda habilidade e peso; um solo sensacional, sem deixar de notar os elementos progressivos na música. Seguindo temos "Torn" que, mesmo ainda com bastante peso, muda o foco das canções anteriores, agora com uma melodia mais evidente, um refrão bem marcante e um ambiente de pesar; a voz de Tommy se sobressai mais e, por Zeus, o que é o solo desta música !?
Revirando completamente a progressão do álbum temos "Song For Jolee", uma canção lenta belíssima! Nela o timbre de Tommy se distancia mais do de Khan em suas canções lentas. A voz suave e firme encaixou excelentemente bem, intensificando toda a emoção que a música transmite.
De melódico passamos para uma sequência bem pesada, começando com "Veritas" que mesmo começando suavemente já mostra as caras. Uma música bem consistente, relembra bem os grandes clássicos e mais pesados da banda, tem um solo belíssimo com um tom medieval e ainda conta novamente com Elize Ryd, sem falar numa maior demostração do vocal de Tommy. A próxima da sequência é "My Confession" que já começa num ritmo sensacional e marcante; é uma faixa que puxa bastante o agudo de Karevik e, Odin, o que é o solo? Simplesmente difícil de decidir onde prestar atenção: solo, base, ritmo, todos muito presenciais. Encerrando uma trilogia épica vem a faixa-título or merecimento, "Silverthorn", que tem uma base bem firme, um refrão bem chamativo e ainda arranja espaço para encaixar um belo coro e mais um grande solo
Retomando um pouco mais de melodia e uma aura sombria e triste temos "Falling Like The Fahrenheit", mas mesmo sombria traz uma boa dose de peso e profundidade. Depois temos "Solitaire", que diferente da faixa de mesmo título do álbum "Ghost Opera" é cantada, mostra uma certa contradição do título com o andamento da música que é, de fato, bem rápido.
Então temos "Prodigal Son" a clássica faixa repartida, nela temos "Funerale" primeiro numa esfera bem lírica e sombria terminando no solo de transição para a segunda parte, "Burden Of Shame (The Branding)", ainda cultivando toda uma sensação sombria e dolorosa, sofredora até a última parte, "The Journey", que já traz mais ânimos e vigor. E, terminando o setlist oficial, temos "Continuum" encerrando uma obra-prima com ajuda de um grande instrumental e coro proporcionando uma sensação de ascenção, de que a história ainda não acabou.
Entrando nas faixas bônus temos "Leaving Too Soon" da versão japonesa, outra música extraordinária que ainda merece um lugar no setlist oficial, tanto pela qualidade quanto pelo perfeito encaixe com as demais. Tem uma aura bem épica, algo que se separou um pouco da banda nos últimos trabalhos; pessoalmente um refrão sensacional e um solo apaixonante.
Ainda sobra "Kismet" que foi colocada estranhamente entre as faixas "Sacrimony (Angel Of Afterlife)" e "Ashes To Ashes" na versão instrumental do álbum, uma faixa instrumental com certa influência oriental; e também "Grace" para finalizar de fato, uma música curiosa por ter uma sonoridade mais voltada para o Rock do que essencialmente o Metal sinfônico da banda.
Vamos às considerações finais: "Silverthorn" marca uma consolidação de um novo caminho para a banda. Já sabemos que desde "Ghost Opera", mas principalmente "Poetry For The Poisoned", o KAMELOT vem se inclinando para o ramo sinfônico com questões sombrias, abandonando aquela cara de Power Metal. Então, acima de tudo, "Silverthorn" é um álbum para se ouvir, se encarar como uma verdadeira sinfonia e, ainda sim, podem esperar ouvir boas músicas para bater cabeça.
"Silverthorn" - Kamelot (2012)
Tracklist:
01. Manus Dei
02. Sacrimony (angel Of Afterlife)
03. Ashes To Ashes
04. Torn
05. Song For Jolee
06. Veritas
07. My Confessions
08. Silverthorn
09. Falling Like The Fahrenheit
10. Solitaire
11. Prodigal Son
- Part I: Funerale
- Part II: Burden Of Shame (The Branding)
- Part III: The Journey
12. Continuum
13. Leaving Too Soon (Bonus track japonesa)
14. Kismet (Bonus track)
15. Grace (Bonus track)
Faixa preferida: Obviamente eu não conseguiria escolher só uma então eu recomendo "Song For Jolee" uma das melhores músicas lentas da carreira da banda, "Torn", "My Confession" e a bônus "Leaving Too Soon", todas com excelentes instrumentais e letras bem fortes.
Daria 10 facilmente pra esse álbum, ainda mais nas primeiras vezes que o ouvi, ele realmente merece. Só não o fiz porque, depois da centésima vez ouvindo algumas músicas ficam massantes e porque dá aquela saudade das faixas épicas tipo "Center Of The Universe", mesmo apoiando e curtindo a nova fase da banda.
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