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Def Leppard Motley Crue 2

Black Country Communion: resultado final muito satisfatório

Resenha - Afterglow - Black Country Communion

Por André Toral
Postado em 21 de novembro de 2012

Nota: 9

2012 de fato tem sido um ano mais do que abençoado para os amantes do rock and roll e do hard rock. Provas disso não faltam: Monster do Kiss, "Blunderbuss" do Jack White, "Apocalyptic Love" do Slash, "Internal Affairs" do The Night Flight Orchestra, "Clockwork Angels" do Rush, "Lost in the New Real" do Arjen Anthony Lucassen e etc. Enfim, a lista é realmente grande.

E foi justamente agora que, quase terminando o ano, foi lançado "Afterglow", 3º. álbum do Black Country Communion, uma super-banda em que todas as suas estrelas contribuem enormemente para um resultado final muito satisfatório.

"Afterglow" beira a perfeição e nos remete ao hard rock dos anos 70 com muita maestria e bom gosto. Glenn Hughes canta divinamente bem e demonstra que assimilou positivamente as diversas críticas recebidas quanto ao fato de gritar exacerbadamente nos shows e em alguns álbuns de sua extensa carreira. Joe Bonamassa é um caso a parte. Ele é um eximo guitarrista não por ser "fritador", mas porque tem extremo bom gosto para arranjar as guitarras e encaixá-las na proposta da banda. Derek Sherinian, como sempre, destila' talento com seus teclados – aqui, cada vez mais influenciados por Deep-Purple. E Jason Bonham, apesar de filho da lenda (John Bonham), claramente não vive à sombra do mesmo e tem estilo próprio demonstrado ao longo de sua carreira, apesar de que em alguns momentos de "Afterglow" chega a ser impressionante a semelhança com as batidas de seu pai, como na excelente "Crawl".

"Afterglow" também deixa bem claro que a banda não experimenta apenas as influências de Led-Zeppelin, pois são nítidas as influências de Bad Company, Mountain e da MK II do Deep-Purple.

Em comparação com os álbuns anteriores, "Afterglow" não se distancia da proposta, porém, investe num hard rock mais reto.

É o caso de "Big Train", um hard cheio de balanço e com melodias muito legais que demonstram um ótimo trabalho de guitarras (base e solo) e teclados.

"This Is Your Time" é tipicamente uma homenagem clara ao hard rock setentista. Uma música onde o riff de guitarra é a base do som, e todos os demais instrumentos e o vocal seguem esta direção em sincronia total. Também tem um belo refrão, onde Glenn Hughes mostra todo o seu potencial, já que, dos anos 70, ele é certamente o melhor vocalista em atuação nos dias de hoje. Enfim, uma canção exuberante.

"Midnight Sun" impressiona por vários motivos, e um deles é a excelente atuação de Jason Bonham nas diversas viradas de bateria que caracterizam esta música. E claro que Glenn Hughes também se destaca, pois a extensão de sua voz nesta canção, e as variações de seus tons, encontraram o ponto certo de "Midnight Sun", que por sua vez é caracterizada por um hard rock bem melódico.

"Confessor" é um hard rock mais pesado e rápido em que o tom é ditado pelas guitarras, onde também se destaca o tradicional dueto entre teclados e guitarras solo. Além disso, a bateria brilha, pois as batidas estão pesadas e com muitas variações de tempos.

Em "Cry Freedom" achei que Joe Bonamassa, mais uma vez, quis homenagear Jimmy Page no riff principal da música, pois o timbre da guitarra é bem Zepelliano e lembra riff de "Black Dog". Trata-se de um blues pesado e orientado para o rock and roll, diferente de um blues tradicional. Enfim, um momento alto de "Afterglow" – para mim, a melhor música do álbum.

Já a faixa-título apresenta uma introdução facilmente identificada com baladas do Led-Zeppelin, mas cai num hard rock pesado que remete aos bons tempos do Led mesmo. E os teclados de Derek Sherinian ajudam em muito para isso. Uma belíssima canção com momentos de relaxamento onde o ouvinte pode degustar ao máximo o prazer de ouvir algo tão bom. Ao escutá-la, podem se preparar para voltar aos anos 70. Sem sombra de dúvidas.

"Dandelion" talvez seja a canção "menos melhor" do álbum, mas demonstra dinamismo, pois a banda se mostra muito entrosada para variar seus ritmos.

Em "The Circle" quem brilha é Glenn Hughes com uma demonstração clássica de seu vocal, variando tons altos e mais contidos com extrema facilidade e bom gosto. A canção em si é mais calma e devagar, alternando com momentos de mais peso, e é muito boa.

"Common Man" tem um dueto de vozes muito interessante, já que Joe Bonamassa divide os vocais com Glenn Hughes. O resultado foi legal, mas quem se destaca mais mesmo é Jason Bonham com uma atuação digna de nota máxima! O cara está endiabrado neste álbum! Não sei por que, mas senti algo de "Tom Sawyer" na parte principal da música, principalmente no começo dela. Devido a isso, achei que mesma tem uma leve e discreta pitada de Rush.

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"The Giver" é mais uma prova da influência de Led-Zeppelin, inclusive o vocal de Glenn Hughes está bem alinhado à estética vocal de Robert Plant na parte que antecede o refrão, não que isso tenha sido intencional, mas pode ser facilmente percebido. Mas o que vale é que a música é uma mescla de uma típica balada com hard rock de forma progressiva, regada por uma ótima intervenção de Derek Sherinian nos teclados e um solo de guitarra muito inspirado de Bonamassa.

Já "Crawl", apesar do leitor possivelmente já estar meio saturado, apresenta, mais uma vez, claras influências de Led-Zeppelin e, como já mencionado, Jason Bonham se aproxima muito de seu pai no jeito de tocar a bateria, o que a faz parecer com a batida de "When The Levee Breaks". Fora isso, a música é pesada e densa, e por cima mostra uma faceta mais agressiva do vocal de Glenn Hughes. Além disso, é soturna e meio sombria. Enfim, é ótima e encerra o disco da mesma forma como ele começou, ou seja, ótimo.

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"Afterglow" também é o álbum mais bem sucedido da banda no mercado. Ele conseguiu chegar ao 48º. lugar das paradas gerais da Bilboard. O debut auto-intitulado e o 2°. álbum chegaram nas posições 54 e 71, respectivamente.

Ou seja, a banda entrou em estúdio destinada a nos brindar com algo de grande qualidade, mas como nem tudo é perfeito, muito provavelmente "Afterglow" será o último álbum do Black Country Communion, devido a desavenças e discordâncias entre Glenn Hughes e Joe Bonamassa.

Numa entrevista ao ABC News Radio, Glenn Hughes, tendo em vista os compromissos que Joe Bonamassa mantém com sua carreira solo, disse: "Odeio ter que dizer isso, mas pode ser o último álbum porque eu preciso estar em uma banda que excursiona de forma regular. Se eu tivesse uma varinha mágica, eu apontaria para a cabeça de todos e diria 'ei caras, faremos 200 shows em 2013 e seremos uma banda grande em todo o mundo'. Isso não irá acontecer".

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O baixista e vocalista ainda disse que já está formando uma nova banda chamada Kings Of Chaos, que terá vários músicos do Rock N' Roll All Stars. A banda contará com Joe Elliot (Def Leppard), Duff McKagan (ex-Guns N' Roses), Matt Sorum (ex-Guns N' Roses e The Cult) e Steve Stevens (Billy Idol). O grupo promete uma série de EPs, contando com três covers e uma música autoral em cada um deles. Os vocalistas devem mudar em cada EP, de acordo com Glenn.

Já Joe Bonamassa, por sua vez, deu a sua versão sobre os fatos ao Music Radar. "Nos divertimos muito gravando o disco. De repente comecei a ler em vários lugares que a culpa de nada acontecer era minha. Fiz exatamente o que disse que faria nos últimos três anos. E agora, porque alguém muda de ideia, eu sou o culpado? A pior parte para mim foi receber emails de garotos no Brasil dizendo que o sonho deles era ver o BCC ao vivo e, como Glenn Hughes falou que eu não queria tocar com eles, tinha me tornado o anticristo do Blues. Jamais faria isso com alguém. Não importa a situação, nunca se deve lavar roupa suja em público. Me telefone para conversarmos. E ele nunca fez isso".",

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Para se ter uma ideia, Joe ainda criticou Hughes por querer levar todo o crédito pelo trabalho e fazer com que os outros parecessem músicos contratados, além de lamentar que Derek Sherinian e Jason Bonham tenham passado por toda essa turbulência injustamente. E apesar de ver "Afterglow" como o trabalho mais coeso, não o considera o melhor que o quarteto fez. "Para mim o primeiro é imbatível. Soa como se tivesse sido feito em 1972″.

Até mesmo Jason Bonham, em entrevista à Classic Rock, criticou a situação atual da banda. "É triste fazermos algo desse nível e não excursionar. Quando começamos não sabíamos o que aconteceria, mas imaginava que trabalharíamos mais. Não estou culpando ninguém, mas deveríamos excursionar. Amo todos na banda e adoraria cair na estrada. Mas há certas forças nos puxando para trás".

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O batera também disse que durante o processo de gravação de "Afterglow" foram mantidas conversas no sentido de fazerem uma turnê. "Não sabia que Joe Bonamassa não estaria com tempo disponível em sua agenda. Isso me faz questionar porque começamos a gravar o álbum naquele momento. Deveríamos ter feito isso quando todos tivessem tempo para promover".

E apesar de Jason Bonham não ser mais enfático, dá para perceber que existe no ar um certo incômodo com Joe Bonamassa. "Não tenho contato com os outros caras, apenas com Glenn. Tentei saber algo através dos empresários de Joe. Eles disseram apenas que as coisas estavam complicadas. Podia sentir que algo estava acontecendo. É muito frustrante, adoro ele, é um dos melhores guitarristas do mundo. Mas gostaria de excursionar. Entendo que esteja ocupado, mas Glenn, eu e Derek adoraríamos fazer shows. Talvez encontremos uma maneira".

Enfim, depois destas declarações, discordâncias e etc., não dá para esperar muita coisa.

Uma pena, porque o surgimento do Black Country Communion se deu em uma época onde as pessoas voltaram a investir fortemente o seu gosto musical nos "revivals" de tempos passados, o que deu a eles uma enorme quantidade de admiradores.

É aquele negócio. Ter estrelas demais pode ser um problema tão infinito quanto o espaço. Independente disso, o que fica são três trabalhos de muita qualidade.

Vamos esperar que tudo se resolva, mas a cada dia que passa a situação da banda é cada vez mais complicada.

Enquanto isso, o negócio é focar em "Afterglow" e curtir cada segundo de seus clássicos.

Para o momento, é o que nos resta.

"Afterglow":
01. "Big Train"
02. "This Is Your Time"
03. "Midnight Sun"
04. "Confessor"
05. "Cry Freedom"
06. "Afterglow"
07. "Dandelion"
08. "The Circle"
09. "Common Man"
10. "The Giver"
11. "Crawl"

Banda:
Glenn Hughes (vocal, baixo, violão em 10)
Joe Bonamassa (guitarra, violão, co-vocal)
Jason Bonham (bateria, percussão)
Derek Sherinian (teclados)


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Sobre André Toral

Formado em Administração de Empresas. Curte Hard clássico dos anos 70 e início dos 80; Heavy Metal é sua religião.
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