Black Country Communion: Muita classe em possível despedida
Resenha - Afterglow - Black Country Communion
Por Igor Miranda
Fonte: Van do Halen
Postado em 04 de novembro de 2012
Nota: 9 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Enfim, o novo trabalho do Black Country Communion. E, pelo o que parece, será o último. O supergrupo andou tendo alguns desentendimentos – para ser mais específico, entre Joe Bonamassa e Glenn Hughes. Enquanto Hughes afirma que quer um projeto em que os integrantes o levem de forma exclusiva, Bonamassa continua se dedicando à sua carreira solo, deixando a banda estacionada em alguns momentos. Em vários momentos, o frontman deu a entender que Afterglow fecha a discografia da banda.
Black Country Communion - Mais...
O fato é que o quarteto preparou um trabalho formidável. Afterglow mantém a essência dos dois registros anteriores, mas tende para o Hard Rock direto dos anos 1970. O Led Zeppelin deixou de ser a influência princpal para que bandas como Bad Company, Mountain e Deep Purple (MK II) também deixassem sua contribuição moral no trabalho.
Há outra diferença notável entre Afterglow e os álbuns lançados anteriormente. Aqui, os riffs orientam as canções, ao invés das canções orientarem os riffs. Ao meu ver, isso interferiu bastante na performance dos integrantes. A banda se mostra muito mais confortável e entrosada. Grandes músicos nem sempre conseguem realizar grandes uniões, mas aqui está um caso raro de experiência, técnica e química completamente aliadas.
"Big Train" tem um início truncada. Logo a faixa de abertura se revela um Hard Rock malandro e de qualidade. Tem até um momento melódico em seu meio, acentuado pela presença de Derek Sherinian. Mas em sua integridade, se trata de uma paulada. "This Is Your Time", mais cadenciada, segue com um bom riff com linhas de guitarra e baixo sincronizadas. O refrão, grudento, é potencializado pela exuberante interpretação vocal de Glenn Hughes. Não dá pra acreditar que, aos 61 anos, ele tenha preservado sua voz tão bem. "Midnight Sun" é a cara do Hard Rock setentista. Tem uma visceralidade notável. Hughes aumenta o tom de sua voz e solta invejáveis berros em toda a canção.
"Confessor", mais acelerada, tem um verdadeiro disparo de bons riffs. Joe Bonamassa, endiabrado, dá o comando instrumental aqui. Jason Bonham, cujo DNA atesta competência, também brilha. O refrão, que é metade coro e metade berro, é puro Rock n’ Roll. "Cry Freedom" é um Blues Rock genuíno. A presença de Derek Sherinian nessa canção é decisiva para dar o clima, mas também vale destacar a fluência de Joe Bonamassa para tocar Blues. Um dos maiores destaques até aqui. A faixa título tem a cara dos dois trabalhos anteriores. Aqui, a influência do Zeppelin toma conta: há uma certa complexidade na composição que remete ao renomado quarteto britânico.
"Dandelion" engana: parece que vai colocar o pé no acelerador novamente, mas o ritmo logo cai. Mas depois volta frenética. Daí cai, volta e por aí vai. Canção dinâmica, que alia tanto a faceta melódica dos registros anteriores quanto a cara roqueira explicitada aqui. A balada "The Circle" tem show particular de Glenn Hughes nos vocais, mas todos os integrantes brilham, só pra variar. Em "Common Man", Joe Bonamassa divide os vocais com Hughes. Jason Bonham se mostra, mais uma vez, um grande baterista. Encarna o pai com uma pitada de Neil Peart.
"The Giver" é uma balada menos zeppeliana. Ou seja, tem uma cara mais comercial. A progressão melódica parece acariciar os ouvidos – muito dessa suavidade se dá pelo brilho de Derek Sherinian, mais destacado neste álbum do que nunca. "Crawl", truncada e com um peso intrínseco de forma sedutora, fecha o trabalho com maestria. Destaque para o momento solo de Bonamassa. O guitarrista é realmente diferenciado.
Só o tempo dirá se o imbróglio vivenciado nas últimas semanas realmente findará o Black Country Communion ou se é apenas um drama. Se Afterglow for o bota-fora do quarteto, foi feito com classe, de forma impecável. Fechará o ciclo de quatro grandes músicos com chave de ouro. Se não, os fãs ficam no aguardo de um trabalho tão bom – ou até melhor – do que esse.
Glenn Hughes (vocal, baixo, violão em 10)
Joe Bonamassa (guitarra, violão, co-vocal)
Jason Bonham (bateria, percussão)
Derek Sherinian (teclados)
01. Big Train
02. This Is Your Time
03. Midnight Sun
04. Confessor
05. Cry Freedom
06. Afterglow
07. Dandelion
08. The Circle
09. Common Man
10. The Giver
11. Crawl
Outras resenhas de Afterglow - Black Country Communion
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



O que Nicko McBrain pensava ao ver Bruce Dickinson no palco antes da saída
Com mais de 140 shows, festival Welcome to Rockville anuncia atrações para 2027
Aerosmith realiza primeiro dos dois shows comemorativos; veja setlist e convidados
Os 50 artistas de rock e metal mais ouvidos de todos os tempos no Spotify
O problema no Alter Bridge que fez Mark Tremonti criar sua própria banda
Os dois guitarristas que Kerry King nunca conheceu após décadas no Slayer
A canção que mudou a vida de Jimi Hendrix e completou 60 anos de gravação
Korzus lança single/videoclipe "Blind Deaf Mute"
A cirurgia que membros do Metallica, Slayer e Megadeth precisaram fazer, diz Hetfield
Jorn Lande conta como foi ter um baterista de black metal em sua banda
Neil Peart, David Gilmour e Sid Wilson não concordam sobre o maior baterista do mundo
A música do Lynyrd Skynyrd que Dave Mustaine colocou no Metallica sem Lars Ulrich perceber
O roqueiro que comprou briga com Humberto Gessinger e Samuel Rosa
Os oito discos essenciais do thrash alemão, segundo a Ultimate Guitar
Por que o Smashing Pumpkins foi tirado da abertura do The Police, segundo Corgan
A música do Megadeth que James Hetfield curte, segundo Dave Mustaine
O que significa "havia alguma coisa errada com o rei" no clássico "Rádio Pirata" do RPM?
O megahit dos Beatles que Paul McCartney compôs para consolar filho de John Lennon

"Gates of Twilight", a estreia certeira do Wings of Steel
"From The Dark"; "apenas" um disco solo de Tony Iommi que evoca o Black Sabbath com Dio
Nunslaughter retorna disparando blasfêmia de grosso calibre no ótimo "Satanic Chaos Legions"
Immolation mantém a extremidade intacta com "Descent"
The Hellacopters revê sua transformação em "Cream Of The Crap! Volume 3"
O ocultismo britânico ganhou novos contornos com "Woodland Rites" do Green Lung
Biohazard retorna afiado com "Divided We Fall"
Tyketto recupera o fôlego com "Closer to the Sun", seu primeiro disco em uma década



