O cantor que Glenn Hughes chama de "o maior de todos"
Por Bruce William
Postado em 14 de janeiro de 2026
Toda vez que aparece aquela conversa de "maior cantor de todos os tempos", alguém tenta transformar isso em ranking, alcance vocal, nota mais grave e mais aguda... e pronto, vira discussão sem fim. Só que cantor não é só extensão: tem timbre, intenção, escolha de fraseado, onde colocar a voz e, principalmente, se o cara consegue servir à música em vez de brigar com ela.
Glenn Hughes costuma entrar nesse assunto por um caminho mais prático. Ele é lembrado como um vocalista que transita bem entre abordagens bem diferentes dentro do rock - e isso vale tanto pela voz quanto pela forma de se encaixar no som da banda. No currículo, aparecem Deep Purple, Black Sabbath, Trapeze e Black Country Communion, cada um com uma identidade própria, o que já diz bastante sobre flexibilidade.
E aí vem um ponto interessante: quando ele fala de cantor que admira, ele não fica preso na bolha "só rock". Em vez de citar mais um nome previsível do gênero, Hughes puxa o assunto para a soul music, e o nome que ele coloca no topo não é alguém que você costuma ver em listas montadas por fãs de guitarra.
O escolhido é Stevie Wonder. Hughes diz que ele é o tipo de cantor que daria conta de praticamente qualquer música que colocassem na frente dele - não pela força bruta, mas pela musicalidade e pelo jeito de conduzir a voz dentro do arranjo. A admiração, no caso, não fica só na técnica: ele liga o impacto da voz ao modo como Stevie vive e se comporta.
"Ele sempre foi uma inspiração. Eu conheci o Stevie em 1974, quando eu estava fazendo um álbum com o Deep Purple no Record Plant, em Los Angeles. O Stevie estava no mesmo estúdio, ao lado. Então, a gente se encontrou, virou amigo e somos amigos desde então", relembrou Hughes.
E, quando ele vai explicar por que escolhe Stevie como referência máxima, ele coloca do jeito mais direto possível: "E... olha, na minha opinião, ele é o maior cantor de todos, mas é o jeito como ele se porta, o jeito como ele vive a vida e o jeito como ele é com a família. E ele é um cara tão calmo, tão atencioso, sabe?"
Dá para discordar do "maior de todos" (porque esse tipo de coroa sempre depende do ouvido de quem escuta), mas a fala do Hughes tem uma vantagem: ela mostra qual é o critério dele. Não é só potência, nem só agudo, nem só a performance em uma faixa específica. É um pacote de musicalidade, consistência e postura - coisa que o músico costuma respeitar quando vê de perto.
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