Ari Borger Quartet: técnica com doses de feeling e swing
Resenha - Back to the Blues - Ari Borger Quartet
Por Ricardo Seelig
Fonte: Collectors Room
Postado em 17 de setembro de 2012
Nota: 9 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
"Back to the Blues" é o terceiro trabalho do Ari Borger Quartet - ou AB4 -, grupo liderado pelo pianista Ari Borger. Se contarmos "Blues da Garantia", de 2001, assinado apenas com o nome do músico, este seria o quarto álbum de Borger. Completam a sua discografia "AB4" (2007) e "Backyard Jam" (2010).
Quem já ouviu algum destes quatro discos sabe que a coisa aqui é séria. Ari Borger é considerado por grande parte da crítica o melhor pianista de blues do Brasil. Ele morou vários anos em New Orleans, onde respirou a música negra norte-americana de perto e aprimorou a sua já invejável técnica com doses cavalares de feeling e swing. Ao seu lado estão atualmente o guitarrista Celso Salim, o baixista Rodrigo Mantovani e o baterista Humberto Zigler.
Lançado pela ST2, "Back to the Blues" acaba de chegar às lojas brasileiras. Fazendo uma comparação com os álbuns anteriores, retoma a sonoridade blueseira - como o próprio título sugere - de "Blues da Garantia", mas aqui turbinada com grandes doses da elegância e do refinamento demonstrados em "AB4" e "Backyard Jam", onde Borger conduziu o som de seu quarteto por gêneros como funk, soul, jazz e rhythm and blues.
Gravado ao vivo no estúdio em apenas três dias, o disco é todo instrumental, com exceção da versão de "I’d Rather Go Blind", um dos maiores standards do blues, imortalizada na voz de Etta James e aqui cantada por Bia Marchese. Há também releituras de "Back at the Chicken Shack" (de Jimmy Smith), "Key to the Highway" (parceria de Big Bill Broonzy e Charles Segar, regravada por um sem número de artistas, incluindo versões seminas de Eric Clapton) e "Funky Miracle", dos Meters. As outras cinco faixas são composições próprias, porém no mesmo nível das releituras.
Borger possui uma qualidade rara, presente apenas nos grandes instrumentistas. Ele se apodera das composições que regrava com tanta propriedade e personalidade que transforma grandes clássicos do blues com centenas de versões em músicas que parecem nascidas para as suas teclas. O AB4 não faz regravações pura e simplesmente, mas sim reinterpretações de composições presentes há muito tempo no imaginário popular, imprimindo novas cores e nuances à faixas que julgávamos conhecer de traz pra frente.
O absoluto e desconcertante domínio instrumental do quarteto é o responsável por essa soberania sonora. A audição de "Back to the Blues" proporciona o que a música tem de mais sublime: a harmonia quase sobrenatural entre os instrumentos, capaz de alcançar um resultado final que é muito superior à soma de suas partes. O AB4 é de uma solidez, de uma robustez, impressionantes, proporcionando um ataque harmônico repleto de melodias inspiradas e sentimento raríssimo.
"Back to the Blues" é o melhor disco lançado por um artista brasileiro em 2012, e, até segunda ordem, a milhas de distância de possíveis concorrentes. Com uma musicalidade imensa e uma qualidade que beira a estratosfera, Ari Borger e seus companheiros brindam os ouvintes com um álbum que namora a perfeição.
Forte candidato a melhor disco do ano!
Faixas:
Boogie Train
Back to the Chicken Shack
Key to the Highway
Coming Home
Funky Miracle
I’d Rather Go Blind
Boogie pro Bê
Funky Jam
Back to the Blues
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



O clássico do rock que mostra por que é importante ler a letra de uma música
A sincera opinião de Pitty sobre Guns N' Roses, System of a Down e Evanescence
Os 5 álbuns de rock que todo mundo deve ouvir pelo menos uma vez, segundo Lobão
A melhor banda ao vivo de todos os tempos, segundo Joe Perry do Aerosmith
Bruce Dickinson relembra o teste "estranho" que fez para entrar no Iron Maiden
O guitarrista favorito de todos os tempos de James Hetfield do Metallica
200 shows internacionais de rock e metal confirmados no Brasil em 2026
"Até quando esse cara vai aguentar?" O veterano que até hoje impressiona James Hetfield
A atitude respeitosa tomada por Nuno Bettencourt no último show de Ozzy Osbourne
Para Geezer Butler, "13" não foi um álbum genuíno do Black Sabbath
O ícone do heavy metal que foi traficante e andava armado no início da carreira
Peter Criss não escreveu "Beth" e bateria não é instrumento musical, diz Gene Simmons
A banda que era "maior do que Jimi Hendrix" para Ritchie Blackmore, e que hoje poucos conhecem
A melhor música de heavy metal de cada ano da década de 1980, segundo a Loudwire
O triste destino da primeira guitarra de Kiki Wong, do Smashing Pumpkins
A opinião de Eddie Van Halen sobre Kurt Cobain como músico em 1995
O hit dos Titãs que só foi batizado após banda confirmar informação com dentista
Ronnie James Dio sobre sua cantora preferida: "Ninguém chega perto!"

Edguy - O Retorno de "Rocket Ride" e a "The Singles" questionam - fim da linha ou fim da pausa?
Com muito peso e groove, Malevolence estreia no Brasil com seu novo disco
Coldplay: Eles já não são uma banda de rock há muito tempo



