Guthrie Govan: Ele é o salvador da guitarra shred?

Resenha - Guthrie Govan - Erotic Cakes

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Por Thiago Pimentel
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De tempos em tempos, a mídia especializada costuma superestimar algum instrumentista - nesse caso, em específico, o guitarrista - e apresentá-lo como um um gênio, o salvador.

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Na maioria dos casos, o tal 'gênio instrumentista' acaba sendo lembrado apenas por algumas exibições de virtuosismo pomposas e, talvez, algum suposto material didático no formato de vídeo aula. Adianto que esse não é o caso do guitarrista britânico Guthrie Govan. Não, definitivamente não o é.

Contextualizando: recentemente, apesar do músico estar na ativa um bom tempo e ter participado da banda de rock progressivo britânica "Asia", tem-se feito um burburinho em torno da obra de Govan; a alcunha de "salvador da guitarra shred" tem sido atribuída ao músico e, além disso, nomes renomados das seis cordas - a exemplo de Joe Satriani ("Chickenfoot") e Paul Gilbert ("Mr. Big") - têm distribuído elogios ao trabalho do artista.

Sinceramente? Acredito que o termo shred - uma associação a 'fritação de notas', ou seja, tocar excessivamente rápido - aqui é pejorativo, pois o amplo vocabulário musical que Govan imprime nas 11 faixas instrumentais que compõe "Erotic Cakes" vai além do que é, normalmente, vinculado a esta denominação. Entretanto, o próprio músico faz 'piada' da termo no título de uma das composições ("Rode Island Shred").

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O álbum, cujo título fora inspirado em um episódio de The Simpsons, tem seu início com a intrigante "Waves". A sonoridade atípica, criada por Govan no tema principal, é seu charme. Esta composição já estava presente no repertório do guitarrista. Além dela, outras faixas como "Wonderful Slippery Thing" - peça bem funkeada responsável pela vitória do músico em um concurso da Guitarist Magazine's - e "Rode Island Shred" - faixa com pegada bem country que conta com a participação do guitarrista Bumblefoot (Guns N' Roses) - já datam mais de dez anos desde sua primeira aparição.

No geral, Guthrie Govan desenvolve bem seus temas utilizando sempre boas ornamentações e explorando melodias bastante exóticas - ouça "Uncle Skunk" e "Ner Ner" (com solos do guitarrista Richie Kotzen), por exemplo. A oitava faixa ("Eric"), uma das mais belas composições do álbum, é um prato cheio em sonoridade exótica e, ainda assim, é uma das músicas mais acessíveis do disco. O timbre do guitarrista, a propósito, é matador e, mesmo em momentos de pura 'fritação', todas as notas são audíveis e não soam de forma desagradável.

Já composições como "Slidey Boy" e "Hangover", exibem uma abordagem mais jazzística e tradicional ao subgnêgero fusion - em oposição a faixa título que, por exemplo, chega a remeter o metal progressivo. As famosas, em vídeos afora, "Fives" e "Sevens" completam o disco exibindo ecos de 'Steve Vai' ao ouvinte e, além disso, desenvolvem uma linguagem mais rock n' roll.

Apesar de Govan ser a estrela, tenho que mencionar o trabalho de baixo feito por Seth Govan (seu irmão) - vide "Uncle Skunk", "Fives" e "Eric" - e as linhas de bateria gravadas por Pete Riley.

Nesse álbum você encontrará técnica e virtuosismo? Certamente. Porém, tudo bem aliado a boa musicalidade e experimentalismos (positivos). Fora que, em nenhum momento, a audição do disco torna-se cansativa.

Em meio a megalomania egocentrista da maioria dos guitarristas ditos virtuosos, "Erotic Cakes" é uma espécie de respiro. Fortemente recomendado para quem gosta de guitarras e, obviamente, música instrumental. Atualmente, Guthrie Govan concentra-se na banda The Aristocrats - responsável por um fusion com pegada bem roqueira - e não se sabe quando o guitarrista lançará outro trabalho solo. Aguardemos.

Músicas-chave:
"Eric" ; "Ner, Ner" ; "Hangover"

Formação:
Guthrie Govan - guitarra
Seth Govan - baixo
Pete Riley - bateria
Andy Noble - órgão hammond

Tracklist:

01. Waves
02. Erotic Cakes
03. Wonderful Slippery Thing
04. Ner Ner
05. Fives
06. Uncle Skunk
07. Sevens
08. Eric
09. Slidey Boy
10. Rhode Island Shred
11. Hangover

Originalmente publicado em:
http://hangover-music.blogspot.com/2012/06/resenha-guthrie-g...




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Sobre Thiago Pimentel

Tenta, desde meados de 2010, escrever textos que abordem as vertentes da mais peculiar - em seu ponto de vista - manifestação artística do ser humano, a música. Para tal, criou o blog Hangover-Music e contribui no Whiplash.Net. Além disso, é estudante de jornalismo, guitarrista e acredita que se algum dia o Deus metal existira, ele morreu em 13/12/2001.

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