Jess and The Ancient Ones: A renovação do Heavy Metal
Resenha - Jess and The Ancient Ones - Jess and The Ancient Ones
Por Ricardo Seelig
Fonte: Collectors Room
Postado em 30 de maio de 2012
Nota: 9 ![]()
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Lançado no último dia 23 de maio pela Svart Records, o disco de estreia da banda finlandesa Jess and The Ancient Ones comprova aquilo que acontece todos os dias, mas a maioria das pessoas fecha os olhos, os ouvidos e a cabeça e não admite: a renovação do heavy metal de forma esplêndida, original e pra lá de cativante.
O grupo nasceu no início de 2010 na cidade de Kuopio e veio ao mundo pelas mãos dos guitarristas Thomas Corpse e Thomas Fiend. Mas foi a adição da vocalista Jess que colocou a banda nos trilhos. Dona de uma linda e potente voz, a bela vocalista - que, fisicamente, lembra um pouco a inglesa Adele, fenômeno do pop - é a cereja no bolo na música do septeto - completam o conjunto Von Stroh (guitarra), Abraham (teclado), Fast Jake (baixo) e Yussuf (bateria).
Mas a coisa aqui não tem nada a ver com a acessibilidade e a luz do pop. O assunto é o extremo oposto. Musicalmente, a sonoridade vai direto para os anos setenta, bebendo daquilo que ficou conhecido como heavy psych - ou seja, o hard rock embebido em grandes doses de psicodelia. Esse caminho dá um clima meio místico para o som do grupo, devidamente completado por letras que exploram temas ocultos baseados em experiências pessoais dos músicos. Essa combinação traz à tona uma atmosfera densa e muito cativante.
O trio de guitarras investe em melodias muito bem construídas, que ficam ainda mais fortes com as intervenções espertas do teclado. É mais hard do que metal, e mantém sempre um pé no blues.
Há momentos sublimes neste primeiro disco do Jess and The Ancient Ones. O principal deles é "Surfur Giants (Red King)", uma incrível composição de mais de doze minutos de duração que leva o ouvinte por diferentes caminhos, todos atraentes. "Twilight Witchcraft" é outro destaque óbvio, assim como a estradeira "Ghost Riders". A sensual e cheia de malícia "Devil (in G Minor)" é a trilha perfeita para um cabaré frequentado por vampiros e outras criaturas sedentas por sexo, enquanto "Come Crimson Death" encerra o disco traduzindo as emoções humanas em notas musicais.
Para situar o ouvinte, dá para comparar o som do Jess and The Ancient Ones, em alguns momentos, com o que o The Devil’s Blood faz. Apesar de as diferenças entre as duas bandas serem bem distintas, é bastante provável que quem curtiu a música dos holandeses fique igualmente fascinado pelos finlandeses.
Dono de uma beleza onipresente e sombria, o primeiro disco do Jess and The Ancient Ones apresenta ao mundo uma banda dona de grande talento, original e com potencial para gerar álbuns ainda melhores no futuro.
A maioria vai passar longe e nem vai sequer saber da existência desta banda, o que é uma pena, pois estarão deixando de ouvir um dos grandes discos de hard rock e heavy metal de 2012.
Faixas:
Prayer for Death and Fire
Twilight Witchcraft
Sulfur Giants (Red King)
Ghost Riders
13th Breath of the Zodiac
Devil (in G Minor)
Come Crimson Death
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