Anonymous Hate: Evoluindo sem perder o controle
Resenha - Red Khmer - Anonymous Hate
Por Marcos Garcia
Postado em 10 de março de 2012
Nota: 9 ![]()
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Convicção e fidelidade aos seus ideais é algo louvável em termos de fazer música, especialmente mo tocante ao Metal, mas é legal ver ao mesmo tempo bandas que sabem evoluir sem perder suas características mais primordiais, ou seja, que sabem manter sua identidade sem deixar de saber se reinventar quando se faz necessário. Mas nem sempre isso acaba dando em coisa boa, já que existem exemplos aos montes de bandas que não conseguem fazer tal mistura alquímica e que acabam gastando tempo (e dinheiro) com discos fracos. Mas também existem ótimos exemplos de quem sabe evoluir sem perder controle do próprio trabalho.
E neste último grupo, encontramos o ANONYMOUS HATE, banda de Death Metal/Grindcore de Macapá (AP, estado cuja cena está aos poucos surgindo para o Brasil inteiro conhecer), e que chega com seu novo trabalho, o EP ‘Red Khmer’, cujo nome, para quem não sabe, vem de um grupo que governou o Camboja entre 1975 e 1979, e cujas políticas sociais resultaram em genocídio (pela fome, pois sustentavam políticas agrárias absurdas, por doença, já que a propalada ‘autossuficiência’ deles causou mortes por doenças tratáveis como malária, isso sem falar em expurgos com direito a tortura e execuções sumárias. Um triste evento para a raça humana e a prova que as ideias socialistas de Karl Marx nunca serão levadas a sério, por mais que se tente, para desespero dos socialistas brasileiros), lançado pela parceria entre a própria banda e Malignant-Art Records e LAB 6 Music.
Voltando ao EP, a produção visual, com capa feita por Rogério Araújo, ficou muito boa e contextualizada com o conteúdo lírico explícito, enquanto o lado sonoro ficou abusivamente intenso e pesado, lembrando em vários momentos gravações feitas nos Morrisound Studios por volta da década de 90. O que a banda apresenta no EP, em matéria de musicalidade, é a mesma formatação de antes, ou seja, um Death Metal/Grindcore bem pesado e esporrento até a raiz da alma, só que agora ainda mais puxados para o Death Metal, talvez pela entrada de Victor Figueiredo nos vocais, já que as vozes em seus trabalhos anteriores (o CD Demo ‘Worldead’ e o CD ‘Chaotic World’) haviam sido feitas por Carlos Haussler, que faz um gutural no mesmo pé dos gigantes do exterior.
Após uma intro, o massacre começa com a esporrenta ‘Created to Kill’, que tem alguns momentos mais cadenciados, mas que detona em matéria de peso e brutalidade, especialmente pelos riffs de guitarras chapantes e solos insanos, e a cozinha rítmica é algo de absurdo (bumbos velozes e ritmos bem feitos, bem como o baixo mostra que não é só para marcação); em ‘Anonymous Hate’, a velocidade fica um pouco menor, mas o peso das guitarras ainda é absurdo; ‘Red Khmer’ é bem mais cadenciada, priorizando os riffs de guitarra, exceto por momentos em que a pancadaria come solta e a zaga mostra trabalho (e que baterista é esse? O cara deve ser um polvo!). As próximas três faixas são versões personalizadas (e muito bem feitas) de ‘ Dead Shall Rise’ (do TERRORIZER), Paranóia Nuclear/Poluição Atômica (do R.D.P., que ficou com uma roupagem Grindcore muito boa, que lhe caiu muito bem), e ‘Gates to Hell’ (do OBITUARY, do clássico ‘Slowly We Rot’, que ganhou um pouco mais de agressividade que a original), em três homenagens às bandas que influenciaram o trabalho do quinteto.
Mais um trabalho honesto, feito na garra e na vontade (pois fazer trabalhos fora do eixo RJ-SP-MG não é algo simples, e muito menos barato, pois não dinheiro não cai do céu), e que merece uma ouvida com carinho e atenção.
Ou meu caro leitor vai cometer o mesmo erro que muitos cometeram entre 1986 e 1989, e só valorizaram o SEPULTURA depois deles serem sucesso lá fora?
Não espere, e vá à luta agora.
Tracklist:
01. Intro
02. Created to Kill
03. Anonymous Hate
04. Red Khmer
05. Dead Shall Rise
06. Paranóia Nuclear/Poluição Atômica
07. Gates to Hell
Formação:
Victor Figueiredo – Vocais
Fabrício Góes – Guitarras e vocais
Heliton Coêlho – Guitarra solo
Alberto Martínez – Bateria
Romeu Tetrus – Baixo
Contatos:
https://www.facebook.com/anonymoushateband
http://www.myspace.com/anonymoushateap
[email protected]
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