Alcest: Solitário projeto do músico francês Niege
Resenha - Les Voyages De L'Ame - Alcest
Por Thiago Pimentel
Postado em 03 de fevereiro de 2012
Nota: 8 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Há cinco anos, o "Alcest" debutava com "Souvenirs D'un Autre Monde". Desde então, o solitário projeto, do músico francês Niege, cresceu; mais um álbum foi lançado - o bem aceito "Ecailles de lune" (2010) -, turnês foram agendadas, uma base global de fãs/ admiradores fora conquistada e, indubitavelmente , o "Alcest" tornou-se o mais próximo de ser, de fato, uma banda.
Não que Neige tenha dividido suas composições; afinal, ele ainda continua a mente produtiva das músicas do "Alcest" compondo e gravando quase todos os instrumentos - apenas a bateria ficara a cargo de outro músico (Winterhalter).
Nas oitos faixas que compõe "Les Voyages De L'Âme", temos um mix de todos os elementos presentes na carreira da banda, que variam desde a psicodelia e melancolia do shoegaze/ post-rock ao desespero do black metal.
Verdade seja dita: o som do "Alcest" nunca foi de fácil assimilação, seja pelo idioma das letras (francês), ou pelas inúmeras variações ao longo das canções. Todavia, a primeira faixa do disco ("Autre Temps") obtem êxito em algo que o "Alcest" não havia conseguido em músicas dos discos anteriores: ser uma composição acessível, um single. Além da acessibilidade, "Autre Temps" é interessante em sua totalidade e consegue agregar diversos elementos característicos a banda.
Tais fatos justificam sua escolha para o primeiro video-clipe do projeto; é uma verdadeira "representação gráfica" da música do "Alcest". Apesar do refrão soar um pouco piegas e previsível - afinal, 'estamos acostumados com um banda não usual' -, os versos mostram o quanto o trabalho vocal de Neige evoluiu e as melodias, como de praxe, seguem belas, melancólicas e, principalmente, nostálgicas - atente a introdução e o momento em que a primeira linha de baixo surge.
"Là Où Naissent Les Couleurs Nouvelles", a segunda música do disco, apresenta grandes variações e passagens em seus quase nove minutos de duração. Os vocais guturais de Niege surgem de forma espontânea, dando dinâmica a composição. A sétima faixa do álbum, a excelente "Faiseurs De Mondes", possui uma estrutura similar a música anteriorimente comentada e, além de sua ótima finalização - extrema e melódica -, também destaca-se pelo seu sublime interlúdio 'limpo' - um tipo de passagem que Neige sempre compôs com maestria, a propósito. O constante contraste entre as passagens das composições citadas - ora 'angelicais', ora agressivas - remeterá, ao ouvinte experiente, o ótimo "Ecailles de lune".
Ainda constam no disco pérolas como a 'viajante' faixa-título - com excelentes partes de canto -, "Nous Sommes L'Emeraude" - boa, mas um pouco inexpressiva no contexto - e a belíssima "Summer's Glory" - atente a sua conclusão que é, simplesmente, um dos melhores momentos de "Les Voyages De L'Âme". Provavelmente, essas três farão alguns ouvintes (familiarizados com a banda) lembrarem-se dos momentos mais 'introspectivos' e psicodélicos de "Souvenirs D'un Autre Monde".
As 'surpresas' ficam por conta das faixas "Being of the Light" - uma longa e inesperada instrumental - e "Havens" - também instrumental, porém breve -; sendo esta última, além de bela, responsável por fazer uma boa 'transição' para a épica e última obra do disco, "Summer's Glory".
"Les Voyages De L'Âme" pode ser resumido - e representado - em uma só palavra: evolução; afinal, Niege conseguiu reunir e harmonizar - com ajuda da excelente produção, obviamente - todos os elementos que já havia trabalhado. O "Alcest", aos poucos, torna-se um fenômeno; sua música pode agradar tanto os ouvintes de vertentes mais extremas do metal, como fãs do experimentalismo do post-rock, por exemplo.
Todavia, "Les Voyages De L'Âme" não é um álbum perfeito e apresenta falhas, sendo a similaridade entre as músicas e o trabalho do tracklist em si, alguns dos exemplos. Pode parecer um mero detalhe, porém o disco, apesar da dita evolução nas composições, não flui tão facilmente e de forma coesa como um "Souvenirs...". Ou seja, pode cansar o ouvinte experiente e, inclusive, afastar um ouvinte casual. Apesar desses detalhes, individualmente, as faixas soam muito bem e, por mais estranho que pareça, esta é a forma como eu aconselho ouvir o álbum: absorvendo gradativamente cada composição.
Esperemos o próximo passo.
Músicas-chave:
"Summer's Glory" ; "Là Où Naissent Les Couleurs Nouvelles" ; "Falseurs de Mondes"
Formação:
Neige - vocais, guitarra, baixo e sintetizadores
Winterhalter - bateria
Tracklist:
1. Autre Temps 05:50
2. Là Où Naissent les Couleurs Nouvelles 08:50
3. Les Voyages de l'Âme 07:00
4. Nous Sommes l'Emeraude 04:20
5. Beings of Light 06:11
6. Faiseurs de Mondes 07:57
7. Havens 02:11
8. Summer's Glory 08:05
Publicado originalmente em:
http://hangover-music.blogspot.com/2012/01/alcest-les-voyages-de-lame.html
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Sepultura esgota ingressos do último show da carreira
Mantas, guitarrista original do Venom, homenageia Cronos
Gary Holt e Mille Petrozza homenageiam Cronos, falecido nesta quinta-feira
Scott Ian (Anthrax) lembra como reagiu quando o Metallica demitiu Dave Mustaine
A banda inglesa que recusou Rock in Rio 1985: "Pessoas decidiram que não era boa ideia"
Mötley Crüe emplaca primeira música no Clube do Bilhão do Spotify
O guitarrista apontado como melhor do mundo que Alex Lifeson não curte: "Não me tocava"
O curioso tema do TCC de Fernanda Lira que professora reprovou e a fez largar a faculdade
Judas Priest fará turnê sul-americana em 2027, segundo o Summa Inferno
As 5 melhores músicas do Metallica que foram gravadas por Cliff Burton, segundo a Revolver
A lenda nordestina que é o Van Halen brasileiro, segundo Rafael Bittencourt
Power to the People, festival organizado por Tom Morello, será transmitido ao vivo
Regis Tadeu explica por que show final do Sepultura foi para um lugar menor
Sociedade Alternativa: Fama proporcional à escassez teórica
A curiosa origem do nome de 5 bandas clássicas do rock nacional
Humberto Gessinger usava recurso teatral para ofender outras bandas como forma de elogio
Alcest anuncia três shows no Brasil em fevereiro de 2027
Iron Maiden: Grata surpresa e despedida perfeita do gigante
Death: Responsáveis por elevar a música pesada a novo nível



