Alcest: Solitário projeto do músico francês Niege

Resenha - Les Voyages De L'Âme - Alcest

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Por Thiago Pimentel
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Nota: 8

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Há cinco anos, o "Alcest" debutava com "Souvenirs D'un Autre Monde". Desde então, o solitário projeto, do músico francês Niege, cresceu; mais um álbum foi lançado - o bem aceito "Ecailles de lune" (2010) -, turnês foram agendadas, uma base global de fãs/ admiradores fora conquistada e, indubitavelmente , o "Alcest" tornou-se o mais próximo de ser, de fato, uma banda.
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Não que Neige tenha dividido suas composições; afinal, ele ainda continua a mente produtiva das músicas do "Alcest" compondo e gravando quase todos os instrumentos - apenas a bateria ficara a cargo de outro músico (Winterhalter).

Nas oitos faixas que compõe "Les Voyages De L'Âme", temos um mix de todos os elementos presentes na carreira da banda, que variam desde a psicodelia e melancolia do shoegaze/ post-rock ao desespero do black metal.

Verdade seja dita: o som do "Alcest" nunca foi de fácil assimilação, seja pelo idioma das letras (francês), ou pelas inúmeras variações ao longo das canções. Todavia, a primeira faixa do disco ("Autre Temps") obtem êxito em algo que o "Alcest" não havia conseguido em músicas dos discos anteriores: ser uma composição acessível, um single. Além da acessibilidade, "Autre Temps" é interessante em sua totalidade e consegue agregar diversos elementos característicos a banda.

Tais fatos justificam sua escolha para o primeiro video-clipe do projeto; é uma verdadeira "representação gráfica" da música do "Alcest". Apesar do refrão soar um pouco piegas e previsível - afinal, 'estamos acostumados com um banda não usual' -, os versos mostram o quanto o trabalho vocal de Neige evoluiu e as melodias, como de praxe, seguem belas, melancólicas e, principalmente, nostálgicas - atente a introdução e o momento em que a primeira linha de baixo surge.

"Là Où Naissent Les Couleurs Nouvelles", a segunda música do disco, apresenta grandes variações e passagens em seus quase nove minutos de duração. Os vocais guturais de Niege surgem de forma espontânea, dando dinâmica a composição. A sétima faixa do álbum, a excelente "Faiseurs De Mondes", possui uma estrutura similar a música anteriorimente comentada e, além de sua ótima finalização - extrema e melódica -, também destaca-se pelo seu sublime interlúdio 'limpo' - um tipo de passagem que Neige sempre compôs com maestria, a propósito. O constante contraste entre as passagens das composições citadas - ora 'angelicais', ora agressivas - remeterá, ao ouvinte experiente, o ótimo "Ecailles de lune".

Ainda constam no disco pérolas como a 'viajante' faixa-título - com excelentes partes de canto -, "Nous Sommes L'Emeraude" - boa, mas um pouco inexpressiva no contexto - e a belíssima "Summer's Glory" - atente a sua conclusão que é, simplesmente, um dos melhores momentos de "Les Voyages De L'Âme". Provavelmente, essas três farão alguns ouvintes (familiarizados com a banda) lembrarem-se dos momentos mais 'introspectivos' e psicodélicos de "Souvenirs D'un Autre Monde".

As 'surpresas' ficam por conta das faixas "Being of the Light" - uma longa e inesperada instrumental - e "Havens" - também instrumental, porém breve -; sendo esta última, além de bela, responsável por fazer uma boa 'transição' para a épica e última obra do disco, "Summer's Glory".

"Les Voyages De L'Âme" pode ser resumido - e representado - em uma só palavra: evolução; afinal, Niege conseguiu reunir e harmonizar - com ajuda da excelente produção, obviamente - todos os elementos que já havia trabalhado. O "Alcest", aos poucos, torna-se um fenômeno; sua música pode agradar tanto os ouvintes de vertentes mais extremas do metal, como fãs do experimentalismo do post-rock, por exemplo.

Todavia, "Les Voyages De L'Âme" não é um álbum perfeito e apresenta falhas, sendo a similaridade entre as músicas e o trabalho do tracklist em si, alguns dos exemplos. Pode parecer um mero detalhe, porém o disco, apesar da dita evolução nas composições, não flui tão facilmente e de forma coesa como um "Souvenirs...". Ou seja, pode cansar o ouvinte experiente e, inclusive, afastar um ouvinte casual. Apesar desses detalhes, individualmente, as faixas soam muito bem e, por mais estranho que pareça, esta é a forma como eu aconselho ouvir o álbum: absorvendo gradativamente cada composição.

Esperemos o próximo passo.

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Músicas-chave:
"Summer's Glory" ; "Là Où Naissent Les Couleurs Nouvelles" ; "Falseurs de Mondes"

Formação:
Neige - vocais, guitarra, baixo e sintetizadores
Winterhalter - bateria

Tracklist:

1. Autre Temps 05:50
2. Là Où Naissent les Couleurs Nouvelles 08:50
3. Les Voyages de l'Âme 07:00
4. Nous Sommes l'Emeraude 04:20
5. Beings of Light 06:11
6. Faiseurs de Mondes 07:57
7. Havens 02:11
8. Summer's Glory 08:05

Publicado originalmente em:
http://hangover-music.blogspot.com/2012/01/alcest-les-voyage...

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Sobre Thiago Pimentel

Tenta, desde meados de 2010, escrever textos que abordem as vertentes da mais peculiar - em seu ponto de vista - manifestação artística do ser humano, a música. Para tal, criou o blog Hangover-Music e contribui no Whiplash.Net. Além disso, é estudante de jornalismo, guitarrista e acredita que se algum dia o Deus metal existira, ele morreu em 13/12/2001.

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