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Deep Purple: "Rainbow com Jon Lord e Ian Paice"

Resenha - Slaves And Masters - Deep Purple

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Por Cássio Pfütz
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Para que você acompanhe meu raciocínio, vamos do começo. Em 1975 o guitarrista do Deep Purple, Ritchie Blackmore, deixou a banda. O motivo era o som do grupo que, sutilmente, ia ganhando uma roupagem de soul, juntamente com o velho rock n' roll. Blackmore, em tese, queria algo mais "roots". Deixando o Purple, montou uma nova banda, o Rainbow. Neste mesmo ano lançaram o disco que desde o nome deixava claro a lideraça do guitarrista: "Ritchie Blackmore's Rainbow". A grande surpresa deste álbum, e desta banda além das composições, que, sim, eram mais "roots", era o dono da voz. O vocalista do Rainbow, até então desconhecido, era Ronnie James Dio. Dono de uma voz que influenciou o metal pra sempre.

O processo de composição do Rainbow era o seguinte: Blackmore fazia as melodias e Dio as letras. Para deixar o disco ainda mais "roots", as letras de Dio traziam temas medievais e fabulosos como dragões, espadas, mágica, feiticeiros, guerreiros, princesas e castelos, que mais tarde também influenciariam diversas bandas de metal. A dupla de composição (e perfeita execução nos palcos) durou 3 álbuns com músicas inéditas e 1 álbum ao vivo. "Ritchie Blackmore's Rainbow" (1975), "Rising" (1976), "On Stage" (1977) e "Long Live Rock n' Roll" (1978).

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Acredite. Em 1978 Blackmore tem uma conversa séria com Dio, dizendo que estava insatisfeito com a temática da banda, e queria que Dio passasse a compor letras mais comerciais para suas melodias. Dio chutou o balde e, certamente indignado, deixou o Rainbow. Após uma rápida escolha para um novo vocalista, um álbum foi lançado no ano de 1979, já mais comercial. Neste mesmo ano, o baixista do Deep Purple, Roger Glover, velho companheiro de Blackmore, entra na banda, dando uma engrossada no caldo do Rainbow. No ano seguinte a banda trocaria de vocalista novamente, conseguindo um vocalista ainda mais comercial, com o rosto ainda mais rosado, do jeito que Blackmore sempre sonhou. O nome deste sujeito é Joe Lynn Turner.

Os discos com Turner são bons. Mas se colocarmos ao lado dos 4 primeiros, podemos ver claramente a drástica diferença no som e na temática da banda. Que era, de fato, o que Blackmore queria. A voz vezes agressiva, vezes sublime, de Dio era muito diferente da voz forte e gemida de Joe Lynn Turner. Com ele, foram gravados 3 álbuns de grande sucesso, quiçá, grande apelo comercial.

Em 1983 o Rainbow acabou. Não havia nenhuma razão aparente além da volta do Deep Purple (com sua formação clássica). Eles lançaram o grandioso "Perfect Strangers"(1984), fizeram shows e em 1987 lançaram "The House of Blue Light". Este último contava com um som mais atualizado. Não chegava a ser comercial. Nas mãos de um quinteto poderoso, o Deep Purple foi brilhante na década de 80. Mas no final dessa mesma década Blackmore e Ian Gillan (vocalista) começaram a ter desentendimentos e Ian resolve deixar a banda (pela segunda vez, sendo a primeira em 1973). Os outros quatro membros permaneceram na banda. Tendo em vista que o Deep Purple, principalmente se tratando da formação clássica, era uma banda em que todos tinham o mesmo peso de importância, nem tudo estava perdido com a saída de Ian. O que precisavam agora era recrutar uma figura para o vocal. O escolha foi Joe Lynn Turner.

O adorável bad boy gravou com a banda o disco "Slaves and Master" em 1990. Esse disco, até os dias de hoje, divide muitas opiniões. Uns adoram: "pensando bem... apenas Ian Gillan não está lá". Outros detestam... "Ian Gillan não estar lá já é o bastante para ser ruim".

O Deep Purple sempre teve composições explosivas e super criativas. Ajudaram a criar o heavy metal junto com Black Sabbath e Led Zeppelin. E, como já disse antes, todos tinham o mesmo valor musical. "Slaves and Masters" podia sim ser um ótimo disco mesmo sem Ian Gillan, mas não é. Infelizmente não. Volto a repetir o mesmo que disse sobre o Rainbow acima: "Slaves and Maters" não é ruim, mas não se compara aos discos anteriores. Atrás de Turner estava o quarteto poderoso que compôs "Smoke on the Water", mas mesmo assim o som parece estar afogado na pop metal do Rainbow de "Stone Cold". O que ninguém para pra pensar é que o baixista do Deep Purple fez parte do Rainbow (na mesma época em que Turner) por isso, de certa maneira, o que prevalece nesta formação é o Rainbow Comercial.

Repito: "Slaves and Masters" não é um álbum ruim. Mas vocês não podem negar: "Slaves and Master" é Rainbow com Jon Lord e Ian Paice.

FAIXAS
01 - King of Dreams
02 - The Cut Runs Deep
03 - Fire in the Basement
04 - Truth Hurts
05 - Breakfast in Bed
06 - Love Conquers All
07 - Fortuneteller
08 - Too Much Is Not Enough
09 - Wicked Ways