Resenha - Mylo Xyloto - Coldplay

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Por Ricardo Seelig
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Nota: 8

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


O Coldplay soa renovado em "Mylo Xyloto". Quinto álbum do quarteto, o disco traz uma banda menos messiânica e com uma saudável dose de alegria e otimismo. O desejo de ser o novo U2 ou uma versão mais pop do Radiohead parece ter ficado para trás. O resultado é um álbum que, ainda que guarde ligações com o passado, aponta para um futuro surpreendente.

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Provavelmente, a principal razão para essa mudança esteja na participação maior dos demais músicos - Jon Buckland (guitarra), Guy Berryman (baixo) e o subestimado Will Champion (bateria) - no processo de composição. Essa descentralização faz com que as principais características de Chris Martin - as melodias grandiosas, os arranjos pomposos - estejam mais contidos, equilibrados por um bem-vindo tempero pop. A banda não conseguiu retornar à sonoridade dos dois primeiros álbuns - "Parachutes" (2000) e o soberbo "A Rush of Blood to the Head" (2002) -, mas isso, pensando bem, nem seria necessário. Ao invés dessa escolha, o grupo soube equilibrar as principais qualidades desses dois discos - as melodias inspiradas adornadas pela instrumentação básica, às vezes quase minimalista - com o que de melhor havia em seus trabalhos mais recentes - "X&Y" (2005) e "Viva la Vida or Death and All His Friends" (2008).

Dessa maneira, ao mesmo tempo em que somos brindados com pequenas jóias pop como "Hurts Like Heaven" - com um agradável tempero oitentista - e "Every Teardrop is Waterfall", há um clima que traz de volta o que o Coldplay fez de melhor em sua carreira em faixas como "Major Minus" e "Charlie Brown", onde instrumentos acústicos constróem a base sobre a qual arranjos cirúrgicos de desenvolvem sem exageros.

No meio disso tudo, a banda entrega, como sempre, composições que tem como elemento principal a melodia, essa caracterísitcas tão em falta no pop atual. E é por essa razão que o Coldplay cativa tanto. Em um mundo onde as batidas do rap são onipresentes e o ritmo puro e simples é o desejo de todos, o Coldplay investe em algo "fora de moda": a construção de harmonias e belas melodias. Um exemplo disso é a bonita "Paradise", uma faixa que, apesar de soar um tanto exagerada em alguns momentos - principalmente no "ôôô" do refrão -, emociona.

Há grandes momentos em "Mylo Xyloto". "Us Against the World" remete a A Rush of Blood to the Head. "Up with the Birds", colaboração da banda com Leonard Cohen, fecha o disco com destaque. As já citadas "Hurts Like Heaven", "Every Teardrop os Waterfall", "Major Minus", "Charlie Brown" e "Paradise" são garantia de satisfação.

A única coisa que soa deslocada em "Mylo Xyloto" é a participação de Rihanna em "Princess of China". A composição, apenas mediana, sobreviveria bem sem a cantora, e a impressão que se tem é que a sua inclusão é muito mais uma tentativa de promover o álbum do que uma escolha artística.

"Mylo Xyloto" é um CD muito bom. Nele, o Coldplay encontrou um equilíbrio entre a sonoridade mais básica de seus dois primeiros álbuns e a grandiosidade pretensiosa de seus mais recentes discos. Dessa mistura saiu um trabalho muito interessante, que mostra que o grupo ainda tem muitas cartas na manga.

Vale - e muito - o play!

Faixas:
Mylo Xyloto
Hurts Like Heaven
Paradise
Charlie Brown
Us Against the World
M.M.I.X.
Every Teardrop is a Waterfall
Major Minus
U.F.O.
Princess of China
Up in Flames
A Hopeful Transmission
Don't Let It Break Your Heart
Up with the Birds


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Sobre Ricardo Seelig

Ricardo Seelig é editor da Collectors Room - www.collectorsroom.com.br - e colabora com o Whiplash.Net desde 2004.

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