Enthroned: Mais um disco de black metal cru e sombrio

Resenha - Pentagrammaton - Enthroned

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Por Paulo Finatto Jr.
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Nota: 9

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Embora possa ser considerada uma das bandas mais conceituadas do black metal internacional, o ENTHRONED nunca conseguiu se desvincular do cenário underground e projetar os seus discos para além do seu tempo. O grupo, que constantemente visita o nosso país e prova a sua importância para o gênero a cada show no Brasil, deve atingir um novo e interessante patamar com o mais recente “Pentagrammaton”. A consistência do novo repertório é nitidamente marcante.
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Com quase dez anos de atividade quase que ininterrupta, os belgas do ENTHRONED possuem um currículo invejável de onze discos e de diversas turnês ao redor do mundo. O grupo, que nunca conseguiu manter uma mesma formação por muito tempo, parece ter encontrado o time de músicos ideal a partir de “Tetra Karcist” (2007), muito bem recebido pela crítica. Normagest (vocal e guitarra), Neraath (guitarra – e que volta à banda após nove temporadas afastado), Phorgath (baixo) e Garghuf (bateria) são os responsáveis por um dos mais crus e sombrios discos de black metal dos últimos anos.

“Pentagrammaton”, que estreia o contrato do quarteto com a Regain Records, atingiu um nível de qualidade técnica (e de produção) muito acima dos demais trabalhos recentes, como “Quantos Possunt ad Satanitatem Trahunt” (2009), do GORGOROTH.

As diferenças do ENTHRONED para as demais bandas de black metal são notáveis como nunca em “Pentagrammaton”. Os riffs de guitarra, que as outras hordas costumam deixar pouco definidos dentro do conceito maior da agressividade e da blasfêmia sonora, soam como o principal diferencial do quarteto belga. Não há nenhuma preocupação por parte de Normagest (que ao vivo é substituído por Tzelmoth para se dedicar somente às vozes) e de Nerrath em expressar os seus instrumentos através de linhas rítmicas indecifráveis. A sonoridade tipicamente clássica do ENTHRONED – mas que conta com um acompanhamento quase sempre veloz e muito técnico – se traduz como a melhor característica do disco. Diferente de muitas outras bandas do gênero, que costumam se preocupar com a sua capacidade de fazer muito barulho (e sem sentido algum), os músicos que assinam “Pentagrammaton” apostam justamente na contramão.

Depois da abertura com “In Missi Solemnibvs”, o ENTHRONED emenda uma sequência certeira de mísseis extremos. “The Vitalized Shell” é aparentemente o primeiro e o principal destaque da obra, já que evidencia a característica do quarteto belga em une o desespero típico do black metal com um instrumental pesado e veloz na medida mais do que certa. A performance de Normagest, que é o novo frontman do grupo desde a saída de Sabathan quatro anos atrás, aparece de maneira impecável em todo o disco, mas em “Rion Rorrim” e em “Ornament of Grace” ela se destaca ao ponto de ser apontada como uma das maiores virtudes do álbum.

O instrumental não é repetitivo e dá a “Pentagrammaton” a aparência de um clássico do black metal. Embora seja um pouco precipitado afirmar isso, não resta adjetivo além de “excelente” para rotular o que o ENTHRONED fez em quarenta e cinco minutos de música. A faixa-título, recheada de influências extremas e variações rítmicas, comprova que existe a possibilidade de se construir um disco rico em detalhes técnicos – mesmo sem que se abria mão das raízes clássicas do gênero. Depois da ríspida “Nehas’t” – a única faixa que não consegue se sobressair ao senso comum ditado no underground –, “The Essential Chaos” é mais uma composição que deve figurar entre os grandes destaques da obra. Por fim, a épica “Unconscious Minds” e a curtíssima “Behemiron” mostram novamente um instrumental coeso e que aposta nas suas características mais tradicionais – os riffs que são pesados sem que necessitem soar sujos ou extremante brutais – como bússola dentro da obra.

As qualidades de “Pentagrammaton” certamente firmam de vez o ENTHRONED no ápice do movimento black metal mundial. Não há necessidade do quarteto belga provar mais nada. O álbum é muito mais do que simplesmente um repertório de onze composições – é, na verdade, um exemplo de como ainda é possível explorar as raízes do black metal sem cair no senso comum. Certamente, esse disco é um dos melhores que o gênero viu nos últimos anos. Comprove você mesmo.

Track-list:

01. In Missi Solemnibvs
02. The Vitalized Shell
03. Rion Riorrim
04. Ornament of Grace
05. Magnvs Princeps Leopardi
06. Pentagrammaton
07. Nehas’t
08. The Essential Chaos
09. Ad Te Clamamvs Exsvles Morvua Liberi
10. Unconscious Minds
11. Behemiron

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Sobre Paulo Finatto Jr.

Reside em Porto Alegre (RS). Nascido em 1985. Depois de três anos cursando Engenharia Química, seguiu a sua verdadeira vocação, e atualmente é aluno do curso de Jornalismo. Colorado de coração, curte heavy metal desde seus onze anos e colabora com o Whiplash! desde 2000, quando tinha apenas quinze anos. Fanático por bandas como Iron Maiden, Helloween e Nightwish, hoje tem uma visão mais eclética do mundo do rock. Foi o responsável pelo extinto site de metal brasileiro, o Brazil Metal Law, e já colaborou algumas vezes com a revista Rock Brigade.

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