Álgida: um registro que vai para muito além da música
Resenha - Dias Cinzas - Álgida
Por Ben Ami Scopinho
Postado em 18 de novembro de 2010
Nota: 8 ![]()
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Oriundo de Caxias do Sul (RS), o Álgida vêm batalhando desde 2005 e, desde que liberou o obscuro EP "Vazio" (08), começou a dar passos concretos para começar a ser reconhecido para além de sua região. A necessidade de expressão é forte e interminável, tanto que agora os gaúchos estão estreando com "Dias Cinzas", lançado graças ao Fundo de Apoio à Produção Artística e Cultural de Caxias do Sul (Financiarte) – o que mostra que nossos impostos também podem ser convertidos em cultura!

E este é um registro que vai para muito além da Música propriamente dita. Atentem para a capa de "Dias Frios"... Essa verticalidade toda é em função de não existir uma caixinha plástica convencional, e sim um livreto, onde as letras desprovidas de esperanças estão profundamente ligadas a ilustrações cheias de detalhes e no melhor estilo HQ. E a coisa não pára por aí, pois, aos olhos mais atentos, todas as figuras fazem parte de uma única imagem gigantesca e que foi dividida ao longo de cada uma de suas 20 páginas.
Como não poderia deixar de ser, tudo permanece entrelaçado ao claustrofóbico rock gótico e alternativo do Álgida. Caracterizado por melodias densas e de arranjos minimalistas, a própria banda admite que nesta nova fase esteja soando menos mórbida ao investir pesado em arranjos melancólicos, e tudo alcança uma frieza ainda maior graças à forte presença vocal de Elias Hoffmann, cuja contribuição para o resultado final é fundamental em "Dias Cinzas".
São 16 faixas, incluindo as cinco do já citado EP "Vazio" – "Flores do Mundo" continua sendo uma bela canção! – que foram remodeladas para este debut. "Seus Braços", "Dias Cinzas", "Onda do Fim" e "Frio" são claros exemplos de como o Álgida está sintonizado com a apatia e desesperança, sentimentos típicos de tantos seres humanos que se encontram perambulando por estes tempos considerados modernos...
Um belo disco, carregado e sorumbático. Mas há algo que pode vir a dividir algumas opiniões e causar algum desconforto: como o Álgida não mais conta com um baterista, optou-se por usar uma dessas baterias programadas, cujo som ficou por demais ‘sintético’ e deslocado do restante do áudio. Enfim, talvez um ajuste para se pensar no futuro...
O Álgida sempre declarou sua devoção por ícones como The Cure, Bauhaus, Joy Division, The Sisters Of Mercy, Placebo e The Smashing Pumpkins, que são influências perceptíveis ao longo dos mais de 65 minutos de audição. Mas "Dias Cinzas" não merece ser apenas ouvido. Tudo se torna ainda mais instigante se acompanharmos as letras, viajarmos pela decadente cidade e conhecermos seus personagens ilustrados no livreto. Naturalmente tendo um bom vinho ao lado da poltrona... E se for uma noite de chuva, então!
Contato:
http://algidabanda.wordpress.com/
http://www.myspace.com/algidabanda
Formação:
Elias Hoffmann - voz
Diego Embarach - guitarra
Anderson Aguzzoli - baixo e programações
Andrius Wagner - teclado e programações
Álgida - Dias Cinzas
(2010 / apoio da Financiarte de Caxias do Sul)
01. Seus Braços
02. Vazio
03. Tiresia
04. Delírio
05. Dias Cinzas
06. Requiem
07. Súdito Fiel
08. Flores do Mundo
09. Cada vez mais Longe
10. A Palavra
11. Deserto Urbano
12. Onda do Fim
13. Photon (instrumental)
14. Vultos
15. Frio
16. Ao Amanhecer
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