Bangalore Choir: hard puro, guitarras e refrões grudentos
Resenha - Cadence - Bangalore Choir
Por Marcelo Vieira
Postado em 10 de novembro de 2010
Não sei se a máxima "uma coisa leva à outra" se aplica neste caso, mas é coincidência demais que pouco após o lançamento de seu primeiro CD solo, Universal Language, o vocalista David Reece tenha entrado em contato com seu ex-colega de Bangalore Choir, o guitarrista Curt Mitchell, a fim de, quase vinte anos depois, retomar as atividades da banda. Mitchell não pensou duas vezes e aceitou o desafio. Para completar a nova encarnação do Choir foram chamados o baixista Danny Greenberg, o baterista Hans Zandt e um segundo guitarrista, o ex-U.D.O. Andy Susemihl.

Quando anunciou o lançamento de Cadence para o dia 24 de setembro via Metal Heaven – mesmo selo que relançou o clássico On Target (1992) em abril passado –, o quinteto prometeu um disco que seguisse a mesma fórmula, ou seja, hard rock puro comandado por guitarras sem esquecer, obviamente, dos refrões grudentos do tipo – longe de querer parafrasear coisa ruim – "pra você e eu e todo mundo cantar junto". A confirmação disso veio em julho quando as primeiras samples do novo álbum foram disponibilizadas online, mas somente agora temos o "real deal" em mãos para uma avaliação mais precisa.
"Wahzoo City" é uma introdução instrumental perfeitamente dispensável que prepara (mal) o terreno para as guitarras pesadas de "Power Trippin’", que também traz um ótimo refrão. A coisa esquenta com a dobradinha "Martyr" –que parece ter vindo diretamente do início dos anos 90 –, e "Living Your Dreams Everyday" – essa com uma pegada mais atual, mas ainda assim, excelente; e pega fogo de vez com "Survival of the Fittest" – que pelo que eu entendi da letra, fala sobre sobrevivência na indústria musical, com uma perspectiva pouco aquém da realidade vivida pelo Choir com o surgimento do grunge.
Em "Tomorrow" o poder de fogo de todos os integrantes é colocado à prova. Reece finalmente sobe o tom – sem dececpcionar! – e Greenberg mostra competência na melhor levada de baixo do disco. "Heart Attack & Vine" lembra Gotthard, o que pode ser traduzido em qualidade garantida – aliás, uma ressalva: ouvintes mais atentos farão tal associação em vários momentos ao longo dos 49 minutos do play. Baladinha – item indispensável em qualquer trabalho do gênero hard rock –, "Still Have a Song to Sing" é uma verdadeira lição sobre motivação e como manter viva a fé mesmo nos momentos mais difíceis.
Eis que chega "Dig Deep", que é talvez a menos comercial de todas as faixas do disco, mas não tem como não ficar de queixo caído diante de tanto vigor – composição de extremo bom gosto, com show a parte de Reece. "Never Say Goodbye" mantém o alto nível com doses moderadas de modernidade... e mais uma vez o Choir cumpre a promessa de refrães grudentos. Os segundos iniciais de "Sweet Temptation" lembram "Tattooed Millionaire", mas as semelhanças com o hit de Bruce Dickinson começam e terminam aí mesmo. Novamente, o refrão é o ponto alto da música. Na reta final temos as medianas (apesar dos guitarworks nota 10) "High on the Clouds" e "Spirits Too They Bleed" e um encerramento com gostinho de "quero mais" em "Surrender All Your Love". Aí o jeito é colocar o CD para rolar de novo... e de novo... e...
Cadence é mais uma prova de que 2010 está sendo um dos melhores anos para o público hard rocker do século XXI e com certeza tem lugar garantido no Top 10 que farei em dezembro. Bem-vindo de volta, Bangalore Choir!!!
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