Foghat: maravilhoso mergulho de cabeça na tradição do blues
Resenha - Last Train Home - Foghat
Por Ben Ami Scopinho
Postado em 12 de julho de 2010
Praticamente desconhecido do público brasileiro, o Foghat conquistou uma parcela de fãs que lhe permanece fiel em muitos países ao redor do planeta até os dias de hoje. Ainda que fosse inglês, o começo de sua carreira passou despercebido em sua terra natal e o pessoal se mandou para os Estados Unidos, onde a coisa começou a acontecer de forma consistente, a partir da estréia com seu disco auto-intitulado em 1973.

A formação considerada clássica contava com o vocalista e guitarrista Dave Peverett, o baterista Roger Earl (ambos fizeram parte do Savoy Brown), o guitarrista Rod Price e o baixista Craig MacGregor. Os anos 1970 mostraram o quarteto inspiradíssimo com seu Blues acelerado e pesadão, quase Hard Rock – o famoso Boogie! – em álbuns que venderam milhões de cópias. Mas o mercado em constante mutação instigou o Foghat a tentar acompanhar os novos tempos, e a década seguinte foi marcada por discos mais acessíveis que fatalmente afastou boa parte de seu público.
Nestes dias tão conturbados, o insistente baterista Earl carregou o Foghat com a ajuda de vários outros músicos, mas a química do passado estava à deriva e a toalha foi jogada ao chão em 1989. Ainda que o velho quarteto tenha novamente se reunido em 1994, o destino foi implacável com o carismático vocalista Lonesome Dave Peverett, que cedeu ao câncer e faleceu em 2000; e um ataque cardíaco fez com que Rod Price também seguisse o rumo de seu amigo em 2005, levando consigo aquele som tão bonito que tirava de sua guitarra slide.
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Mas esses são dramas do passado para situar o leitor acerca da trajetória do Foghat. Há alguns anos sua mais recente encarnação conta com o vocalista Charlie Huhn (Ted Nugent, Gary Moore, Victory) e o velho camarada e guitarrista Bryan Bassett (famoso por ser da formação do Wild Cherry, que gravou o mega hit "Play That Funky Music" em 1976, além de ter passado pelo Molly Hatchet), novos e devotados companheiros que, aos poucos, vem ajudando a afastar o Foghat do estigma de ser uma banda-tributo de si mesma.
Quanto à "Last Train Home", seu embrião começou a se desenvolver em 1977, quando o Foghat, ao lado de ícones como Muddy Waters, John Lee Hooker, Johnny Winter, Pinetop Perkins, Paul Butterfield, Honey Boy Edwards, Otis Blackwell e Eddie Kirkland, encabeçou um projeto beneficente no Paladium de New York, visando à criação e organização de um arquivo voltado ao Blues para a Public Library da cidade.
Mas o projeto ficou apenas na idéia... Earl e Lonesome Dave vinham protelando este álbum desde então, mas agora a ocasião parece ter se revelado adequada, inclusive pelo fato de os integrantes mais recentes também serem apaixonados pelo Blues – sentimento que se estende aos vários convidados, a começar por Jeff Howell (Savoy Brown, The Outlaws), que gravou o baixo no lugar de Craig MacGregor, que estava com alguns compromissos pendentes; além de Colin Earl (irmão do próprio baterista) assumir o piano e Lefkowitz Lefty se encarregar da harmônica.
O título "Last Train Home" é perfeitamente adequado, pois pelo repertório há várias músicas abordando a vida nas estradas. Musicalmente, é um maravilhoso mergulho de cabeça na tradição do blues, com composições dos mestres que influenciaram gerações, além das sempre indispensáveis canções de autoria do próprio Foghat. As gravações foram muito descontraídas e todo o alto-astral é uma constante ao longo da audição, a começar pela espetacular abertura "Born For The Road", com as influências do escaldante Rock´n´Roll nas ótimas guitarras de Bassett e o desempenho emocional do vocalista Charlie Huhn honrando o de seu antecessor.
Além das outras faixas inéditas do Foghat - "Last Train Home" e "495 Boogie" (relembrando uma multa por alta velocidade pelas rodovias norte-americanas) - os covers são ótimos, em especial pela presença de "Shake Your Money Maker" e "It Hurts Me Too", de Elmore James, outro influente slide guitar; além, é claro, que nunca poderia faltar algo de Muddy Waters, aqui representado pela gostosa "Louisiana Blues". Mas a ocasião palpável em alegria é a presença do vocalista e guitarrista de 86 anos de Detroit, Eddie Kirkland, em "In My Dreams" e "Good Good Day", que encerram a audição com chave de ouro.
"Last Train Home" mostra um pouco da herança que o Blues deixou para a posteridade, e que o novo Foghat compartilha com o público, firme em sua jornada pelas estradas – ou trilhos? – do Rock´n´Roll. Discaço! Ok, resenha encerrada... Agora só resta a este que vos escreve retornar aos velhos vinis do Foghat e novamente repassar, um a um, cada uma destas pérolas, bem acompanhado pelo que restou desta garrafa de Alabastro. Vinho e Música... Será um belo final de tarde, com certeza!
Contato: www.foghat.net
Formação:
Charlie Huhn - voz e guitarra
Bryan Bassett - guitarra
Craig MacGregor - baixo
Roger Earl - bateria
Foghat - Last Train Home
(2010 / Foghat Records - importado)
01. Born For The Road (Foghat)
02. Needle & Spoon (Savoy Brown)
03. So Many Roads, So Many Trains (Otis Rush)
04. Last Train Home (Foghat)
05. Shake Your Money Maker (Elmore James)
06. It Hurts Me Too (Elmore James)
07. Feel So Bad (Chuck Willis)
08. Louisiana Blues (Muddy Waters)
09. 495 Boogie (Foghat)
10. Rollin’ & Tumblin’ / You Need Love (Willie Dixon)
11. In My Dreams (Eddie Kirkland)
12. Good Good Day (Eddie Kirkland)
Nota: 08
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