Tipton, Entwistle & Powell: álbum que merece mais atenção

Resenha - Edge Of The World - Tipton, Entwistle & Powell

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Por Doctor Robert
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Antes que possa surgir alguma dúvida: não, esta resenha não trata de um lançamento recente. Na verdade, “Edge Of The World” foi o segundo álbum solo do guitarrista Glenn Tipton – o primeiro, “Baptizm Of Fire”, havia sido lançado em 1997, e este, embora tenha sido gravado antes daquele, foi lançado em março de 2006. Por que então tratar de algo passado tanto tempo? Simples: mesmo que não seja nenhuma obra-prima, um álbum que traz uma gravação reunindo quatro grandes nomes (e por que não lendas?) do rock, como é o caso aqui, não deveria ter passado em branco. Coisas de um mercado fonográfico onde o rock acaba ficando em segundo plano.
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Recapitulando rapidamente a história: em 1992, Rob Halford anuncia que está deixando o Judas Priest. Seu substituto, Tim “Ripper” Owens, só seria escolhido em 1996, e só então o Judas retomaria suas atividades, tendo o álbum “Jugulator” lançado no ano seguinte. Neste hiato, Glenn Tipton resolve levar gravar um álbum solo. Conforme admitiu em algumas entrevistas, quando compõe, ele mesmo grava as linhas vocais nas demos para apresentar aos seus companheiros de banda, o que acabou o levando naturalmente a cantar em seu projeto. Se a voz e as guitarras ficariam por sua conta, faltava selecionar quem mais o acompanharia na empreitada.

Pois bem, Tipton conseguiu reunir um time de primeiríssima: no baixo, ninguém menos que John Entwistle, do The Who; na bateria, Cozy Powell, que já havia tocado com Rainbow, Whitesnake, ELP, Black Sabbath e Brian May (entre muitos e muitos outros); nos teclados, o convidado foi Don Airey, ex-Rainbow e Ozzy Osbourne, hoje no Deep Purple. Com esse line-up acima de qualquer suspeita, o álbum foi gravado e apresentado à gravadora Atlantic Records, nos idos de 1993/94. Os executivos desta, entretanto, preferiram engavetar o projeto, por considerá-lo muito “velha guarda”, devido não só à sonoridade, mas principalmente aos nomes envolvidos (apenas lembrando, estávamos nos tempos áureos do grunge, e tudo o que as gravadoras queriam era algo que soasse novo, moderno). Foi então feita a sugestão a Tipton de recrutar músicos mais novos para gravar outro material, na tentativa de captar novas ideias para compor seu som. Nesse contexto, veio ao mundo “Baptizm Of Fire”, e “Edge Of The World” acabou sendo jogado para escanteio.

Mais de dez anos se passaram e em 2006 enfim veio à luz o tal registro. Nesse meio tempo, tanto Powell quanto Entwistle já haviam falecido. Conforme declaração do próprio Tipton, “Edge Of The World” adquiriu então um sabor de homenagem a estes saudosos e talentosos músicos. Sem falar no caráter beneficente da obra, visto que toda a renda obtida com ele ficou acordada em ser revertida em favor da Teenage Cancer Trust, uma associação britânica que cuida de adolescentes com câncer, como o próprio nome diz.

E quanto ao som em si? Como soa, afinal, o álbum? Pois bem, caso alguém espere algo parecido com o som do Judas Priest, pode esquecer. O mais próximo que se chega é justamente o timbre de guitarra cortante característico dele. Fora isso, sua voz é bem diferente da de Rob Halford. E como temos aqui uma salada de músicos de estilos mais variados dentro do rock, obviamente o resultado seria bem diferente do metal praticado por eles. Uma boa mistura de hard rock clássico, com toques de AOR, grandes arranjos de guitarra e uma certa dose de teclados. Pena que John Entwistle tenha se destacado pouco, ao contrário do que costumava mostrar no The Who, onde constantemente roubava a cena, em termos musicais.

Alguns destaques ficam por conta de canções como “Friendly Fire” (com um grande riff de introdução e uma ótima levada de bateria), “The Holy Man” e “Resolution”. Em “Searching”, Tipton mostra suas habilidades no violão, bem como na balada “Crime Of Passion”. O baixo de John Entwistle ganha o devido destaque na boa “Walls Cave In” e em “Give Blood” (que, exceto pela introdução risível, é outro bom momento). E não deixa de ser curioso ouvir a inclusão de metais sintetizados na ótima faixa “Stronger Than The Drug” – alguém imaginaria algo do tipo envolvendo um músico do Judas?

Ok, digamos que o resultado final acaba não sendo tudo o que se espera, já que a expectativa em torno de um trabalho envolvendo tantos grandes nomes é muita. Em parte, talvez, pelos vocais de Tipton não serem exatamente tão fortes quanto as canções pudessem exigir – não que ele cante mal, mas quem sabe não fosse o caso de recrutar uma voz mais potente para o serviço... De qualquer forma é um material bem agradável de se ouvir, e vale a pena dar uma boa e cuidadosa conferida, não apenas para os fãs dos músicos envolvidos, mas também pelos fãs de rock e metal com a mente mais aberta.

1. Unknown Soldier
2. Friendly Fire
3. The Holy Man
4. Never Say Die
5. Resolution
6. Searching
7. Give Blood
8. Crime Of Passion
9. Walls Cave In
10. Edge Of The World
11. Stronger Than The Drug

Glenn Tipton – vocais e guitarra
John Entwistle - baixo
Cozy Powell - bateria
Don Airey - teclados

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Sobre Doctor Robert

Conheceu o rock and roll ao ouvir pela primeira vez Bohemian Rhapsody, lá pelos idos de 1981/82, quando ainda pegava os discos de suas irmãs para ouvir escondido em uma vitrolinha monofônica azul. Quando o Kiss veio ao Brasil em 1983, queria ser Gene Simmons e, algum depois, ao ver o clipe de Jump na TV, queria ser Eddie Van Halen. Hoje é apenas um bom fã de rock, que ouve qualquer coisa que se encaixe entre Beatles e Sepultura, ama sua esposa e juntos têm um cãozinho chamado Bono.

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