Apocalypse: longe do progressivo chato e pretensioso

Resenha - Bridge Of Light - Apocalypse

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Por Fernão Silveira
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Seria difícil haver uma maneira mais adequada de comemorar os 25 anos de estrada do APOCALYPSE do que "The Bridge Of Light", o décimo trabalho da carreira destes gaúchos de Caxias do Sul, que formam uma das bandas mais antigas e sólidas de rock progressivo do Brasil, com ampla divulgação no exterior - o mais recente álbum foi lançado em toda Europa e Ásia pela Musea Records, a gravadora francesa que desde os anos 90 conta com o grupo em seu cast.

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"The Bridge Of Light" foi gravado ao vivo no Teatro da Universidade de Caxias do Sul, em novembro de 2006, e é dividido em duas partes distintas: "Act I", com as faixas "Next Revelation", "Dreamer", "Last Paradise", "Ocean Soul", "The Dance of Dawn" e "Meet Me"; e "Act II", que traz a suíte conceitual "The Bridge Of Light", dividida em sete partes, narrando a história do garoto órfão Jimmy e seu fiel amigo Z14, que procuram por respostas existenciais num velho parque abandonado.

O disco é intenso, cheio de nuances, mas está longe daquele "progressivo chato", pretensioso, feito de virtuoses para virtuoses. Embora as influências de bandas como YES, KING CRIMSON e mesmo DREAM THEATER sejam evidentes, o APOCALYPSE esbanja maturidade e autonomia. E o fato de todo o álbum ser executado ao vivo - aliás, outra característica muito comum dentro do gênero - dá um tom mais "aconchegante" e espontâneo ao trabalho.

O Ato I permite uma audição mais relaxada, trazendo músicas que exibem com fidelidade toda a categoria de Gustavo Demarchi (vocal e flauta), Ruy Fritsch (guitarra), Magoo Wise (baixo), Eloy Fritsch (teclados), Chico Fasoli (bateria) - como "Ocean Soul" e "Last Paradise", terminando na agradável "Meet Me".

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"Wake Up Call" abre o Ato II, conceitual, trazendo uma flauta celta e climas de teclado capazes de levar ao delírio os fãs da excentricidade progressiva. Mas não é só: "Escape", "Meeting My Earthcrubbs" (com sua deliciosa levada à la JETHRO TULL ) e "Follow the Bridge" são os pontos altos na história de Jimmy e Z14, contada com muita criatividade pelo APOCALYPSE.

Outro ponto de "The Bridge Of Light" que vale a pena ser destacado é o cuidado com o trabalho gráfico. A banda gaúcha entregou as artes a Robson Piccin (que já emprestou sua criatividade a nomes como LUMINA, ETERNAL MALEDICTION, HEVILAN e SYMMETRYA), a quem coube amarrar graficamente toda a viagem contida nas músicas do quinteto de Caxias.

O pacote final de "The Bridge Of Light" resulta num trampo à altura do potencial e das pretensões do APOCALYPSE, uma banda que precisa ser conhecida e explorada pelos fãs do bom rock progressivo.

"The Bridge Of Light" - APOCALYPSE

Act I
01. Next Revelation
02. Dreamer
03. Ocean Soul
04. Last Paradise
05. The Dance of Down
06. Meet Me
Act II
07. Wake Up Call...
08. ...To Madeleine
09. Escape
10. Welcome Outside
11. Meeting Me Earthcrubbs
12. Follow The Bridge
13. Not Like You

Gravadora: Freemind Records (nacional)

Site da banda:
http://www.apocalypseband.com/


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Sobre Fernão Silveira

Paulistano, são-paulino, nascido nos "loucos anos 70" (1979 ainda é década de 70, certo?) e jornalista. Sua profissão já o levou a cobrir momentos antológicos da história da humanidade, como o título paulista do São Caetano, a conquista da Copa do Brasil pelo Santo André, a visita de Paris Hilton a São Paulo e shows de bandas como Judas Priest, Whitesnake, W.A.S.P., Megadeth, Slayer, Scorpions, Slipknot, Sepultura e por aí vai. Ainda tem muito gás para o nobre ofício jornalístico, mas acha que não vai muito mais longe depois de ter entrevistado Blackie Lawless, Glenn Tipton, Rogério Ceni e, claro, Paris Hilton.

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