Vilipêndio: é muita realidade para um disco só

Resenha - Um Segundo de Glória - Vilipêndio

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Por Fernão Silveira
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Velho conhecido da cena underground no Rio de Janeiro, o VILIPÊNDIO ataca com verdades nuas e cruas em "Um Segundo de Glória", seu segundo trabalho de estúdio, no qual predomina uma levada punk (com algumas pitadas de metal e hardcore) sobreposta a versos da mais genuína urbanidade. A crítica social e o sarcasmo dos roqueiros cariocas tornam a música compreensível e aplicável à realidade cotidiana de qualquer grande cidade do nosso judiado Brasil.
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"Um Segundo de Glória" foi gravado em 2005, quatro anos após o debute com "15 Abismos" (independente). Na época de concepção do segundo trabalho, a banda tinha em seu frontline os líderes Marcio Bukowski (guitarra e baixo) e Ricardo Caulfield (vocal) ao lado de Thiago Sobral (guitarras), Marcelo Ramiro (baixo) e Nilson Guimarães (bateria) – em 2006, após uma reformulação, o conjunto passou a contar com Marcio (baixo), Ricardo (vocal), Thiago (guitarra) e Alex Fersan (bateria).

O que o ouvinte rapidamente percebe em "Um Segundo de Glória" é o amadurecimento da banda. Embora ainda chamem a atenção por aquele furor juvenil do punk rock politizado, as letras e o som são mais inteligentes e trabalhados. A poesia de Ricardo, embora nem sempre ajude muito na harmonia das músicas, dá uma cara toda particular ao VILIPÊNDIO. Entretanto, é preciso lembrar que no punk rock a atitude conta muito mais do que a melodia e o rigor técnico.

A guitarra furiosa de Thiago e o baixo pulsante de Marcio garantem o clima para os versos duros e realistas - ora recitados, ora despejados – de Ricardo. As letras gravitam apropriadamente em torno do descaso público com a saúde e a segurança, as drogas, a fragmentação da família, a futilidade das relações, a marginalidade e o caos urbano. Na temática das canções e na atitude do som, o VILIPÊNDIO desfila confortavelmente entre o velho (e bom) TITÃS e a língua afiada de caras como Mano Brown, dos RACIONAIS MC's. Nada mais urbano!

Dentre as 12 faixas do CD, destaques para a saga de João H – contada em duas músicas, "A História de João H (A Lenda)" e "A História de João H (A Verdade)", que revelam que o suposto serial killer não passa de um doente mental que virou bode expiatório para a polícia do Rio "solucionar" diversos assassinatos -, para a politizada "Os Excluídos", para a triste e verdadeira "A Saga de um Hospital Público" e para a totalmente non-sense "Mulheres Apaixonadas Não Entram em Açougues".

Sem exageros, "Um Segundo de Glória" está entre o jornalismo sanguinolento do falecido tablóide "Notícias Populares" e a crônica urbana de Aluísio Azevedo na obra-prima "O Cortiço" (leitura obrigatória nas aulas de Literatura do ginásio). É muita realidade para um disco só.

"Um Segundo de Glória" - VILIPÊNDIO

1 – Shangri-lá
2 - A História de João H (A Lenda)
3 – Gosto de Chegar Atrasado
4 – Por Motivos Banais
5 – Mulheres Apaixonadas Não Entram em Açougues
6 – Os Excluídos
7 – As Cores da Rotina
8 – Fantoches da Mídia
9 – Anestesiado
10 – A Saga de um Hospital Público
11 - A História de João H (A Verdade)
12 – Não Existem Acidentes

Gravadora: Covil Records

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Sobre Fernão Silveira

Paulistano, são-paulino, nascido nos "loucos anos 70" (1979 ainda é década de 70, certo?) e jornalista. Sua profissão já o levou a cobrir momentos antológicos da história da humanidade, como o título paulista do São Caetano, a conquista da Copa do Brasil pelo Santo André, a visita de Paris Hilton a São Paulo e shows de bandas como Judas Priest, Whitesnake, W.A.S.P., Megadeth, Slayer, Scorpions, Slipknot, Sepultura e por aí vai. Ainda tem muito gás para o nobre ofício jornalístico, mas acha que não vai muito mais longe depois de ter entrevistado Blackie Lawless, Glenn Tipton, Rogério Ceni e, claro, Paris Hilton.

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