Shaman: ter mudado de nome teria sido melhor solução?

Resenha - Immortal - Shaman

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

Por Maurício Dehò
Enviar correções  |  Comentários  | 

Nota: 8

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


É muito fácil chegar ao novo Shaman cheio de preconceitos: "sem o Andre Matos?", "querendo soar como o 'Ritual'?", "como o Confessori sozinho vai dar conta?". Depois de um longo tempo passado do lançamento, chegou a minha vez de ouvir "Immortal", o terceiro disco daquela mesma banda que se originou das brigas do Angra, que fez sucesso com "Ritual" como Shaman, gerou protestos em "Reason" já chamada de Shaaman, e que agora mudou de vez.
5000 acessosMas afinal... o que é rock progressivo?5000 acessosRoger Moreira: resposta bem humorada a "crítica" no Agora é Tarde

A contragosto de seus ex-colegas – Matos e os irmãos Mariutti -, o baterista Ricardo Confessori aproveitou o fato de deter o nome do grupo e resolveu dar sobrevida à banda chamando bons nomes da cena brasileira: Thiago Bianchi na voz e assinando a co-produção com o líder, o excelente guitarrista Leo Mancini (ex-Tempestt) e Fernando Quesada no baixo. Tudo bem, "Immortal" é bom, muito bom. Mas, mesmo com algumas lembranças bem pontuais do Mystic Metal do Shaman original, a personalidade daquele grupo ficou para trás e ter mudado de nome teria sido a melhor solução.

O maior desafio superado por Confessori foi na composição, uma vez que Andre Matos tem grande talento para a coisa, além de sempre contar com pelo menos três mãos na parte de teclas: ele próprio, Miro e Fábio Ribeiro, todos talentosos, sem dúvida. Mas o baterista resolveu seu problema com apenas um nome: Fabrízio di Sarno (Angra, Dianno, Karma, Symbols). Explicando, ele não faz parte da formação do grupo, mas foi responsável por todos os teclados, orquestrações, programações e até a regência da parte de orquestra real usada (Osesp). E, se todos os músicos do novo Shaman são ótimos individualmente, quem se sobressai a todos é Di Sarno, que co-assinou com a banda todos os arranjos e soube dar um acabamento nas músicas que fez total diferença, enriquecendo os 45 minutos de 'play'.

Coube a ele, por exemplo, a introdução "Renovatti", que se não é das mais memoráveis – talvez seja pelo fato de ser longa -, tem uma execução de primeira. A faixa de abertura, "Inside Chains", também não impressiona – por sinal, o primeiro solo do disco é de teclado, coincidência ou não. O uso das teclas e dos efeitos foi extenso, já se repara neste princípio.

E é a partir da pesada "Tribal By Blood" que "Immortal" pega no embalo. Barulhento, Leo Mancini mostra porque pode ser considerado um dos grandes nomes da nova geração brazuca, os teclados são certeiros mais uma vez, dando o tom da música, e Confessori (com sua bateria bem destacada na produção) mostra que não perdeu o fôlego de tempos atrás, mandando ver no bumbo duplo. Até então, nada de lembranças místicas, o que aparece pela primeira vez na faixa-título, visivelmente composta a partir de uma linha de bateria. O "mystic" fica pelo começo e a parte central da faixa, com barulhos naturais e narrações exóticas, com participação até de um Xamã de verdade.

A influência do disco "Ritual" vem ainda mais clara em "One Life", totalmente na linha de "For Tomorrow", começando no violão e na flauta e partindo para trechos mais pesados, num dos momentos mais interessantes do disco, com destaques gerais. Leo, virtuosíssimo no solo, faz belo dueto com Quesada. Além do refrão grudento e a boa interpretação de Bianchi, indo dos agudos limpos a trechos mais rasgados, os arranjos e o uso de teclados mais uma vez são os elementos que transformaram uma boa faixa em algo além disso. O mesmo acontece em "In the Dark", que de uma balada comum acabou recebendo trechos orquestrais e até de harpa e virou uma música realmente emocionante.

O momento "água-com-açucar" é encerrado prontamente com o alucinante riff inicial de "Strenght", que é um Metal Melódico mais básico, acelerado, mas também muito bom. O que ficou aquém no nível foi o uso dos backing vocals, que pedem um bocado mais de agressividade. Se Leo já deixa o ouvinte boquiaberto no início, o solo com uma pegada mais de Blues também surpreende.

Já fechando o disco, "Freedom" não traz grandes novidades e tem um refrão bem memorável, assim como "Never Yield!", esta sim mais um destaque. "The Yellow Brick Road" é mais uma bela balada, levada no violão e se destaca pelo uso da percussão, dando um leve toque étnico, na linha que lembra o clássico "Holy Land", como muito já se falou.

"Immortal" é sim um grande disco e mostra que Confessori soube juntar bem seus cacos, dar a volta por cima e voltar à cena em grande estilo – como também o fizeram, cada um a seu tempo, Angra e Andre Matos após as separações. Agora tem de se esperar para ver se o lado mais místico foi apenas por conta de uma transição da banda ou se esta é realmente a cara do Shaman para seus próximos discos.

É verdade que o nome poderia ter mudado, deixando aquele antigo Shaman descansando em paz. Mas também é fato que o trabalho é bom nos níveis do que o batera fez com seus velhos companheiros, colocando o álbum entre os melhores do ano (2007). Portanto, quem ainda não experimentou, é hora de deixar os preconceitos de lado e dar uma chance, ao menos, ao novo Shaman, que além do velho Confessori, traz novos nomes que fazem parte da nata da nova geração.

Formação:
Ricardo Confessori – bateria
Thiago Bianchi – vocal
Leo Mancini – guitarra
Fernando Quesada – baixo

Track list:
1. Renovatti - 02:59
2. Inside Chains - 04:24
3. Tribal By Blood - 04:18
4. Immortal - 05:54
5. One Life - 05:04
6. In The Dark - 04:18
7. Strenght - 04:17
8. Freedom - 04:44
9. Never Yield - 04:47
10. The Yellow Brick Road - 08:18

Lançamento Nacional – Thurbo Music / 2007

GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

Outras resenhas de Immortal - Shaman

4305 acessosShaman: mais que gritos agudos e solos intermináveis5000 acessosShaman: identidade original com idéia do renascimento5000 acessosShaman: após as indefinições, brigas e incerrtezas5000 acessosShaman: ritual continua, diferente, mas continua

Os comentários são postados usando scripts e logins do FACEBOOK, não estão hospedados no Whiplash.Net, não refletem a opinião dos editores do site, não são previamente moderados, e são de autoria e responsabilidade dos usuários que os assinam. Caso considere justo que qualquer comentário seja apagado, entre em contato.

Respeite usuários e colaboradores, não seja chato, não seja agressivo, não provoque e não responda provocações; Prefira enviar correções pelo link de envio de correções. Trolls e chatos que quebram estas regras podem ser banidos. Denuncie e ajude a manter este espaço limpo.

0 acessosTodas as matérias e notícias sobre "Shaman"

Café com ÓcioCafé com Ócio
Os melhores discos do Metal Nacional de 2000 a 2010

NoturnallNoturnall
Aquiles nega qualquer rivalidade com Confessori

Ricardo ConfessoriRicardo Confessori
"O Shaman foi o ápice da nossa carreira"

0 acessosTodas as matérias da seção Resenhas de CDs e DVDs0 acessosTodas as matérias sobre "Shaman"

UmmagummaUmmagumma
Desentendimentos e confusões... o que é rock progressivo?

Roger MoreiraRoger Moreira
Resposta bem humorada a "crítica" no Agora é Tarde

Thin LizzyThin Lizzy
"Whiskey in the Jar" já era cantada há centenas de anos

5000 acessosMetallica: corrigindo a injustiça contra Jason Newsted5000 acessosZakk Wylde: foto do arsenal de guitarras do músico5000 acessosLed Zeppelin: "Stairway To Heaven" vale mais de US$500 milhões?5000 acessosThe Big 4: como as quatro bandas elaboraram sua jam5000 acessosUruca: Os 9 mais azarados da história do Rock5000 acessosLed Zeppelin: 200 milhões nos últimos 5 anos, a coleção de discos de Page

Sobre Maurício Dehò

Nascido em 1986, é mais um "maidenmaníaco". Iniciou-se no metal ao som da chuva e dos sinos de "Black Sabbath", aos 11 anos, em Jundiaí/SP. Hoje morando em São Paulo, formou-se em jornalismo pela PUC e é repórter de esportes, sem deixar de lado o amor pela música (e tentando fazer dela um segundo emprego!). Desde meados de 2007, também colabora para a Roadie Crew. Tratando-se do duo rock/metal, é eclético, ouvindo do hard rock ao metal mais extremo: Maiden, Sabbath, Kiss, Bon Jovi, Sepultura, Dimmu Borgir, Megadeth, Slayer e muitas, muitas outras. E é de um quarteto básico que espera viver: jornalismo, esporte, música e amor (da eterna namorada Carol).

Mais matérias de Maurício Dehò no Whiplash.Net.

Whiplash.Net é um site colaborativo. Todo o conteúdo é de responsabilidade de colaboradores voluntários citados em cada matéria, e não representam a opinião dos editores ou responsáveis pela manutenção do site, mas apenas dos autores e colaboradores citados. Em caso de quebra de copyright ou por qualquer motivo que julgue conveniente denuncie material impróprio e este será removido. Conheça a nossa Política de Privacidade.

Em fevereiro: 1.218.643 visitantes, 2.740.135 visitas, 6.216.850 pageviews.

Usuários online