Pedra: consolidação e maior elaboração da fórmula
Resenha - Pedra II - Pedra
Por Rodrigo Werneck
Postado em 19 de agosto de 2008
Nota: 9 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
O desafio do segundo disco... Para a maioria das bandas e artistas solo, o segundo disco é muitas vezes o mais importante de sua carreira. Se o primeiro foi um sucesso, o segundo tem que ser a reafirmação de sua força, caso contrário há o risco de se ser atropelado pela "concorrência" (ainda mais nos dias de hoje, onde se descarta tudo ao menor piscar de olhos). Se o primeiro foi uma decepção, o segundo é a chance da redenção. Em qual caso se enquadra o Pedra? No primeiro, sem sombra de dúvidas!

Mesmo dentro do espírito independente que permeia o trabalho do conjunto, pode-se facilmente dizer que o primeiro álbum foi um sucesso. E este "Pedra II" é uma evolução clara, em todos os sentidos, uma consolidação, reafirmação e maior elaboração da fórmula. Quem gostou do primeiro, vai se deliciar com o segundo. A formação é uma verdadeira seleção: Xando Zupo na guitarra e vocal, Rodrigo Hid nos teclados, guitarra e vocal, Luiz Domingues no baixo e vocal, e Ivan Scartezini na bateria.
Sem trocadilhos infames, a bolacha abre logo de cara com uma pedrada: o cover de "Filme de Terror", ótima escolha para tal, pois soa como uma música composta pelo próprio Pedra. A versão original, do falecido Sérgio Sampaio, saiu em seu cultuado disco "Eu quero é botar meu bloco na rua" (1973). Seguem com "Rock’n’Não", um hardão que inclui guitarra insinuante, solos de sintetizador e órgão Hammond, e um baixo roncado no melhor espírito dos anos 70. A pegada "ao vivo" se torna presente, algo que muitas bandas tentam ao gravar um disco, mas não conseguem...
Uma das melhores vem a seguir, "Longe do Chão". Começa meio devagar, climática, sem mostrar a princípio se é balada ou rockão, mas depois vai engrenando, solo de Hammond, bateria variada, e lá pelos 3 minutos descamba para um momento totalmente Rainbow, com direito a solos blackmoreanos de Zupo, tecladeiras viajantes, bateria descontrolada, efeitos especiais, simplesmente demais. O delírio só acaba lá pelos 7 minutos, mas mesmo assim fica o "gostinho de quero mais"... Ainda bem que a banda cresce ao vivo, pois essa certamente terá efeito catártico em seus shows.
"Tô Indo A Mil" é uma mais acessível, provendo o necessário relaxamento após a intensidade da faixa anterior. Violões dobrados abrem "Projeções", ótima composição com letra instigante, que inclui ainda uma cítara, num momento meio zeppeliano. Abre parêntese: vale citar (mais uma vez, sem trocadilhos!) que o instrumento foi tocado pelo convidado Diogo Oliveira, por sua vez também responsável pela revista em quadrinhos que acompanha este lançamento. Sim, o disco foge do padrão tradicional, e em vez de caixinha e encarte, o CD vem dentro de uma HQ!
A instrumental "Megalópole" cria o momento para todos brilharem em seus instrumentos, sem ser despropositadamente virtuosística. Boa escolha para o meio do álbum. Tudo feito com muito bom gosto, beirando o fusion, mas mantendo as raízes hard rock firmes no chão. Lá pelos 2 minutos de duração há uma leve alteração de andamento que nos remete ao som do (ótimo) conjunto Colosseum II (que apresentava ninguém menos que Gary Moore, Don Airey e Jon Hiseman em sua formação), mas similaridades com grupos tão distintos quanto Happy The Man e Wishbone Ash podem ser notadas. Sutileza e agressividade em doses balanceadas, tudo reunido com muito bom gosto.
"Nossos Dias" é outra mais acessível, numa linha mesclando pop rock com uns toques meio soul, que talvez abra algumas portas de rádios para o grupo. É bom frisar, tudo feito com carisma e mantendo a identidade da banda intacta. "Se Você For A Fim" traz a distorção de volta, mas com muito groove e bem sacados flertes com música regional brasileira.
Uma inusitada parceria com Cézar de Mercês, ex-integrante da lendária banda O Terço, aparece na forma de "Jefferson Messias". Logo de cara, o timbre de órgão totalmente "vintage" (à la Farfisa e afins) dá mostras de que a brilhante mescla de passado e presente mais uma vez dá as caras no trabalho do Pedra. O meio da música é pontuado por climas pesados, solos selvagens de guitarra, nos transportando a seguir por momentos psicodélicos; mais anos 60, impossível. Chega a lembrar o saudoso Módulo 1000. Do nada, retorna o órgão, e com ele o andamento normal da música. Uma nova pérola do rock brasileiro nasceu... Méritos também para o baterista Ivan Scartezini, que não se prende à marcação pura e simples, e nos faz lembrar de mestres do instrumento como Ginger Baker, Carmine Appice e Mitch Mitchell.
Outro rockão vem a seguir em "Saiu de Férias", que tem boa participação de Hid no piano e no órgão Hammond, e mais um bom solo de guitarra de Xando. A contagiante "Letras Miúdas" é a próxima, com sua incrível linha de baixo. Impressionante como os anos se passam e Luiz "Tigueis" Domingues continua tirando da cartola todas essas "bases". É certamente um dos grandes nomes do rock nacional, vide seus trabalhos prévios n’A Chave do Sol e na Patrulha do Espaço, entre outros grupos. O trabalho de guitarras está também primoroso, com um slide muito bem inserido.
A bela balada "Meu Mundo É Seu" fecha o álbum. Violões dobrados se juntam à bateria e ao baixo, à percussão do convidado San, e ao bem colocado Mellotron, que aumenta a carga emotiva. Fecho de ouro para um disco irretocável.
Ao se ouvir "Pedra II", fica na cara que a banda havia apenas mostrado a ponta do iceberg no primeiro lançamento. A evolução é gritante. Composições e arranjos primorosos, gravação e produção idem, esmero na parte gráfica. Há toda a sorte de casos de sucesso e de fracasso na música, mas uma coisa é inegável: o Pedra veio pra ficar e não vai ser por falta de talento e química entre seus integrantes que não atingirão outros patamares.
O disco/revista pode ser adquirido em lojas, mas o download gratuito das músicas, em alta qualidade (MP3, 320k), está também disponível no próprio site do Pedra (cuidado: o link funciona bem no Internet Explorer, mas não no Firefox).
Tracklist:
1. Filme de Terror
2. Rock’n’Não
3. Longe do Chão
4. Tô Indo A Mil
5. Projeções
6. Megalópole
7. Nossos Dias
8. Se Você For A Fim
9. Jefferson Messias
10. Saiu de Férias
11. Letras Miúdas
12. Meu Mundo É Seu
Sites:
http://www.pedraonline.com.br
http://www.myspace.com/pedrapedra
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel |
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Registro do último show de Mike Portnoy antes da saída do Dream Theater será lançado em março
As duas músicas do Metallica que Hetfield admite agora em 2026 que dão trabalho ao vivo
"Morbid Angel é mais progressivo que Dream Theater", diz baixista do Amorphis
Alter Bridge, um novo recomeço
A banda que faz Lars Ulrich se sentir como um adolescente
25 bandas de rock dos anos 1980 que poderiam ter sido maiores, segundo o Loudwire
O riff definitivo do hard rock, na opinião de Lars Ulrich, baterista do Metallica
A banda de rock que lucra com a infantilização do público adulto, segundo Regis Tadeu
Por que David Gilmour é ótimo patrão e Roger Waters é péssimo, segundo ex-músico
O critério do Angra para substituir Andre Matos por Edu Falaschi, segundo Rafael Bittencourt
A música de Raul Seixas que faria ele ser "cancelado" nos dias de hoje
A música do Iron Maiden sobre a extinção do Banco de Crédito e Comércio Internacional
O guitarrista que Dave Grohl colocou acima de Jimi Hendrix, e que Brian May exaltou
Bangers Open Air anuncia 5 atrações para Pré-Party exclusiva em abril de 2026
"Cara, liga na CNN"; o dia em que Dave Grohl viu que o Nirvana estava no fim
O riff de guitarra que impactou Keith Richards: "Não dá para ser mais forte que isso"
DJ Ashba conta porque deixou o Guns N' Roses e "um dos maiores salários do mundo"
O cover que Bruce Dickinson confessa ter se arrependido de ter feito


Com "Brotherhood", o FM escreveu um novo capítulo do AOR
Anguish Project mergulha no abismo do inconsciente com o técnico e visceral "Mischance Control"
Motorjesus pisa fundo no acelerador, engata a quinta e atropela tudo em "Streets Of Fire"
Sgt. Peppers: O mais importante disco da história?
Iron Maiden: O Sétimo Filho do Sétimo Filho


