Mono: complexidade progressiva e atualidade alternativa
Resenha - Gone: A Collection Of EPs 2000-2007 - Mono
Por Pedro Zambarda de Araújo
Fonte: Bola da Foca
Postado em 11 de agosto de 2008
Quando uma banda japonesa coloca instrumentais simples – duas guitarras, um baixo e uma bateria – para gerar repetições hipnóticas e ritmos exóticos, o rock deixa de ser simples rock. A música do grupo Mono vai de pequenos e sensíveis toques nos instrumentos para uma atmosfera transcendental.

Pouquíssimo conhecido no cenário musical pop, Mono surgiu em 2000 com uma proposta musical puramente instrumental em selos de produção independentes, como o Tzadisk Records e a Ryko Disc, ambos norte-americanos. Vindos de Tóquio, a baixista Tamaki Kunish, os guitarristas Taakakira Goto e Yoda, além do baterista Yasunori Takada fazem uma música tranqüilizante, enriquecida por efeitos bem colocados e até mesmo "pesada" em determinadas passagens, em trabalhos cuidadosos com a cadência, o compasso, de cada música.
Lançado em 2007, "Gone: A Colection of EPs 2000-2007" traz os singles que o grupo lançou durante toda sua carreira e, dessa forma, mostra sucintamente como é a música de Mono. Essa diversidade de material permite que o ouvinte realmente entenda o que é o chamado post rock (ou pós-rock, na tradução): uma mescla do virtuosismo e das composições complexas do rock progressivo com a atualidade do rock alternativo.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel |
Dessa forma, "Finlandia" abre o álbum com uma batida simples acompanhada de guitarras que soam "cristalinas" com efeitos de delay e palhetada alternada. A melodia dessa música sugere, de forma clara, uma iniciação para o material, evoluindo muito lentamente e tendo um ápice onde as distorções dos instrumentos imperam, gerando um clima pesado, mas completamente de acordo com a introdução musical. Parece que você está visitando o país da Finlândia, de uma maneira totalmente musical
Com ritmo mais quebrado e efeitos de sintetizadores adicionados, "Black Woods" causa claustrofobia com um som de "interferência eletromagnética", que contrasta claramente com a música anterior. "Yearning", a maior música do material (15min36s, uma epopéia sonora, literalmente) começa com alguém falando ao fundo (provavelmente o título da música), seguindo com uma guitarra limpa e afinada que vai, aos poucos, ganhando peso. Dessa maneira, a distorção novamente atinge o volume máximo. A música tem um compasso quebrado que é compensado por outra guitarra que sobrepõe esse "espaço", dando um ritmo complementar à música. Em resumo, "Yearning" é uma composição progressiva rica em ritmo, que lembra Finlandia, mas com mais agressividade e efeitos.
Se as progressões e as construções caóticas foram marcas das outras músicas, "Memorie Dal Futuro" mostra que o restante do CD não será diferente, sendo todo inesperado e com músicas compridas. Ela não começa muito parada, mas toca notas suaves e doces, dando uma atmosfera das mais estéticas e agradáveis antes da forte distorção. As fortes pancadas alternadas dadas com a palheta, ao fim da melodia, fazem você duvidar que é a mesma música que estamos escutando. Um violino que toca ao fundo começa a ganhar o primeiro plano da composição, enquanto as notas das guitarras elétricas lembram músicas japonesas tradicionais. "Memorie" é uma obra de arte à parte dentre tantos materiais bons. É agradável, sensível e sincera durante seus quase 10min de duração.
"Due Fogile, Una Candela Il Soffio Del Vento" (do italiano: duas folhas, uma vela e o sopro do vento) traz uma sensação mais sombria e com uma melodia mais constante, embora a música soe esperançosa, apesar de seus efeitos sonoros conturbados. É uma faixa mais curta em relação ao que foi tocado até agora, com apenas 3min40s de tempo.
Eis que a mais curta de todas. "Since I´ve Been Waiting For Yo" (2min50s) é um "calmante sonoro": ela lembra uma canção de ninar, mas com uma melodia mais madura, mais desenvolvida. Sem dizer uma única palavra em letra, em linguagem letrada, a música parece fazer um pedido para a calma, para a paz interior.
"Gone" é a faixa-título deste compilado de singles e, seguindo as duas anteriores, possui uma constância maior em relação às músicas do começo do material. Sua composição lembra músicas japonesas bem folclóricas e seu ápice não é feito com distorção pesada, mas com uma palhetada alternada com som limpo. É uma composição sobre evolução, sobre desenvolvimento e, ao final, ausência. Gone não traz somente sensações simples, mas traduz o sentimento de processo, de acontecimentos.
Com uma baixa distorção de "Gone", "Black Rain" vai transformar a música em uma melodia limpa e melancólica no começo para evoluir para uma distorção cantada (em italiano) e um peso instrumental que sugere confusão, drama, tragédia, mesmo com uma sonoridade bem afinada entre todos os músicos. Essa melodia passa uma sensação de dificuldade, de amargura, com uma beleza que apenas a mortalidade pode oferecer. É uma sensação próxima da morte.
O violino de "Rainbow" marca a boa-nova: é uma música de renovação com ares tipicamente japoneses. Não parece rock, nem de longe, mas sim uma música clássica que sobreviveu aos tempos. Essa faixa serve como complemento aos diversos sentimentos, sentidos e sensibilidades que esse material traz.
Os pequenos sinos de "Little Boy (1945-Future)" anunciam essa música que tem um significado vindo do próprio nome: é sobre o homem pós-moderno, que surgiu com o fim das guerras mundiais, com o estabelecimento da globalização e de um mundo totalmente distinto de todos os anteriores. "Little Boy" tem uma melodia japonesa, violinos de música clássica e a distorção pesada que, junto com todas as progressões e digressões, permearam a criatividade dessa banda que é Mono. No entanto, apenas de tantos elementos reunidos, o som soa inocente do começo ao fim. "Little Boy" sugere que, apesar da complexidade do mundo moderno, ainda somos garotos. Somos um começo.
Interpretar Mono não é fácil, pois não há letras e não há critérios instrumentais capazes de captar todas as subjetividades deles. "Gone: A Colection of EPs 2000-2007" traz uma noção riquíssima do que é essa banda, que é totalmente desconhecida do público e que dificilmente vai aparecer em uma MTV. Mas, mesmo com esse panorama, se torna quase inevitável conhecer o restante do material, que é ainda mais denso e mais completo que o CD resenhado neste texto.
De forma reducionista, considero Mono muito parecido com Pink Floyd tanto em sua fase progressiva quanto na fase psicodélica, pois eles demonstram tanto músicas temáticas quanto técnicas. Outra fonte de inspiração deles, provavelmente, foram bandas alternativas da década de 1980 e 1990, como Talking Heads e o Radiohead, fortemente criticas e repletas de instrumentos pesados e distorcidos. No entanto, o que os torna singulares é a origem japonesa aliada a todos esses recursos. Dessa forma, ouso dizer que essa resenha não diz nem 10% do que essa banda representa. E nem vai conseguir dizer mais do que isso, infelizmente.
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