Ryan Adams: obra ainda mais forte e autoral
Resenha - Easy Tiger - Ryan Adams
Por Ricardo Seelig
Postado em 31 de maio de 2008
Nota: 9 ![]()
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Eu havia perdido a esperança em Ryan Adams. Após um início de carreira promissor, com ótimos discos como "Heartbreaker" (2000) e "Gold" (2001), o norte-americano andava perdido nos últimos tempos. Extremamente prolífico, o nível de seus trabalhos diminuia na medida em que mais e mais lançamentos com o seu nome chegavam às lojas. Um exemplo clássico de que a quantidade nem sempre anda de mãos dadas com a qualidade.

Por isso mesmo fui ouvir "Easy Tiger" com os dois pés atrás. Afinal, não esperava, em momento algum, escutar algo que me levasse de volta aos seus dois primeiros álbuns, ou até mesmo aos tempos do Whiskeytown, grupo que Adams liderava e que foi, ao lado do Wilco, um dos pilares do alt.country.
Essa minha despretenção e absoluta falta de expectativa tornou a audição de "Easy Tiger" uma sucessão de surpresas. Suas treze faixas retomam o caminho inspirado que Adams dava todos os indícios que seguiria há quase uma década. Os fatores que desviaram Ryan, como o álcool, o excesso de drogas e uma sucessão de relacionamentos fracassados, fizeram do cantor um sujeito mais forte, que soube sobreviver aos percalços e usá-los como experiência para tornar a sua obra ainda mais forte e autoral.
As influências que acompanham a carreira de Ryan Adams desde sempre estão em "Easy Tiger" novamente. Neil Young, Gram Parsons, Byrds, Buffalo Springfield, Flying Burrito Brothers: os pioneiros que ousaram unir a caipirice aguda do country do interior dos Estados Unidos à força e atitude do rock and roll têm sua lembrança ao longo de um álbum que volta a afirmar toda a força de Ryan como cantor e, principalmente, compositor.
A balada "Goodnight Rose" abre o disco deixando claro que o sentimentalismo guiará sua audição. "Everybody Knows" é uma típica canção com contornos acústicos de Adams, e poderia estar sem medo em "Gold". "Tears Of Gold" e "Pearls on a String" exalam sua brejeirice caipira, e são faixas totalmente country. "Rip Off" une Neil Young a John Lennon, enquanto "Two" é uma pequena jóia pop com participação discreta de Sheryl Crow.
Ryan Adams voltou a fazer o que sabe em "Easy Tiger", um trabalho consistente, que explora com absoluto brilhantismo suas influências de rock e country. O resultado é um disco despretencioso e que, talvez por isso mesmo, acaba sendo um dos principais da carreira do bardo americano.
Se você tem um coração, não tem como não gostar.
Faixas:
1. Goodnight Rose
2. Two
3. Everybody Knows
4. Halloweenhead
5. Oh My God, Whatever, Etc
6. Tears of Gold
7. The Sun Also Sets
8. Off Broadway
9. Pearls on a String
10. Rip Off
11. Two Hearts
12. These Girls
13. I Taught Myself How to Grow Old
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