Apocalypse: 72 minutos de música que não cansa
Resenha - Live in Rio - Apocalypse
Por Maurício Dehò
Postado em 23 de maio de 2008
Nota: 9 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Chegando a um quarto de século e com muitas mudanças a cada novo passo, os gaúchos do Apocalypse não poderiam ter feito opção melhor do que lançar um ao vivo, comemorando sua longevidade. A banda, criada em 1983, em Caxias do Sul, escolheu Niterói, no Rio de Janeiro, para apresentar seu repertório e fazer seu segundo registro ao vivo – o primeiro é o "Live in USA", de 2001.

Não bastasse toda esta experiência nas costas, o mais importante a se destacar é a bandeira do Rock Progressivo defendida por este quinteto – que já foi quarteto, mas acrescentou o vocalista Gustavo Demarchi, que "tomou" os microfones do antigo baixista Chico Casara, hoje substituído também por Magoo Wise. Completam a atual formação os membros fundadores Eloy Fritsch (teclados), Ruy Fritsch (guitarra) e Chico Fasoli (bateria), que dão vida a um estilo das antigas e que poucas vezes tem seu reconhecimento nos dias de hoje.
Este é o aspecto fundamental. Os 72 minutos de música poderiam cansar, demandar um tempo imenso, mas as composições são envolventes e o tempo passa num piscar de olhos com este "Live in Rio". Para completar a série de inovações e alterações, todas as faixas sofreram adaptações e uma roupagem muito boa com as letras em inglês e uma energia renovada dos cinco integrantes. Tudo sempre liderado pelo teclado de Eloy, que dá os contornos e climas às faixas, explorando muitas sonoridades e influências do Apocalypse, que passam por nomes como Pink Floyd, Gênesis, Marillion e Jethro Tull.
À la "Pulse", o começo é moroso (no bom sentido!), lento, com solos de guitarra e teclado. Tudo para resultar em "Cut", a antiga "Corta". O climão intimista dá lugar a uma verdadeira volta aos anos 70, no Prog capitaneado por Eloy e que ganha sempre uma dose altíssima de emoção na voz de Gustavo Demarchi. Uma das melhores vem a seguir, "South America", com grandes linhas de todos os instrumentos, incluindo aí duetos e "trietos". O baixo dá um peso maior à composição – do disco "Refúgio" (2003) – e o refrão bradado pelo vocalista gruda na cabeça.
No geral, todas as faixas são muito boas, como é o caso dos toques de Jazz e as flautas de Gustavo em "Refuge". "Waterfall of Golden Waters" apresenta momentos de pura beleza e ritmos e levadas bem quebradas, assim como "Magic". Já no fim do set, há tempo para o virtuoso medley "Comim From the Stars", em que todos os instrumentistas dão seus shows, e a mais acelerada "Peace in the Loneliness" (antiga "A Paz da Solidão") tem tempo até para uma passagem do "Bolero", de Ravel, e uma homenagem ao antigo formato das músicas, com a galera cantando em português.
Em 72 minutos, um show de atitude, apostando em uma vertente do Rock quem tem bastante preconceito e que é pouco comum no século 21. E o Apocalypse mostra não ter medo e, por outro lado, esbanja muita personalidade em seu som, um misto de anos 70 com modernidade. "Live in Rio", que também está disponível em DVD, foi uma boa aposta para mostrar suas novas versões e dar um aperitivo do direcionamento da banda daqui para frente. Em breve, o novo disco deve estar pintando. Vale aguardar.
Track List:
1. Cut
2. South America
3. Refuge
4. Mirage
5. Blue Earth
6. Magic
7. Waterfall Of Golden Waters
8. Tears
9. Time Traveller
10. Coming From The Stars (medley: com Limites de Vento, Fantasia Mística, Último Horizonte, Notre Dame)
11. Peace In The Loneliness
Formação:
Gustavo Demarchi – vocal e flauta
Eloy Fritsch – teclados
Ruy Fritsch – guitarra
Magoo Wise – baixo
Chico Fasoli – bateria
Lançamento nacional – Rock Symphony
Outras resenhas de Live in Rio - Apocalypse
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



A música do Guns N' Roses que é híbrido entre Steven Adler e Matt Sorum, segundo Frank Ferrer
Com 110 atrações já confirmadas, Graspop Metal Meeting atualiza cast para 2027
Resurrection Fest anuncia primeiras 72 atrações para edição 2027
O único ex-colega do Deep Purple que David Coverdale considera um irmão
De Black Sabbath a Gojira, 10 músicas que começam com riffs de guitarra inesquecíveis
A banda que deixou Lars Ulrich no paraíso quando o Metallica abriu seus shows
Bono (U2) explica recusa a encontro para conversa com Donald Trump
A música que Anika Nilles gostaria de acrescentar ao setlist dos shows do Rush
Confira o Line-Up completo do Bangers Open Air 2027
O hábito que custou o lugar de Clive Burr no Iron Maiden, segundo Regis Tadeu
Joe Satriani não acreditava ser o guitarrista ideal para tributo a Eddie Van Halen
Por que o rock nacional demorou tanto a reconhecer o verdadeiro tamanho de Pitty
A música do Soulfly que se aproxima de "Roots", segundo Max Cavalera
O riff pesado do Queen que muitos atribuem a Brian May, mas foi criado por Freddie Mercury
O artista novo que impressionou Paulo Ricardo: "Não adianta eu querer brincar com isso"
Como Rita Lee descobriu o câncer e o passo a passo do tratamento, segundo autobiografia
O hit dos Beatles que Paul McCartney faz ligeira indireta para indesejada Yoko Ono


Lost Society conclui sua transformação em "Hell Is a State of Mind"
A Riqueza da maturidade - Yes entrega elegância e musicalidade em "Aurora"
Gladenfold aposta no Power Metal em "Soulbound"
Raimundos - há 26 anos, o "MTV Ao Vivo" registrava uma das fases mais intensas da banda
Lorna Shore cria obra que desafia os limites do ouvinte
Wings of Steel novamente acerta com "Winds of Time"
Queens of The Stone Age volta com álbum longe de ser "Perfecth"
Corrosion of Conformity encara perdas e mudanças em "Good God / Baad Man"
O melhor disco lançado em 2026, segundo Mateus Ribeiro
Voivod - Música mutante para um futuro mutante
O disco que "furou a bolha" do heavy metal e vendeu dezenas de milhões de cópias



