Resenha - Live In Rio - Apocalypse

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Por Rodrigo Werneck
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Nota: 8

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Já havíamos resenhado a versão em CD deste lançamento, que chegou ao mercado alguns meses atrás. Agora é a vez do DVD, que inclui duas músicas a mais e uma pá de material extra, como é quase uma praxe nesses casos.
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Seguindo a tendência natural do mercado musical, que neste momento tem se focado cada vez mais no lançamento de DVDs, ainda pouco copiados, pirateados e “baixados” em comparação aos CDs, a gravadora brasileira Rock Symphony tem investido em material de vídeo ao vivo gravado por bandas nacionais de rock progressivo. O mercado progressivo brasileiro, embora restrito e árduo, tem revelado algumas novas bandas de talento, e dentre elas tem persistido um punhado de combatentes com já alguns anos de estrada. Destaca-se entre o pessoal “das antigas” o Apocalypse, na estrada desde 1983.

A formação atual do grupo é composta por Gustavo Demarchi (vocal e flauta), Eloy Fritsch (teclados), seu irmão Ruy Fritsch (guitarra), Magoo Wise (baixo) e Chico Fasoli (bateria). Dentro de suas possibilidades, têm obtido sucesso digno de nota em especial no exterior, mas é crescente também a participação do Apocalypse em festivais de hard rock e progressivo no Brasil. Entre esses se destacou o Rock Symphony For The Record (setembro de 2005), que incluiu também as bandas Tarkus, Aether, Poços & Nuvens, Ashtar, Alexl (todas do Brasil), Akinetón Retard e Tryo (ambas do Chile). Todos os oito shows foram gravados para posteriores lançamentos de CDs e DVDs dedicados a cada banda, sendo que até o momento só ficaram prontos os do Apocalypse e do Tarkus, ficando os demais prometidos para os próximos meses/anos.

Como já fiz aqui no Whiplash uma análise prévia sobre o CD em si (https://whiplash.net/materias/cds/052975-apocalypse.html), vou me ater aos aspectos exclusivos deste lançamento em DVD. Contendo 13 músicas distribuídas por 85 minutos de show, pode-se perceber que a maioria dos temas apresenta longa duração, e nada melhor que a adição do vídeo ao áudio que já estava disponível no CD para podermos apreciar a performance da banda por completo.

Porém, logo ao início do DVD, uma surpresa desagradável. A captação de imagem não foi feita de forma satisfatória, gerando um grande problema ao responsável pela edição de imagens. Em algumas passagens, chega a ser amador o trabalho de posicionamento de câmeras, os takes, os zooms, etc. Além disso, nitidamente as câmeras móveis utilizadas não possuíam o mecanismo “steadicam” (que permite a estabilização de imagem), sendo que as tomadas de alguns solos e passagens de guitarra e bateria, principalmente, foram muito prejudicadas, chegando mesmo a se assemelhar a um vídeo pirata, não fosse a quantidade de câmeras presentes na gravação. Este problema, porém, diminui no decorrer da apresentação, talvez porque a equipe contratada tenha ido “esquentando” no decorrer do show, achando um melhor posicionamento para captar de forma mais correta o concerto.

No começo do DVD, alguns “takes” são realmente equivocados, filmando as costas do baterista em diversos momentos, cortando músicos pela metade, ou mesmo posicionando a guitarra no alto da tela no momento de um solo. Por isso, claramente o que ocorre é que o registro deixa escapar bastante a energia, o “feeling” da banda em sua performance, desperdiçando por exemplo momentos marcantes como a apresentação do vocalista Gustavo Demarchi com uma máscara, item integrante da performance e que somente no DVD poderia ter gerado algum efeito agregado à música. Poderia...

Entretanto, conforme mencionado, depois da metade do show a questão visual melhora bastante, e de uma forma ou de outra o som é impecável, como já era no CD. Todos os instrumentos e voz perfeitamente audíveis e bem balanceados, numa performance bem ensaiada e brilhantemente executada. Afinal, a banda em si não tem culpa por questões técnicas da captação do vídeo, e deu o melhor de si naquela noite. E temos que considerar que os custos para a gravação de um DVD são altos e certamente a gravadora Rock Symphony fez o que foi possível dentro de um orçamento adequado ao projeto. Vamos aguardar os demais DVDs da mesma série gravada no mesmo evento, para verificar se foi um caso isolado ou não. A iluminação de palco é razoavelmente boa, e o fato do show ter ocorrido no belo Teatro Municipal de Niterói (RJ) adiciona uma boa dose de dramaticidade estética ao visual do concerto.

Como num show o que realmente importa é o lado musical, nada a reclamar já que este é um ponto alto deste DVD. O balanço entre os instrumentos é perfeito, tendo todos seus momentos certos de brilhar. Os solos de guitarra e teclados (órgão e sintetizadores) se revezam, o baixo pulsante se destaca e a bateria sempre variada de Chico Fasoli, com freqüentes viradas totalmente bem encaixadas, atestam o que uma banda madura como o Apocalypse é capaz de fazer. Eloy Fritsch e sua tecladeira mostram que ainda é possível que o virtuosismo conviva lado a lado com o bom gosto e o não exagero auto-indulgente. Timbres bem tirados de Hammond, Minimoog e Mellotron se intercalam com outros mais modernos. Outro destaque é o vocalista Gustavo, que além de ter ótimo alcance vocal, sabe utilizá-lo de forma sempre bem colocada, o que aparece mais nas composições com uma maior dinâmica onde consegue trafegar por diversos estilos e influências. Além disso, vez por outra adiciona flauta, ajudando a enriquecer os arranjos. A dupla das cordas é extremamente precisa, sendo que Ruy Fritsch sola sempre de forma melódica e somente usa velocidade quando necessário. Já Magoo Wise se sai bem com linhas criativas e melódicas, no melhor estilo progressivo com seu baixão Rickenbacker, o popular “Rick”.

Em alguns momentos, tudo parece funcionar de forma exemplar. Em “Waterfall Of Golden Waters” por exemplo, as variações de tempo (entre o 4 por 4 básico do rock e o 7 por 4 clássico do progressivo) funcionam quase que por mágica. Já em “Coming From The Stars Medley”, foram inseridos fragmentos de várias músicas do passado do grupo, de forma que cada integrante tenha seus 15 segundos de fama (ou mais). São quase como mini-solos incluídos de forma plenamente musical dentro do contexto da suíte, pois os demais membros continuam tocando e fazendo a base para cada um de seus comparsas brilhar. Tudo isso de forma fluida, não truncada.

Entre os extras está incluído um mini-documentário de 12 minutos de duração feito pela Niterói TV, que cobriu o evento todo, compreendendo cenas do show e dos bastidores, tendo o repórter feito uma rápida entrevista com os 5 integrantes do grupo no backstage. Além disso, há uma galeria de fotos, biografias da banda e de cada integrante, e discografia completa com “samples” sonoros. É bom frisar que Ruy Fritsch foi responsável pela animação em 3D que introduz o vídeo principal, animação essa que utiliza a arte de capa feita por Gustavo Sazes.

A arte da capa e do encarte segue a do CD, uma arte sóbria que inclui fotos em preto e branco do próprio show. No encarte, há ainda a ficha técnica completa e os agradecimentos. O esmero na produção do DVD é notável, ressalvando-se apenas os problemas mencionados, que certamente ocorreram em função de restrições orçamentárias. Mesmo assim, um item que certamente fará a alegria dos amantes do rock progressivo nacional.

Tracklist:
1. Cut
2. South America
3. Refuge
4. Mirage
5. Crying For Help
6. Blue Earth
7. Freedom
8. Magic
9. Waterfall Of Golden Waters
10. Tears
11. Time Traveller
12. Coming From The Stars Medley (including: Limites de Vento, Fantasia Mística, Último Horizonte, Notre Dame)
13. Peace In The Loneliness

Sites relacionados:
http://www.apocalypseband.com
http://www.rocksymphony.com.br

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Sobre Rodrigo Werneck

Carioca nascido em 1969, engenheiro por formação e empresário do ramo musical por opção, sendo sócio da D’Alegria Custom Made (www.dalegria.com). Foi co-editor da extinta revista Musical Box e atualmente é co-editor do site Just About Music (JAM), além de colaborar eventualmente com as revistas Rock Brigade e Poeira Zine (Brasil), Times! (Alemanha) e InRock (Rússia), além dos sites Whiplash! e Rock Progressivo Brasil (RPB). Webmaster dos sites oficiais do Uriah Heep e Ken Hensley, o que lhe garante um bocado de trabalho sem remuneração, mais a possibilidade de receber alguns CDs por mês e a certeza de receber toneladas de e-mails por dia.

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